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Falta de saneamento básico é “um verdadeiro atropelo à saúde pública”

Falta de saneamento básico é “um verdadeiro atropelo à saúde pública”

CDU de Torres Novas denuncia que no concelho há 14 mil munícipes sem essa infraestrutura

Município gerido pelo PS acusado de não investir no meio rural e de preferir realizar obras de encher o olho na cidade.

Edição de 27.05.2009 | Política
A falta de saneamento básico em algumas freguesias é uma das principais preocupações da CDU de Torres Novas evidenciadas na tarde de sexta-feira, 22 de Maio, durante a apresentação das conclusões das jornadas autárquicas, iniciativa que decorreu num restaurante típico na localidade de Lapas. “Estamos a falar de cerca de 14 mil pessoas (num universo de 37 mil habitantes) que ainda não têm saneamento básico. Um verdadeiro atropelo à saúde pública”, considerou Carlos Tomé, actual vereador da CDU no município torrejano. De acordo com o mesmo, também as fossas sépticas espalhadas um pouco por todo o concelho encontram-se “em péssimas condições, sem vedações, nem qualquer tratamento do espaço circundante”, permitindo o escoamento sistemático dos esgotos para o exterior “com evidentes consequências negativas para a população que vive nas suas imediações”. As jornadas autárquicas da CDU de Torres Novas decorreram durante cerca de dois meses, entre 14 de Março a 18 de Maio. Tal como fizeram há seis, quatro e dois anos, os militantes da concelhia comunista voltaram a visitar as 17 freguesias do concelho, num total de 40 localidades tendo sido avaliados no local os principais problemas de cada freguesia, através do contacto com instituições e colectividades, autarcas e população em geral, fazendo um diagnóstico sombrio da situação. “A câmara manteve-se insensível à evidente necessidade de resolução dos problemas que têm efeito directo na qualidade de vida das pessoas”, considera Carlos Tomé, para quem “as apostas municipais têm sido direccionadas primordialmente para o investimento na cidade e em obras de encher o olho relegando para lugar secundário as freguesias rurais”.No balanço apresentado, a Comissão Coordenadora da CDU sintetiza cinco áreas vitais actualmente em défice no concelho de Torres Novas. Para além de considerarem que existe um “défice ambiental”, verificado na falta de saneamento básico e na poluição encontrada em diversos troços da rede de águas, apontam ainda a existência de “um défice de cariz sócio-económico”, traduzido no abandono da agricultura e, em contrapartida, na existência de “um excessivo peso económico do sector terciário no concelho com especial destaque para as grandes superfícies comerciais”. Enumeram ainda a existência de um “défice ao nível cultural e desportivo”, verificado no “abandono do investimento da câmara municipal na cultura nas freguesias rurais”, agravado com atrasos no pagamento dos subsídios às colectividades e falta de apoio na realização de actividades. “Há necessidade de inventariação dos equipamentos e intervenção do município no aproveitamento dos mesmos e de descentralização das actividades do Teatro Virgínia”, ressalvam.A CDU de Torres Novas detectou a existência de um “défice patrimonial” uma vez que considera que a maioria dos edifícios escolares estão vagos, desaproveitados e sem projectos de futuro. “Há cemitérios mal cuidados, jardins abandonados, parques infantis desprezados, património diverso em degradação e o centro histórico de Torres Novas está abandonado e em degradação cada vez mais acelerada”, apontam.Poluição no Rio Almonda continua sem soluçãoNas visitas que fez às diferentes freguesias, a CDU constatou que se mantêm os problemas de poluição dos vários troços de água (ribeiros e valas) um pouco por todo o concelho, sendo o caso mais evidente o do rio Almonda. Segundo a CDU, embora estejam identificadas as diferentes fontes poluidoras no concelho “não são tomadas as medidas que se impõem para cortar o mal pela raiz”. Para os comunistas de Torres Novas é notória a poluição de diversos troços de água, como a Vala das Cordas, Ribeira das Mouriscas e Ribeira da Boa Água, resultante da falta da rede completa de saneamento básico em algumas freguesias, do funcionamento deficiente ou inadequado das ETAR de Riachos e de Torres Novas e ainda de descargas industriais. “A câmara municipal nunca assumiu a urgência da sua resolução mantendo uma posição de total passividade e omissão cúmplice na situação”, apontam.
Falta de saneamento básico é “um verdadeiro atropelo à saúde pública”

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