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Grande parte da água do Tejo é desviada para o sul de Espanha

Grande parte da água do Tejo é desviada para o sul de Espanha

Portugueses convidados a participar em manifestação em defesa do Tejo no país vizinho

“O Tejo está a morrer no mediterrâneo espanhol”, afirmou em Vila Nova da Barquinha uma activista espanhola, denunciando o facto de 80 por cento do caudal do rio estar a ser desviado para as regiões de regadio, que “estão a crescer com uma água que não é sua”.

Edição de 27.05.2009 | Economia
A Rede Cidadã para uma Nova Cultura da Água convidou domingo os portugueses a participarem, dia 20 de Junho, numa manifestação em Talavera de La Reina contra a política de transvases que, alega, está a matar o rio Tejo. Soledad de La Llama, da Rede Cidadã, participou, em Vila Nova da Barquinha, na iniciativa “Salvar a Terra e a Água”, promovida pelo Instituto Democracia Portuguesa (IDP) com o apoio da Fundação D. Manuel II, da COAGRET e da autarquia local, e que contou com a presenças de D. Duarte Nuno e do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.A manifestação que se vai realizar em Talavera de La Reina visa reivindicar “água para o rio Tejo”, ou seja, a fixação de caudais e evitar que sejam autorizados novos transvases e a passagem a escrito das concessões dos transvases actuais, Tejo-Segura e Tejo-Guadiana, por um período de 75 anos, afirmou Soledad de La Llama.“Portugal não pode ficar alheio”, disse Pedro Couteiro, da Coordenadora de Afectad@s pelas Grandes Barragens e Transvases (COAGRET), afirmando que está em negociação o aluguer de uma carruagem do Lusitânia, que pára na estação de Talavera, para que os cidadãos das zonas ribeirinhas do Tejo, desde a fronteira até Lisboa, se juntem aos espanhóis neste protesto (www.pornuestrosrios.org).Soledad de La Llama afirmou que a manifestação visa impedir que a lei que está em preparação no Parlamento espanhol, e que deverá sair em Setembro, ignore a importância do rio para cidades como Talavera e Lisboa e que fixe os caudais do rio. “O Tejo está a morrer no mediterrâneo espanhol”, afirmou, denunciando o facto de 80 por cento do caudal do Tejo estar a ser desviado para as regiões de regadio, que “estão a crescer com uma água que não é sua”. Se se concretizar o novo transvase, o Tejo Médio “morre”, advertiu, pedindo a fixação de caudais e que o Tejo “continue a chegar a Portugal e a ‘morrer’ em Lisboa”.A iniciativa realizada domingo em Vila Nova da Barquinha teve por principal objectivo denunciar os impactos do Plano Nacional de Barragens e a “ameaça” que representa para a Reserva Agrícola Nacional (RAN) o decreto-lei 73/2009. Para Joanaz de Melo, do GEOTA, Portugal está a assistir a um “desmantelamento das políticas ambientais sem paralelo nos últimos 20 anos”.Tal como Domingos Patacho, dirigente regional da Quercus, Joanaz de Melo apontou o carácter “altamente destruidor” das barragens projectadas, tanto do ponto de vista ecológico como do social, nem sequer compensado em termos de produção energética, cujos valores classificou de “patéticos”.Domingos Patacho deixou um apelo à subscrição do abaixo-assinado que vai ser entregue na Assembleia da República a exigir a alteração do decreto-lei que veio introduzir alterações à RAN, permitindo, nomeadamente, o deferimento tácito ao fim de 25 dias e não deixando claro o que é o “relevante interesse geral”.A campanha publicitária da EDP sobre os impactes ambientais e sociais das barragens foi alvo de várias críticas, com responsáveis de associações ambientalistas a afirmarem que se trata de “pura publicidade enganosa” ou de “lavagem verde (green wash)”. Segundo alegaram, a destruição de habitats essenciais a espécies em perigo é uma realidade e a ausência de benefícios para as populações é atestada pelas declarações de autarcas, como o de Miranda do Douro, segundo as quais o que recebem não chega sequer para pagar o custo da electricidade que suportam.D. Duarte Nuno apelou às associações ambientalistas para identificarem nas listas ao Parlamento Europeu a existência de candidatos empenhados em defender estas causas ou mesmo a constituírem “listas ecológicas”, que permitam ao país ter voz activa em matérias essenciais. A cerimónia começou com uma homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles, o “arquitecto” da legislação que criou as zonas protegidas de RAN e REN (reserva ecológica nacional)
Grande parte da água do Tejo é desviada para o sul de Espanha

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