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“Pintar é a minha inspiração”

Isabel Bieger mudou-se do Brasil para a Póvoa de Santa Iria por amor

Aprendeu e desenvolveu a arte de pintar do outro lado do Atlântico. Há três anos mudou-se para a Póvoa de Santa Iria. Isabel Bieger é uma artista plástica insatisfeita por natureza que desafia o receptor e ousa fazer diferente.

Edição de 10.12.2009 | Cultura e Lazer
“Sou uma experimentadora curiosa que gosta de fazer sempre diferente seguindo a própria intuição. Insatisfeita por natureza, procuro aprender e buscar a perfeição”. É desta forma que Isabel Bieger se caracteriza como artista plástica.Nasceu no Rio Grande do Sul, no Brasil, há trinta anos mas há três que se mudou para a Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira (ver caixa). Desde criança que gostava de cores e de pintar. Com apenas onze anos frequentou um curso de pintura em tecido passando depois para as telas. Aos quinze já sabia que queria ser artista plástica.Curso atrás de curso, Isabel Bieger estudou artes na universidade, onde desenvolveu as técnicas e aguçou o espírito de criação. “Começamos e nunca mais se consegue parar. Quando fico alguns dias sem pintar cria-se uma agonia dentro de mim que só desaparece quando pinto. É uma coisa intrínseca”, revela.Para Isabel Bieger, pintar é acima de tudo expressar-se. “Quando isso acontece o pintor coloca a alma em cima de uma tela. Transforma em símbolos tudo aquilo que sentimos. É uma coisa profunda e sentida”, afirma a artista plástica. No seu entender a essência do criar é “permitir-se fazer coisas novas e diferentes. Aceitar o desafio e encará-lo como uma missão”.Isabel Bieger pinta a acrílico, aguarela e utiliza colagens com materiais. Mas o que mais gosta é de pintar a óleo. Isso permite-lhe fazer uma mistura de cores mais variadas, criar e inventar a “sua própria cor” diferente de toda a gente.Quando se senta em frente a uma tela em branco a artista já tem um projecto ou um desenho daquilo que quer transpor, com as cores definidas. Mas durante o processo de criação “segue-se muito pela intuição” e garante que o trabalho final é, muitas vezes, diferente daquele que inicialmente estava pensado. “Se achar que aquilo não está bem, mudo. Estou perfeitamente aberta à mudança e às coisas novas”, assegura. Pintar é a minha inspiração. Às vezes quando estou a fazer alguma coisa, vem aquele bichinho que nos diz que temos de mudar e ousar fazer diferente”.Isabel Bieger pinta por fases. Acontece estar a criar, por exemplo, uma mandala e de repente mudar completamente e começar a pintar um pôr-do-sol que lhe ficou na retina. Sente necessidade de mudar para não ficar refém de um só estilo ou de um só tema. “O Mundo e tudo o que nos rodeia está cheio de imagens que podemos captar e transpor para uma tela”, afiança.A artista plástica gosta de pintar natureza morta, como flores ou paisagens mas neste momento é sobre a figura humana que se debruça. Denominada “Sobre o Homem, a Cor!” o tema das telas são inspirados nos trabalhos que a artista aprendeu na Sociedade de Belas Artes de Lisboa no curso de desenho que frequentou. “Ensinavam uma técnica de linhas rectas, tortas e circulares. O objectivo é juntar todas sem haver repetição”, refere.Isabel Bieger procura desafiar os receptores para encontrar uma resposta sempre que olham para um quadro pintado por si. Defende que todos têm uma mensagem. Cada pessoa interpreta-a de acordo com o seu estado emocional.Quando questionada sobre quantas telas já pintou a artista não sabe responder. Os trabalhos são tants que já lhes perdeu a conta. A tela é “uma extensão de si”, mas como não se apega às coisas materiais não lhe custa vender os seus trabalhos. E já foram vários.“Vim para Portugal por amor”Em Setembro fez três anos que Isabel Bieger deixou o Rio Grande do Sul, Brasil, atravessou o Atlântico e aterrou em Portugal para se entregar ao homem que a levaria ao altar. Conheceu o seu marido através de familiares e depois de uma visita deste ao Brasil para umas férias, “rolou a química” e começaram a namorar. Após dois anos e meio de namoro à distância, que segundo a artista plástica é “horrível”, decidiram que alguém teria de ceder. “Sobrou para mim”, diz num tom bem-humorado Isabel Bieger, hoje com 30 anos. Na ocasião dava aulas numa escola e tinha a sua vida estabilizada. Pediu licença sem vencimento e rumou até Portugal. Casou e hoje reside com o seu marido na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira. Sobre a mudança diz que não é melhor nem pior, mas “diferente” e que o ser humano se “adapta” às situações.No dia do casamento o casal ofereceu um quadro pintado pela artista aos sogros dela. Um dos convidados gostou do que viu e foi o primeiro a convidá-la a fazer a sua primeira exposição em solo luso. Aconteceu no Restaurante “Cenoura do Rio” na zona da Expo. Depois dessa seguiram-se muitas mais. A artista vai ter patente ao público, na sede do Centro Popular de Cultura e Desporto, na Póvoa de Santa Iria, uma exposição nos dias 13, 19 e 20 de Dezembro entre as 16h00 e as 23h00.Professora, aluna e artesãIsabel Bieger dá aulas de pintura a sete alunas em sua casa que é também o seu ateliê. Desloca-se a casa de mais duas alunas porque estas não têm possibilidade de ir até casa da artista. “As minhas alunas não me deixam parar. Pintar faz bem a qualquer pessoa e recomenda-se. É preciso ter uma válvula de escape que nos faça abstrair do stress do dia-a-dia”, garante.A professora é também aluna. Fez um curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa durante dois anos mas interrompeu este ano para fazer mestrado na Faculdade de Belas Artes. Diz estar constantemente num processo de aprendizagem que se prolongará durante toda a vida.Isabel Bieger é uma mulher ligada à arte e não só à pintura. Também costura e lançou a marca “By Bieger” onde desenvolve malas coloridas e exclusivas em artesanato.

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