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Presidente da Câmara diz que o concelho de Coruche vai afirmar-se como Capital Mundial da Cortiça

Presidente da Câmara diz que o concelho de Coruche vai afirmar-se como Capital Mundial da Cortiça

Dionísio Mendes entusiasmado com a certificação de qualidade e o observatório

Coruche recebe, por direito próprio, a Feira Internacional da Cortiça entre 29 e 31 de Maio. O presidente da câmara, Dionísio Mendes, está entusiasmado e fala no seu concelho como Capital Mundial daquele produto. O autarca acredita que o sector vai vencer a crise e sair reforçado desta dura prova.

Edição de 27.05.2009 | Especial Ficor
O que é que vai mudar depois da Feira Internacional da Cortiça em Coruche?É uma feira que vai ter repercussão na fileira da cortiça a nível nacional e internacional e será o reafirmar de Coruche como Capital Mundial da Cortiça porque somos os maiores produtores e também pela indústria onde produzimos cinco milhões de rolhas por dia. No futuro Coruche será um centro de investigação centralizado no observatório do sobreiro e da cortiça.O senhor vai presidir à Assembleia Geral da RETECORK que reúne os produtores europeus de cortiça…É um acontecimento importante onde iremos abordar varais preocupações do sector com alguns dos maiores produtores. Vamos ter também um debate moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira (moderadora do Prós e Contras da RTP) com alguns dos maiores especialistas do mundo onde iremos abordar o potencial da cortiça e ligá-lo ao vinho, outro produto com forte peso na região, e que queremos projectar a nível internacional.Esta feira com várias iniciativas mediáticas vai colocar o município de Coruche no mapa da actualidade?Esse é um dos nossos objectivos. Num ano de crise queremos, em contra-ciclo, incentivar a recuperação do sector da cortiça e promover outros aspectos do nosso concelho. O Governo anunciou há dois meses um apoio de 180 milhões de euros para a indústria da cortiça e por arrastamento isto vai estimular a produção e haverá mais procura. Esperamos que o senhor ministro da Agricultura anuncie em Coruche as medidas de apoio aos produtores. Não podemos esquecer que a cortiça tem um potencial de crescimento enorme.Há ideias novas para a aplicação da cortiça. O edifício do observatório de Coruche dá o exemplo?Temos boas ideias para a aplicação da cortiça nos revestimentos dos prédios, mas também na moda (vestuário, calçado e acessórios) na arte e até nos automóveis. A Mercedes anuncia um modelo topo de gama em que parte dos interiores são em cortiça e que vai ser um êxito, substituindo as madeiras exóticas.Quando as rolhas de cortiça são substituídas por materiais mais baratos, há que encontrar alternativas para escoar a cortiça produzida?O problema dos vedantes alternativos está a ser avaliado e é uma preocupação do sector, mas temos que dar melhor destino aos sobrantes da indústria da rolha e à cortiça de menor qualidade que vai para aglomerado, mas pode ter outra utilização nos revestimentos, pavimentos e até ser utilizada como material plástico como se pode ver no auditório do observatório onde há um fresco sobre as paredes de cortiça.É um bom ensaio da cortiça como material de suporte para aplicação de tintas em obras de arte.O observatório é uma obra de referência neste sector?Foi feliz a escolha da cortiça para aplicar em vários locais do edifício provocando alguma admiração mas que facilmente se esbate. Tem situações inéditas, é um projecto muito bem conseguido com a imaginação do arquitecto e pode virar moda.Quanto custa esta obra?Tem um custo final de 1,5 milhões de euros e foi financiado a 75 por cento pelo Programa Valtejo. É um investimento reprodutivo para a região e para o país porque vai centralizar a investigação num sector determinante e vai ser um pólo de atracção de investigadores universitários de vários pontos do mundo. Temos contactos com várias faculdades e institutos e vamos criar condições para que os investigadores pernoitem em Coruche na residência estudantil que será alargada. Essa permanência é importante porque são pessoas que vão passar algum temo em Coruche e darão mais vida à vila.Para além da investigação haverá também formação profissional no observatório?Já estabelecemos um acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional para que o observatório receba acções de formação nas mais variadas áreas do sector. Já existe um centro no Norte, mas no Sul não há nada. Queremos que os operários da indústria corticeira, e os tiradores de cortiça possam fazer aqui a sua formação. Até aqui havia apenas uma aprendizagem empírica, prática, mas queremos evoluir para desta forma melhorar a rendibilidade do sector. Queremos que as boas práticas no montado aconteçam ao longo de todo o ano. Quem trabalha no sector tem de conhecer a árvore e o ecossistema.Os produtores e industriais estão sensibilizados para a importância da formação?Sem dúvida. Eles perceberam que se estiverem preparados, melhor será a capacidade de reacção em momentos adversos e melhor será a produção. Uma cortiça de melhor qualidade dará melhor produto para a indústria e valerá mais no mercado. Todos temos a ganhar com a certificação da qualidade no montado e na cortiça.“Comboios de passageiros vão ligar Coruche a Lisboa Oriente em 55 minutos”A ideia que avançou da possibilidade de haver uma ligação ferroviária de Coruche a Lisboa como está?Há novidades agradáveis. Temos informação que a proposta que apresentámos há quatro anos foi bem acolhida e brevemente vai ser possível avançar com uma linha de transporte de passageiros entre Coruche e Lisboa, directamente para a Gare do Oriente numa viagem de 55 minutos com todo o conforto e comodidade. Há centenas de pessoas que todos os dias se deslocam de carro ou autocarro a partir do nosso concelho para Lisboa e vice-versa. Este transporte vai ser muito útil também para os concelhos de Salvaterra de Magos e Cartaxo. O sonho pode ser concretizado e será mais um factor de competitividade para Coruche com mais qualidade de vida para as pessoas.E a central de camionagem quando é que fica pronta?A obra recomeçou. O projecto foi todo revisto e estará pronta no Verão de 2010.Um dos problemas de Coruche são as acessibilidades. Tem feito sensibilização junto do Governo. Para quando o avanço do IC10 (Coruche-Almeirim) e IC 13 (Campo de Tiro de Alcochete- Coruche)?Temos a informação de que o IC 13 avançará primeiro que o IC10. Será uma auto-estrada até à zona do Infantado, servindo o novo aeroporto, com uma ligação à A13 e a partir do Infantado para Coruche será um itinerário complementar sem portagem. Quanto ao IC 10 está prevista uma travessia do vale comum com o IC13 que será uma alternativa às pontes.As pontes continuam em obras e prevê-se um Verão complicado?Vamos ter grandes congestionamentos, apesar da alternativa da ponte militar. Vai ser caótico, mas espero que a conclusão seja rápida e que as pontes possam estar a funcionar em Agosto antes das festas de Coruche.São pontes muito arrojadas com cores vivas?As pontes são um ex-libris da vila e penso que a escolha destas cores diferentes em cada uma das sete pontes são uma ideia original que será bem recebida. No futuro espero que sejam usadas apenas para trânsito local. Coruche tem todas as condições para ser cidade. Vai apoiar a sua criação?A curto prazo vejo como interessante que Coruche possa ter o título de cidade que pode dar alguma visibilidade acrescida. É uma ambição nossa, mas é preciso criar infra-estruturas que justifiquem o desígnio e nós vamos criá-las. Como coruchense e bairrista que sou, espero que Coruche seja elevada a cidade nos próximos quatro anos.Tem sido acusado de gastar muito dinheiro em campanhas de marketing. É um investimento com retorno?Nós julgamos que estamos no bom caminho. Queremos atrair investimentos e mais habitantes para Coruche, queremos ser uma alternativa à vida em Lisboa e para isso temos de mostrar o que temos e todas as nossas potencialidades. É isso que fazemos com o Coruche Inspira onde juntámos um conjunto de iniciativas que estavam dispersas e projectámo-las junto da opinião pública. É semear para colher.
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