DEZ SORRISOS PARA 2010 | 06-01-2010 15:17

Amigo do “Leão de Génova” promete mais visitas ao centro do Entroncamento

Amigo do “Leão de Génova” promete mais visitas ao centro do Entroncamento
Recebe-nos em pantufas mas impecavelmente vestido. Casaco de cabedal castanho-escuro, calças de fazenda, pulôver cor de tijolo sobre camisa clara e um cachecol elegante. Tem 85 anos, o ferroviário reformado e ex-repórter desportivo Antero Fernandes. Anda com passos curtos amparado a uma pequena bengala. Apoia-se no braço do jornalista enquanto o conduz até à sala de convívio do Lar da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento onde reside há pouco mais de mês e meio.Acende um discreto sorriso quando posa junto à mini-exposição sobre si próprio e sobre os clubes, dirigentes e jogadores com quem se cruzou ao longo da vida. Estão lá os cartões de colaborador de muitos jornais desportivos. A Bola, o Record, O Jogo… e de alguns que já não se editam como a Baliza, o Off-Side. Num dos painéis de esferovite está pendurada a camisola da selecção nacional de Virgílio Mendes, futebolista nos anos 40 e 50, natural do Entroncamento, falecido este ano.“Ele ofereceu-me a camisola no dia do meu casamento, em 17 de Abril de 1950. Chamavam-lhe o Leão de Génova”. O jogador do Futebol Clube do Porto foi baptizado assim porque num jogo contra a Itália que Portugal perdeu por 4-1, marcou o único golo da selecção e a imprensa italiana foi unânime em elogiá-lo. Para Antero Fernandes 2009 foi marcado pela mudança para o lar. “Foi a pior coisa e a melhor que me aconteceu. A pior porque tive que sair da minha casa e a melhor porque vim para um sítio onde sou tratado com toda a atenção por pessoas fantásticas”, explica. Mais à frente confidencia outro desgosto. “Aqui não podemos beber vinho. E eu que sempre bebi um copinho às refeições toda a minha vida…”Diz que recebe visitas regularmente. E não pára quieto dentro das instalações do lar, que não se cansa de elogiar. “Ontem o meu amigo Estriga encontrou-me ali à porta e levou-me a ver as obras do parque radical. Para cá quem me deu boleia foi a Corina, da Tabacaria Luanda. E também veio cá o Chícharo e a Lurdes do Notícias do Entroncamento. Eu escrevi uma carta a falar do lar mas eles não a levaram porque está para ser passada a computador e para ser vista pela directora. Deve ser para dar parecer”, diz com um sorriso. Depois pede-nos para não nos esquecermos de lhe mandar cópias das fotografias que lhe fizemos. Para 2010 deseja saúde e promete sair mais vezes do lar para visitar o centro da cidade. O café SCAFA, a Tabacaria Luanda, o Centro Comercial Túnel, onde encontra amigos e conhecidos de longa data. “O autocarro pára mesmo aqui à porta”, explica. E ri-se com gosto quando lhe dizemos que seria bom pedir ao presidente da câmara um passe gratuito vitalício para os transportes urbanos. “Ele não pode fazer isso!!”, diz.

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