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Misericórdia de Pernes celebra aniversário com inauguração polémica

Edifício Social e de Saúde alberga nova Unidade de Saúde Familiar após processo conturbado

Presidente da junta de freguesia não foi convidado por ser considerado “a pessoa que mais problemas criou” ao projecto.

Edição de 27.05.2009 | Sociedade
As comemorações do 422º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Pernes ficaram marcadas pela inauguração do Edifício Social e de Saúde, que resultou da remodelação de um antigo jardim-de-infância situado na zona alta da vila. No imóvel encontra-se já a funcionar há cerca de dois meses a Unidade de Saúde Familiar (USF) do Alviela, cujo raio de acção abrange também as freguesias vizinhas. O processo foi moroso e envolveu alguma polémica entre a Misericórdia e a Junta de Freguesia de Pernes. Nas cerimónias de sábado não esteve presente o presidente da Junta de Pernes, José Viegas, que não foi convidado. Os autarcas da freguesia foram representados pelo presidente da assembleia de freguesia. “O presidente da junta de freguesia foi a pessoa que mais problemas criou. Esteve o senhor presidente da assembleia de freguesia que esteve sempre connosco”, justificou a provedora aos jornalistas, no final da sessão.No seu discurso, a provedora da Misericórdia de Pernes não esqueceu essas quezílias. “Não foi uma caminhada fácil. Muitos obstáculos foram colocados no caminho, desde invasão de terrenos da Santa Casa ao corte de acessos. Enquanto alguns criticavam e pensavam em soluções desastrosas, nós fizemos as obras”, declarou Maria dos Anjos Patusco perante cerca de uma centena de convidados que enfrentaram a chuva que se fez sentir.Uma indirecta ao presidente da junta José Viegas e aqueles que defenderam a instalação provisória da USF em contentores até que estejam construídas as novas instalações, no Largo do Rossio. Recorde-se que a unidade de saúde funcionava noutras instalações da Misericórdia que não reuniam as condições ideais e que a instituição reclamou para poder alargar a sua resposta no lar de grandes dependentes. O contrato de arrendamento terminou em Fevereiro passado. A Administração Regional de Saúde (ARS) acabou por aceitar a solução em vigor, em detrimento da instalação de médicos e outros profissionais de saúde em contentores. O actual cenário deve durar cerca de três anos, prazo previsto para estar concretizada a nova unidade de saúde. Até lá, a ARS vai pagar à Misericórdia 1.100 euros de renda mensal. Nas anteriores instalações pagava cerca de 900 euros. “Ainda bem que houve gestores na ARS que voltaram atrás com o projecto dos contentores, que custariam 300 mil euros em três anos”, reforçou Maria dos Anjos Patusco.Quanto ao futuro das novas instalações após a saída da USF, a provedora ainda não tem soluções concretas. “A disponibilização de instalações para a Unidade de Saúde Familiar foi o objectivo principal desta obra. Estamos a contribuir para o bem-estar das populações. Há uma proposta da ARS para que possa vir a ser uma unidade de cuidados continuados”, diz a provedora que vê essa possibilidade com bons olhos.Património imobiliário paga investimentoO investimento, de que ainda não há contas finais, foi suportado apenas com capitais próprios da Misericórdia através dos rendimentos da Fundação José Gonçalves Pereira. “Não fizemos candidaturas porque são muito complicadas e custam muito dinheiro”, explicou Maria dos Anjos Patusco. A Fundação é proprietária de um vasto património imobiliário em Lisboa, tendo mais de 230 inquilinos.A Misericórdia de Pernes aproveitou o momento festivo para agraciar alguns dos seus 750 associados e distribuir um prémio de 500 euros aos jovens da vila que entraram este ano lectivo no ensino superior. Uma prática que já é habitual. A instituição tem também uma residência para estudantes universitários em Lisboa, com 42 ocupantes, onde dá prioridade aos jovens da freguesia. A renda, diz a provedora, é simbólica.Presidente da junta não comentaO presidente da Junta de Freguesia de Pernes recusou-se a comentar a ausência de convite para o aniversário da Santa Casa da Misericórdia local. “As atitudes ficam com que as pratica. O nosso espírito é de união e não de divisão e de colocar pessoas contra pessoas, por isso não vou alimentar polémicas”, disse ao nosso jornal José Viegas.

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