uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Socorristas reclamam por mais ambulâncias e mais médicos do INEM

Seminário internacional com 200 especialistas em Samora Correia
Edição de 20.05.2009 | Sociedade
“Gostava de saber se em Espanha e Inglaterra também há ambulâncias de reserva como o INEM tem em Portugal?”. A pergunta, em jeito de provocação, foi posta por um bombeiro chefe no período de debate do primeiro painel sobre socorro em catástrofes com multi-vítimas no sábado em Samora Correia. O socorrista referia-se ao facto de haver ambulâncias do INEM guardadas quando fazem falta, “como pão para a boca”, nos quartéis de bombeiros. O oficial da polícia inglesa, Paul Crowther, e a representante da protecção civil de Madrid, Montserat Alonso, garantiram que nas suas cidades não há viaturas de socorro reserva. Todos os meios são usados diariamente para que os seus utilizadores possam estar familiarizados com a sua utilização e prontos para actuar em caso de catástrofe como aconteceu com os atentados de Madrid e Londres que serviram de base para as suas intervenções.Os dois oradores estrangeiros valorizaram o debate que contou com duas centenas de participantes vindo de todo o país, entre bombeiros, enfermeiros, médicos, técnicos de protecção civil e curiosos em saber mais sobre formas de actuação em caso de catástrofe.E não se pense que a ajuda dos voluntários, mesmo sem competências na área do socorro, é menos importante. Paul Crowther e Montserat Alonso destacaram a importância dos voluntários no encaminhamento dos feridos menos graves e no apoio aos técnicos de socorrismo. “O voluntariado não especializado foi fundamental nas nossas experiências, mas é necessário que seja um voluntariado organizado para não comprometer a operação”, alertou Paul Crowther.As comparações dos exemplos internacionais com a realidade nacional foram inevitáveis. O inspector Manuel Veloso, que já participou em 22 missões internacionais, frisou que enquanto “o Samur (serviço de emergência pré-hospitalar semelhante ao INEM em Portugal) tem 82 médicos, o INEM tem oito. E em Espanha, “todas as ambulâncias têm três tripulantes enquanto que em Portugal a maioria só tem dois”, inclusive as Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER).Apesar das limitações, os especialistas espanhol e inglês elogiaram a protecção civil portuguesa e os seus técnicos cuja preparação técnica e espírito de missão enalteceram. Mas as comparações não são apenas com as realidades estrangeiras. Nos Açores já é possível, qualquer socorrista habilitado, utilizar os desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE) e no continente não. No arquipélago, o governo regional paga todas as despesas de construção de quartéis, compra de equipamentos, formação dos bombeiros e manutenção das corporações a cem por cento e no continente as associações suportam uma boa parte dos custos. A realidade açoriana foi trazida pelo inspector Pedro Carvalho, responsável pela protecção civil nos Açores depois de ter sido comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém.

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...