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Destemido Serafim das Neves

Edição de 20.05.2009 | E-mails do outro mundo
Estou triste. Muito triste mesmo. Com tanta Feira taurina por aqui e não vamos ter a habitual animação dos manifestantes anti-touradas. Fiquei desolado quando li a notícia. Ainda estou abalado. Eles dizem que não aparecem por causa das más experiências que tiveram noutras alturas. Eu acho que é pura discriminação. Eu nunca os vi por cá. E acho que tu também não. Como podem dizer que tiveram más experiências em lugares onde nunca meteram os pés??!!Está bem, admito que tenham vindo incógnitos e que as más experiências tenham que ver com as cornadas que levaram dos toiros quando lhes foram afagar os lombos com carinho segredando-lhes aos ouvidinhos juras de amor e promessas de os defenderem com unhas e dentes. Mas mesmo assim, caramba, os toiros não são todos iguais. Esses que marraram eram ingratos. Mas temos por aqui muitos outros que sabem comportar-se.E há outra coisa. Eles têm tido más experiências à porta da Praça do Campo Pequeno em Lisboa e não é por isso que deixam de ir para lá de cada vez que há uma tourada. Sim, porque um gajo passar uma noite a gritar até à rouquidão para o pessoal que vai à tourada e não haver quem lhe dê troco é uma experiência traumática…eu disse traumática e não tauromáquica, não te estejas para aí a rir! Eu, pela minha parte, garanto-lhes que se eles vieram para cá gritar não vão ficar a falar sozinhos. Isso é de certeza, que aqui não somos surdos.Passando a outro assunto. Tu sabes o que são crianças institucionalizadas? Agora não há cão nem gato da política que não fale disso e eu sinto-me um ignorante chapado. Falha minha, eu bem sei. Conheço crianças alegres, traquinas, ranhosas, birrentas, sossegadas, simpáticas, amorosas…agora crianças institucionalizadas. Ando mesmo desatento às novas tendências da moda. Um dia destes até entrei numa casa de moda infantil para perguntar, como quem não quer a coisa, se tinham alguma coisa para crianças institucionalizadas. A senhora que me atendeu ficou a olhar para mim espantada, como seu eu tivesse acabado de chegar de Marte. “Já foi ali à casa de artigos ortopédicos?”, perguntou-me ela.Claro que eu não lhe disse que a loja dela vai ficar a perder por não estar na moda. Nessa mesma noite, há hora dos telejornais, voltei a ouvir falar nas tais crianças. E era tudo gente de bem a falar naquilo. Crianças institucionalizadas para aqui, crianças institucionalizadas para acolá. Por acaso não mostraram nenhuma, o que foi pena. Termino com uma vénia às capacidades de Moita Flores. Depois de ser tudo e mais alguma coisa, desde inspector de polícia, escritor, professor, cronista, conferencista, guionista, comentador de televisão, compositor de operetas, presidente de câmara…ainda arranjou tempo para ser especialista em vinhos…mesmo sendo abstémio, o que é notável. A veia de enólogo chegou-lhe em pleno lançamento do livro de Paulo Caldas, Vinhas de Paixão. O autor da obra pode dar-se desde já por satisfeito. Pode não ganhar um Nobel da literatura mas conseguiu um milagre. Graças à sua veia de romancista Portugal ganhou um enólogo. E revelou-se, em plena FNAC do Vasco da Gama, o equivalente vinícola ao quarto segredo de Fátima. O vinho Mateus Rosé é o pior vinho do Mundo apesar de ter a garrafa mais original.Um abraço etílicoManuel Serra d’Aire

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