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Escola Básica de Azambuja afasta aluno hiperactivo das aulas

Criança de oito anos só pode estar uma hora na sala com os colegas de turma

Quando começou o ano lectivo, a criança de oito anos, frequentava normalmente as aulas. Passados dois meses, escola, professores e encarregados de educação, decidiram que apenas estaria em contacto com os colegas de turma uma hora por dia.

Edição de 28.05.2009 | Sociedade
Tem oito anos, um olhar meigo e avança para as pessoas com a curiosidade de quem tem vontade de descobrir o mundo a cada instante. Frequenta o primeiro ano na Escola Básica nº1 de Azambuja (Quinta dos Gatos), mas passa apenas uma hora por dia junto dos colegas de turma. A decisão foi tomada em Novembro do ano passado, depois de várias reuniões entre encarregados de educação, a professora titular da turma, a docente de educação especial e um representante do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Azambuja.O jovem é hiperactivo, sofre de défice cognitivo moderado a grave e só após a última das cinco operações a que foi sujeito à cabeça, em França, é que começou a andar e a falar, ainda que com bastantes limitações.Quando começou o ano lectivo, em Setembro, passava a manhã inteira – das 8h00 até às 13h00 - na sala de aulas com todos os colegas. Alguns acompanham-no desde a pré-escola. Pelo meio, entre as 09h00 e as 10h30 recebia, dentro da sala de aulas, a visita da docente de educação especial.Após a reunião de Novembro, as partes envolvidas decidiram alterar a sua rotina diária. “Das 09h00 até às 10h30 está sozinho com a professora de apoio especial fora da sala de aulas, num espaço pequeno Entre as 12h00 e as 13h00 é o período definido para estar com a professora e a turma dele. O resto do tempo passa-o com a auxiliar também fora da sala de aulas”, conta a mãe, desiludida com a situação.Marta Valada afirma que mesmo a hora em que o filho tem “direito” a partilhar a sala de aulas com os colegas de turma, não é cumprida. “A professora disse que não tem paciência, sente-se frustrada, cansada e que não consegue tomar conta da criança dentro da sala. O meu filho está lá meia hora, não se porta bem, pois é uma criança hiperactiva, e a professora manda-o para o recreio com a auxiliar”, garante.Marta Valada não quer que o seu filho vá para a CERCI (Centro de Acolhimento de Crianças Deficientes e Inadaptadas) e espera que no próximo ano lectivo não continue a acontecer o mesmo. Defende que, perante a lei, “ele tem o direito de frequentar um estabelecimento de ensino, nas mesmas condições que as restantes crianças, não sendo discriminado por ser um miúdo especial”.Para a presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Azambuja o André “é um aluno com muitos problemas” e a turma não é só ele. “São 20 alunos. Temos de olhar ao interesse de todos os envolvidos. Eu não estive nessa reunião. Tenho de confiar que as diferentes partes interessadas, encontraram a melhor forma de olhar por todos os alunos da turma”, assegura Eugénia Vaz.Quando questionada sobre se estava a aplicar a lei e a seguir as instruções do governo, no sentido de criar uma escola inclusiva, a responsável responde. “A lei está tantas vezes errada. Temos de olhar para a especificidade das situações. Se formos a aplicar a lei, sem olhar a quem, também não fica bem”, afirma Eugénia Vaz.Para a presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Azambuja (APAEA) “as coisas estão a ser tratadas em sede própria. “A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Azambuja e o próprio conselho executivo, já reuniram e estão a analisar a situação para ver se conseguem colocar a criança na CERCI.”, revela Eva Pires.A dirigente tem uma opinião clara. “Esta é uma das crianças que não tem condições de estar num espaço escola normal. Tem limitações psicológicas e motores que não lhe permitem estar cinco horas com atenção àquilo que a professora está a dizer”, garante a responsável da APAEA.Estava agendada para ontem, quarta-feira, 27 de Maio, uma reunião entre o conselho executivo, as professoras, os encarregados de educação e a mãe, para analisar o caso. Até ao fecho de edição não nos foi possível obter as conclusões Esperamos, na próxima semana revelar as decisões tomadas pelos responsáveis.

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