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Oposição critica contratação de artistas e aquisição de bilhetes para touradas

Oposição critica contratação de artistas e aquisição de bilhetes para touradas

Candidatos do PS e da CDU contra política cultural de Moita Flores na Câmara de Santarém

Presidente da câmara nega acusações de despesismo, diz que vai continuar a apoiar as festas populares e que o futuro de Santarém faz-se com festa e luta.

Edição de 23.09.2009 | Política
A Câmara Municipal de Santarém gastou 104.763 euros em bilhetes para oferecer para as três corridas de toiros que se realizaram em Junho na Monumental Celestino Graça. A aquisição foi feita à empresa que explora o recinto, a Aplaudir, e os ingressos distribuídos à população através da câmara e das juntas de freguesia. Essa política do município contribuiu em muito para a excelente moldura humana que se registou nos três espectáculos, com realce para a enchente de dia 10 de Junho. Mas o método não agrada à oposição.A aposta do presidente da câmara, Francisco Moita Flores (PSD), em dar vida nova à velha praça de toiros tem sido feita também com a ajuda dos contribuintes, o que motiva críticas do candidato da CDU à presidência da câmara. “Assim é fácil encher praças de toiros. Os 65 mil habitantes do concelho não têm que pagar touradas a 4 ou 5 mil”, diz José Marcelino, referindo que desconhece os critérios para a atribuição dos bilhetes.Moita Flores reage dizendo que essa aposta vai manter-se “enquanto não estiver consolidada esta tradição profunda entre Santarém e o mundo dos toiros”. O autarca diz que o procedimento da câmara tem sido sempre igual. São comprados dois mil bilhetes, a preços entre os cinco e os 10 euros, sendo dados mil para serem distribuídos pelas juntas de freguesia. Os restantes são para o município oferecer. Mas os contratos por ajuste directo celebrados entre a autarquia e a empresa revelam números superiores: nas corridas de 6, 10 e 14 de Junho a câmara comprou bilhetes no valor de 33.334 euros, 42.857 euros e 28.572 euros, respectivamente.“Câmara não é uma agência de espectáculos”A autarquia tem também apoiado as comissões de festas populares neste Verão pagando a contratação de artistas de nomeada. Alguns exemplos: Marco Paulo esteve na Ribeira de Santarém por 19 mil euros; Herman José recebeu 15 mil euros para actuar em Vaqueiros; Quim Barreiros actuou em Pernes e São Vicente do Paúl por 12 mil euros cada concerto; Susana Félix encaixou 15 mil euros para cantar em Abrã; a dupla Miguel e André actuou na Moçarria por 9 mil euros. António Carmo, candidato do PS à presidência da câmara, é contra essa forma de actuar e preferia que se apostasse mais na prata da casa e se cumprisse o pagamento a tempo e horas dos apoios protocolados entre o município e as associações. Pelas suas contas, a câmara gastou no primeiro semestre de 2009 cerca de um milhão de euros em espectáculos. “Esta não é seguramente a política cultural que pretendemos para o concelho. A Câmara de Santarém não pode ser uma mera agência de espectáculos”, refere.Afirmando que também gosta de festas, António Carmo diz que os números evidenciados “são um exagero” e que o município “não se pode dar ao luxo de gastar milhões” em artistas nacionais e internacionais. “Temos de importar menos e produzir mais. Apostar nas nossas associações culturais que não têm tido visibilidade, diz o candidato socialista acrescentando que “ninguém inventou agora a cultura em Santarém”.Moita Flores afirma compreender a rejeição da sua política cultural por parte de António Carmo. “Ele é o herdeiro da cidade velha, fechada, amorfa e egocêntrica. Foi contra essa cidade e essas pessoas que nós ganhámos as eleições”, diz, defendendo a aposta numa “política cultural forte e não centralizada em capelinhas”. “Ele que pergunte aos presidentes de junta do PS se são contra essa política”, reforça. José Marcelino, que já foi vereador pela CDU, diz que a contratação de artistas para festas populares das freguesias não era prática habitual no município até à chegada de Moita Flores. E acusa o presidente da câmara de “não ter a menor noção do custo do dinheiro”. “Não sabe planear, não sabe controlar-se e as coisas são feitas em cima do joelho”, acrescenta, ressalvando: “Não tenho nada contra os grandes espectáculos, mas têm que se pagar a si próprios”.Mais uma vez Moita Flores não cede. “Continuaremos a apoiar as festas populares todas. Em Santarém não há filhos nem enteados. O futuro de Santarém faz-se com festa e luta e esses candidatos são homens do luto e do lamento”. O autarca reconhece que há subsídios a associações com atrasos de meses, dizendo que os pagamentos são feitos consoante as possibilidades mas sempre com menos atrasos que em anteriores mandatos.Os números estão na InternetOs números apresentados nesta peça estão patentes na página da Internet “Transparência na Administração Pública”, através do endereço http://transparencia-pt.org/, e referem-se a contratos por ajuste directo entre a Câmara de Santarém e as empresas que lhe prestaram serviços. A autarquia escalabitana foi a que mais recorreu na região a esse tipo de contrato, conforme pode ser constatado através de pesquisa nessa página da Internet.
Oposição critica contratação de artistas e aquisição de bilhetes para touradas

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