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Vila Franca de Xira com menos bombeiros para combate a incêndios

Vila Franca de Xira com menos bombeiros para combate a incêndios

Bombeiros vão receber menos por hora que empregadas domésticas, denuncia António Carvalho

Vila Franca de Xira é um dos quatro concelhos da área de Lisboa que recebe menos meios do Governo para a segunda fase de combate a incêndios. Soldados da paz ganham abaixo de 40 euros por turno de 24 horas.

Edição de 21.05.2009 | Sociedade
Os bombeiros do concelho de Vila Franca de Xira vão receber menos meios do Ministério da Administração Interna (MAI) para o combate a incêndios de 2009. Vila Franca de Xira é um dos quatro concelhos da Área Metropolitana de Lisboa que vê diminuir a verba atribuída às equipas de combate a incêndios (ECIN), à semelhança de Amadora, Oeiras e Lisboa. A distrital de Lisboa da Federação Portuguesa de Bombeiros garante que “a diminuição não vai prejudicar o combate a incêndios no distrito”. António Carvalho, que lidera o organismo, critica no entanto a manutenção do valor atribuído pelo Governo, face a 2008. “Cada bombeiro neste regime vai receber menos por hora que uma empregada doméstica”, compara, citando o montante de 41 euros por cada 24 horas que será atribuído. No terreno as corporações tiveram diferentes sortes na atribuição de meios. Os Bombeiros Voluntários de Vialonga sofreram reduções. “Vamos ter um autotanque e dois homens quando deveríamos garantir uma viatura e sete homens”, reclama José Sousa, comandante da corporação. No caso de Vialonga, onde a corporação tem 43 activos para uma área de 18 quilómetros quadrados, o comandante garante que “os fogos não se vão deixar de apagar”, mas expressa o seu descontentamento. Em Alverca os meios foram mantidos. A corporação deverá contar com uma ECIN - autotanque e cinco homens - mais dois soldados numa equipa logística de apoio ao combate (ELAC), na terceira fase de combate a incêndios, “Charlie”, que começa a 1 de Julho. Na segunda, “Bravo”, que arrancou dia 15 de Maio, os soldados de Alverca contam com uma ELAC. “A maior parte dos homens vão trabalhar em incêndios fora do distrito, uma vez que no concelho não se verificam muitos fogos”, conta Alberto Fernandes, comandante da corporação. Os bombeiros da Castanheira não contam com meios governamentais para a fase “Bravo”. Na fase “Charlie”, o MAI garante uma ECIN. A corporação cobre uma área de 16 quilómetros quadrados e vai compensar na primeira fase as dificuldades com um esquema de trabalho próprio. “Os assalariados cumprem o período normal de vigilância, ficando os fins-de-semana e a as noites para os voluntários e alguns assalariados. Mas contamos com alguns jovens, amigos dos bombeiros, outros estagiários e futuros candidatos, que nos ajudam a garantir que tudo corre bem”, conta Jorge Simões, comandante da corporação. A redução dos meios governamentais não afecta no entanto, a participação da autarquia de Vila Franca de Xira no combate a incêndios. O município participa, desde 2005, com uma verba de quase 279 mil euros para garantir às corporações mais meios. Cada associação de bombeiros recebe, anualmente, cerca de 46 mil euros, o que permite garantir mais uma guarnição de cinco homens em cada quartel. Incêndios aumentam em anos eleitorais Pode parecer mito, mas os números indicam que sim. Nos anos em que se verificam eleições legislativas ou autárquicas a nível nacional os incêndios aumentam. Em 27 anos, entre 1980 e 2007, decorreram sete eleições autárquicas, período em que se verificou uma subida de 6,68 por cento acima da média em número de incêndios, tal como da área ardida, 4,54 por cento. Em época de legislativas, nos nove anos em que foram escolhidos os governos, a área ardida subiu 16,8 por cento mas o número de ocorrências desceu 2,86 por cento. Nos anos de 1985 e 2005, em que as duas eleições coincidiram, a área queimada foi das mais vastas de sempre com 146 254 e 312 829 hectares de área queimada, respectivamente. O presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Coimbra, Jaime Soares, já tinha noção desta realidade. Este ano, muito provavelmente, “vamos ter um Verão difícil” a nível de incêndios, admitiu já o secretário de Estado das Florestas, Ascenso Simões, que na tomada de posse da Comissão Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Faro. O governante confirmou que “há estatísticas que indicam que há mais incêndios em anos de eleições”. Ascenso Simões alertou ainda para o facto de a GNR não poder “andar a fazer autuações a proprietários e as autarquias a olharem para o lado”.
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