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“Há clubes predadores que prejudicam a modalidade!”

“Há clubes predadores que prejudicam a modalidade!”

União do Forte desiste do basquetebol feminino sénior
Edição de 06.01.2010 | Desporto
Dificuldades com a captação de atletas e treinadores, bem como falta de espaços para treinar levaram a direcção da União Desportiva e Cultural do Forte a desistir do basquetebol sénior feminino. A direcção ponderou a decisão e mesmo depois de ter a equipa inscrita no campeonato da 2ª Divisão – Zona Sul, o clube viu-se obrigado a abandonar a competição.“Não teve a ver com questões financeiras nem estratégicas. Apenas não conseguimos reunir atletas suficientes para continuar em competição”, explica o vice-presidente Fernando Gomes. “Há dois ou três anos, começou um fenómeno no basquetebol feminino que prejudica bastante a modalidade. Existem dois ou três clubes que claramente apostam em andar a “sacar” jogadoras dos outros clubes para fazer equipas mais fortes. A pouco e pouco o que me parece que vai acontecer é haver duas ou três equipas muito fortes no campeonato de Lisboa e depois muitos clubes com dificuldade em competir. Eu preferia não referir nomes mas há três ou quatro clubes que são predadores em relação a todos os outros”, acusa.Fernando Gomes considera que este fenómeno prejudica a competitividade, desnivelando as equipas, o que desmotiva as atletas e leva ao abandono dos clubes mais pequenos. “O que sucede é que o campeonato começa a ficar cheio de equipas que tem um nível demasiadamente fraco, no qual nós nos incluímos nesta altura, porque não conseguimos ficar com as atletas mais fortes. Isso reflecte-se nos resultados e acaba por desmotivar as jogadoras, que acabam por desistir. Nós em meia dúzia de anos passámos de uma equipa que discutia títulos e que tinha jogadoras que iam à selecção nacional, como a Andreia Sofia Teixeira, para passarmos a jogar para o último lugar”, lembra com tristeza.Neste momento em termos de competição a União Desportiva do Forte mantém os escalões de mini-basket, iniciadas, cadetes e juniores, mas o problema da captação de jovens para a modalidade afecta toda a secção de basquetebol. “Estamos numa zona onde não existe uma tradição de basquetebol demasiado desenvolvida. Nesta altura o que é mais visível e tem mais procura em todo o lado são as escolinhas de futebol ou o futsal. O basquetebol perdeu muito nos últimos tempos. Teve um “boom” há cerca de 20 anos com o aparecimento dos jogos da NBA na televisão, em que toda a gente via, toda a gente procurava imitar, toda a gente queria começar a jogar. Em função disso começaram a aparecer os torneios de rua de 3x3, organizados a nível empresarial que traziam muitos jovens que não jogavam a gostar e a seguir a modalidade depois a nível federado. De há uns anos para cá deixou de haver esses torneios aqui no concelho de Vila Franca de Xira e deixou também de se ver basquetebol na televisão e isso foi prejudicial para a modalidade”, explica.Apesar da desistência das competições esta época, o vice-presidente não fecha a porta a um regresso da equipa sénior no futuro. “Primeiro é necessário criar os alicerces. Havendo equipas mais jovens a trabalhar com qualidade e em quantidade, haverá um número significativo de atletas que podem aspirar a jogar no escalão sénior do clube. Não sei para quando mas a porta não está fechada”, realça Fernando Gomes.
“Há clubes predadores que prejudicam a modalidade!”

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