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Herético Manuel Serra d’Aire

Edição de 27.05.2009 | E-mails do outro mundo
Não é preciso ser enólogo nem escanção para se perceber que o Rosé é das coisas mais horripilantes que existe entre o grupo de bebidas a que se convencionou chamar vinho. Só a cor, semelhante ao equipamento secundário do Benfica na época passada, assusta. E o formato da garrafa de algumas marcas nada abona a favor do conteúdo. Por isso não é de estranhar que mesmo, sendo abstémio, o omnisciente Moita Flores considere que o Rosé é do pior vinho que há. Não te esqueças que a experiência detectivesca do agora autarca permite-lhe traçar diagnósticos exactos das mais diversas situações sem ter de recorrer ao chamado saber de experiência feito.E já que o discurso resvalou tão rapidamente para o lado dos nossos queridos autarcas, deixa-me confessar o quanto extasiado e orgulhoso fico por viver na região com mais escritores a governar municípios. Poucos serão neste momento os presidentes de câmara que não viveram a experiência inolvidável de escrever e publicar um livro. Quem diz que os autarcas lusitanos são uma cambada de broncos e patos bravos é porque ainda não veio ao Ribatejo. Aqui a política é uma espécie de olimpíadas florais onde os literatos autarcas não competem para ver quem inventa mais e mais estranhas rotundas, mas sim para descortinar quem melhor manuseia a língua, os verbos e os adjectivos; quem tem a imaginação mais oleada para parir ficção que ficará na História. No Dia de Camões, espero que o Presidente da República tenha em conta este esforço ciclópico para o enriquecimento das letras nacionais e lhes espete uma medalha na lapela. E se é verdade que um homem cumpre o seu destino ao semear uma árvore, escrever um livro e ter um filho, é certo e garantido que a maior parte dos autarcas ribatejanos já tem pelo menos um terço desse desígnio cumprido.Panfletário Manel estou entusiasmado com as comemorações do 10 de Junho em Santarém. E mais eufórico fiquei quando soube que a parada militar vai realizar-se no antigo campo da feira. Só espero que a câmara aproveite bem a presença dos novos carros de combate do Exército e peça uma demonstração de fogo real para mandar abaixo alguns dos mamarrachos que ainda resistiram à operação plástica ali feita em nome de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Entretanto, a Federação Nacional de Associações de Feirantes organizou o seu quarto encontro nacional em Fátima, tendo o programa incluído uma missa na Capelinha das Aparições. Sinceramente, julgava que os feirantes se encontravam praticamente todas as semanas nos sítios do costume, ou seja, onde há mercados ou feiras. Agora faz ideia o granel que não deve ter sido na Cova de Iria com aquela malta toda junta a regatear as esmolas e a implorar milagres à Nossa Senhora. Termino dizendo que me vou inscrever na recém-criada Confraria da Punheta de Bacalhau. Finalmente foi feita justiça a esse prato típico nacional que não tem vergonha de assumir a onanística designação. Não é como a vila de Punhete, que mudou de nome no século XIX por causa de uma rainha e passou a chamar-se Constância. Cambada de maricas…Um cumprimento reverente do Serafim das Neves

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