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Munícipe do Entroncamento queixa-se de falta de assistência do INEM e bombeiros

Munícipe do Entroncamento queixa-se de falta de assistência do INEM e bombeiros

Maria de Lurdes foi acometida de doença súbita e sentiu-se maltratada pelo sistema nacional de saúde
Edição de 20.05.2009 | Sociedade
Uma munícipe do Entroncamento acusa o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e o corpo dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento de terem actuado de forma deficiente em seu socorro. “Só não morri porque ainda não tinha chegado a minha hora”, diz com as lágrimas a escorrerem pela face. No dia 30 de Abril, Maria de Lurdes Vital, 66 anos, tinha saído de casa perto das 15h45 quando, passado poucos minutos, sentiu uma dor “muito fina e aguda” na zona abdominal. Doente cardíaca há alguns anos (como comprova o atestado que a acompanha para todo o lado) e sem conseguir pronunciar palavra resolveu deitar-se em cima de um vaso de flores de forma a ser socorrida por algum peão. Não sendo auxiliada “arrastou-se” até uma sapataria. Fez o gesto de que se ia sentar e as funcionárias do estabelecimento apressaram-se a ligar para o INEM através do 112. Segundo conta, foi aqui que começou o imbróglio. Do outro lado da linha dizem que devia preencher primeiro um inquérito de triagem. A empregada alegou que a situação é urgente e que não conhece a história clínica da doente. Do outro lado respondem que, sem esta informação, nada há a fazer e desligam. “O que é mais importante? Preencherem um papel ou enviarem socorro? Seremos só um nome para abater?”, indaga Maria de Lurdes Vital. Decidem ligar para os Bombeiros do Entroncamento. A resposta, segundo diz, do outro lado não é a mais animadora. “Disseram que não estava ninguém no quartel uma vez que estavam todos a combater um incêndio”, conta. Entretanto, uma médica ginecologista passa na rua e presta-lhe alguns cuidados médicos. Dez minutos depois, aparece a ambulância com dois operadores, vestidos com batas azuis. Deitada no chão da sapataria, Maria de Lurdes, que entretanto perdeu os sentidos, deveria ter sido colocada numa maca mas os bombeiros dizem que “não sabem trabalhar com a maca” pelo que terá que ser transportada em cadeira de rodas. O comandante dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, João Pombo, reconhece que a situação de emergência desta munícipe coincidiu com um “grande pico de trabalho” pelo que no quartel se encontravam poucos efectivos. “ Dois dos nossos bombeiros, um no quadro de reserva e uma jovem, tentaram resolver a situação o mais depressa possível”, atestou a O MIRANTE, reconhecendo que, por ser uma viatura nova, os próprios admitiram que não estavam familiarizados com o equipamento. “Se calhar temos que dar razão a esta senhora. Estamos, neste momento, a dar formação aos bombeiros que, ainda por cima, são voluntários”. Maria de Lurdes Vital ainda está hoje para saber como se conseguiu sentar na cadeira de rodas e subir para a ambulância a fim de ser transportada para o Hospital de Torres Novas, onde deu entrada cerca das 20h00. Acabou por ter alta no final da noite, depois de fazer um electrocardiograma e análises. “Não nos deram grandes explicações sobre o resultado dos exames, apenas que os valores tinham estabilizado e que poderíamos ir para casa”, conta o marido João Vital que foi testemunha da perda dos sentidos da esposa. Dois dias depois do sucedido, Maria de Lurdes Vital ligou para o INEM afim de pedir explicações sobre o modo como foi atendida a sua situação de emergência pelo operador. “Não só não responderam como ainda senti que gozaram com a minha situação”, lamenta, visivelmente magoada. O MIRANTE enviou no dia 6 de Maio um pedido de esclarecimentos ao INEM mas a resposta não chegou até ao fecho de edição.
Munícipe do Entroncamento queixa-se de falta de assistência do INEM e bombeiros

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