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“Vila Franca de Xira não tem uma política cultural”

“Vila Franca de Xira não tem uma política cultural”

João de Carvalho não se coibiu de falar de política em mais uma tertúlia “Fatias de Cá Bar É”, em Constância

Actor da série “Malucos do Riso” é o candidato do PSD à câmara vilafranquense.

Edição de 21.05.2009 | Cultura e Lazer
O actor e candidato à Câmara de Vila Franca de Xira pelo PSD, João de Carvalho, diz que o município vilafranquense não tem uma política cultural e limita-se a meter no mesmo saco associações de toda a espécie. Quinta-feira, 14 de Maio, em mais uma conversa do espectáculo/tertúlia “Fatias de Cá Bar É”, no cine-teatro de Constância, João de Carvalho não poupou as opções da câmara liderada pela socialista Maria da Luz Rosinha.“As associações de caçadores e de pescadores estão reunidas com as IPSS e com as companhias de teatro e grupos etnográficos tudo no mesmo saco. Quem é que leva sempre a porrada em cima? A cultura! E a partir daqui não se consegue fazer nada. As tertúlias tauromáquicas deviam ser mais interactivas e não funcionarem apenas na feira de Outubro e no Colete Encarnado. Que recebam um bocado menos porque há quem precise de encenar espectáculos, de renovar guarda-roupas, fazer coisas novas em grupos de folclore. Mas para isso é preciso haver uma política cultural e não tem havido”, constata.Crítico do desenvolvimento cultural do concelho, que diz ser o mais pobre dos grandes municípios da Àrea Metropolitana de Lisboa, João de Carvalho diz ainda que o Museu do Neorealismo não seria prioritário e que até funciona melhor a biblioteca lá instalada do que o museu. O actor de teatro, televisão e cinema reconhece que não será fácil enfrentar a socialista Maria da Luz Rosinha mas garante que concorre para ganhar. Sobre a incompatibilidade de valores entre ser actor e ser político responde: “Um político é um actor e eu vou recriar um político. Então não é isso?”, gracejou perante mais de uma vintena de pessoas que o ouviram atentamente nos corredores do bar do cine-teatro.Começou aos quatro anos no teatro numa peça de Tolstoi na TV e fez telecinema. Foi a protagonizar teatrinhos em casa que aprendeu a interpretar textos e a dar o devido valor às palavras. João de Carvalho não saiu apenas ao pai, Ruy de Carvalho, actor consagrado. O tio João morreu nos palcos com 21 anos. A tia Cristina fez teatro e acabou nos Parodiantes de Lisboa. Com Armando Cortez refinou o tom da comédia. Do pai guarda a máxima de que, em palco, só há duas hipóteses: representar bem ou representar mal.Adepto da escrita de Camões, de Álvaro de Campos, pseudónimo de Fernando Pessoa, e apaixonado pelos sonetos de Bocage, João de Carvalho surgiu na tertúlia com a Antologia Poética de João Villaret nas mãos. Não resistiu a cantar “Tocam os sinos na torre da igreja”, a declamar “Passa por mim no Rossio” ou a recordar Gil Vicente.João de Carvalho confessa que aos 54 anos ainda tem medo de entrar em palco, o que desaparece quando começa a actuar. Não gosta de ver como os palmos de cara, decote e rabo são rapidamente transformados em actores e actrizes. Mantém a sua barba e bigode brancos de tipo senhorial proveniente da série Equador. Mas recorda que os encenadores defendem duas regras essenciais: as mulheres não podem ter pêlos nos sovacos; os homens devem ter barba. “O Fatias de Cá Bar É” decorre às quintas-feiras no cine-teatro de Constância. Antes da conversa com um convidado, conduzida por Paula Junqueira, os interessados são convidados a comparecer às 19h19 para um jantar num dos restaurantes da vila. Pelas 21h21 é representado um excerto de uma peça de teatro a que se segue uma conversa com o convidado. Em cada intervalo há sobremesas, chá e café. A próxima convidada é a secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz.Comité Central vetou tradução de Álvaro Cunhal para peça King Lear A peça King Lear, protagonizada por Ruy de Carvalho, e no elenco da qual também entrou João de Carvalho, esteve quase para ter um texto traduzido por Álvaro Cunhal. A ex-deputada do PCP, Odete Santos, que também integrou a peça, dirigiu-se ao encenador, Carlos Avilez, para lhe propor que o texto fosse traduzido por Álvaro Cunhal. “A Odete fez a proposta de se aceitar a tradução de King Lear de Álvaro Cunhal, que a fez num período de amargura quando estava preso, e, talvez por isso, saiu uma obra que é uma maravilha de texto. Mas o Comité Central não deixou. Foi um bocado triste, apenas disseram que não estaria autorizado”, recorda João de Carvalho, lamentando a oportunidade perdida.
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