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Três centenas de pessoas passaram pela vigília pela saúde em Alpiarça

Metade da população do concelho não tem médico de família
Edição de 28.05.2009 | Sociedade
Três centenas de pessoas concentraram-se no final da tarde de sexta-feira em frente ao Centro de Saúde de Alpiarça para exigir a colocação de médicos de família. A vigília foi convocada pela Comissão de Utentes da Saúde de Alpiarça para contestar a falta de médicos de família naquele estabelecimento de saúde.“Num quadro de sete médicos de família apenas dois lugares estão preenchidos, por isso mais de metade da população do concelho de Alpiarça está sem médico de família. O que para numa população idosa como a nossa é cruel”, afirmou Paula Matias, da Comissão de Utentes.Na realidade a maioria das pessoas que durante as três horas se juntou nas imediações do centro de saúde era composta por idosos. Rafael Rodrigues conversava com um amigo e contava o caso que se passou com ele. “A minha esposa estava doente e resolvi vir para aqui para a porta do centro de saúde às quatro horas da manhã, para ver se conseguia uma consulta, só que quando cá cheguei já cá estavam quatro pessoas. O Manuel Joaquim tinha vindo às duas horas da madrugada. Fiquei na mesma, estive cá até às 10 da manhã, mas não consegui consulta”, dizia desanimado.Pedro Marques também esperou horas por uma consulta para a esposa, não o conseguiu e foi com ela ao Hospital de Santarém. “Atenderam-na, medicaram-na e passaram-lhe uma carta para entregar ao médico de família. Médico de família que não tem. Quatro dias depois consegui uma consulta de recurso para entregar a carta e também para ouvir o médico contestar a nossa ida ao hospital, porque na sua opinião não era um caso de urgência e a minha mulher podia ter esperado por uma consulta. Isto está cada vez pior, parece que querem é que os velhos desapareçam o mais rápido possível”, dizia revoltado.Entretanto, Paula Matias garantia que a comissão não vai desistir de lutar enquanto não vir o caso ser visto com olhos de ver pelos responsáveis de saúde do distrito de Santarém e mesmo pelo Governo. “Podemos dizer que nos parece que estão a ser dados alguns passos para atenuar a situação. Já tivemos uma reunião com a actual director do Agrupamento de Centros de Saúde de Almeirim, onde o de Alpiarça pertence, e a doutora Luísa Portugal garantiu-nos que estava a desenvolver esforços para tentar resolver em parte a situação”, disse.A dirigente referiu-se ainda ao apoio de vários partidos e instituições. “O envio dos abaixo-assinados para os vários partidos e instituições foram aceites e tivemos resposta. Também as instituições de Alpiarça se mostram solidárias. Esperávamos um pouco mais de força da nossa presidente de câmara. Diz que está solidária, mas não se mostra muito em reuniões com a população. E nós pensamos que a sua pressão junto das entidades de saúde pode ajudar a desbloquear a situação”, referiu.Paula Matias, fez ainda questão de salvaguardar o bom trabalho desenvolvido pelo pessoal, médico, enfermagem e administrativo do Centro de Saúde de Alpiarça. “Fazem muito mais do que tinham que fazer para resolver muitas situações. Penso mesmo que não têm possibilidades de fazer mais”, garantiu, acrescentando a sua esperança em que a directora do agrupamento consiga a curto prazo “pelo menos minimizar as dificuldades”. A esperança é a última coisa a morrer. Que o diga José Moreira: “Estou velho e coxo, mal me posso mover, mas a comissão pode contar sempre comigo nem que tenha que vir ao colo de alguém. Lutar por cuidados de saúde é deveras importante e é um direito que ninguém nos pode tirar”. A vigília surgiu na sequência do abaixo-assinado enviado ao Ministério da Saúde, com conhecimento aos grupos parlamentares e à directora do Agrupamento de Centros de Saúde de Almeirim, e para o qual a resposta não trouxe grandes esperanças, sublinhou.

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