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Batelões apodrecem nas margens do Tejo há mais de uma década

Batelões apodrecem nas margens do Tejo há mais de uma década

Autarquias da Azambuja e Cartaxo conhecem o problema mas não podem actuar

Três navios de grandes dimensões estão há quase uma década abandonados nas margens do Tejo, entre Azambuja e Valada do Ribatejo, concelho do Cartaxo. Ambas as autarquias têm conhecimento do problema mas só a recém-criada Região Hidrográfica do Tejo pode actuar.

Edição de 28.05.2009 | Sociedade
São três os navios de largas dimensões que se encontram abandonados há quase uma década nas margens do Tejo, entre Azambuja e Valada do Ribatejo, concelho do Cartaxo. As embarcações, que outrora transportavam grandes quantidades de cimento e areia, são hoje esqueletos enferrujados que mancham a paisagem natural da região. Dois deles são perfeitamente visíveis na Rota dos Mouchões, uma das principais atracções turísticas do concelho da Azambuja. Para além da própria embarcação, os batelões tem ainda no seu interior várias gruas e outros equipamentos que outrora serviram para a extracção de areias. Se dentro dos contentores estão outras matérias, perigosas ou não, é algo que ninguém parece saber dizer. Dois dos navios estão encalhados e fortemente assoreados, enquanto o terceiro tem uma secção do casco completamente destruído e parece estar preparado para ir ao fundo a qualquer momento. Em Valada do Ribatejo o navio, por estar “encalhado” numa pequena praia fluvial, dá mostras de já ter sido vandalizado. As câmaras municipais da Azambuja e Cartaxo dizem já ter conhecimento do problema há vários anos, mas lamentam não ter liberdade para actuar. A maioria dos navios é propriedade privada e só com uma autorização judicial as embarcações poderão ser desmanteladas. “Sei que existem navios abandonados naquela zona mas são propriedade privada. Por esse motivo não poderemos actuar com a celeridade que desejaríamos”, explica Luís de Sousa, vice-presidente da Câmara Municipal da Azambuja, lamentando que o governo central não actue com maior celeridade. A câmara do Cartaxo, através do seu gabinete de imprensa, informou que apenas a recém-criada Região Hidrográfica do Tejo tem competências para actuar nesta situação. A ARH Tejo passou a assumir as competências anteriormente atribuídas à CCDR-LVT no domínio hídrico e tem como missão proteger e valorizar as componentes ambientais das águas, bem como proceder à gestão sustentável dos recursos hídricos.Manuel Lacerda, actual presidente da administração da ARH Tejo, disse a O MIRANTE que “só à pouco tempo tomámos posse mas já fomos informados do problema, o qual vai merecer a nossa melhor atenção”. Manuel Lacerda recorda ainda que, no rio Tejo, está em causa um património que é de todos, e que por esse motivo “estamos a preparar todas as medidas para resolver o problema o mais depressa possível”. Enquanto isso há quem tema que os navios abandonados ao largo da Azambuja e Valada se transformem numa cópia do actual “cemitério do poço do bispo”, na zona ribeirinha de Lisboa, onde diversas embarcações estão defuntas há várias dezenas de anos sem que os tribunais, porto de Lisboa e entidades governamentais se entendam sobre o destino a dar aos barcos que já não vão a lado nenhum.
Batelões apodrecem nas margens do Tejo há mais de uma década

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