DEZ SORRISOS PARA 2010 | 06-01-2010 15:58

O casal Maria de Deus e Barata António contra a pobreza e o acordo ortográfico

O casal Maria de Deus e Barata António contra a pobreza e o acordo ortográfico
Foram professores. São professores. Serão sempre professores. Maria de Deus e José Barata António. Dois jovens de 67 e 71 anos, respectivamente. Parece que foi ontem que se formaram em Filologia Clássica. Antes de receberem O MIRANTE estiveram a ajudar um antigo aluno com um currículo. Fazem-no com frequência. “Dentro de dias vamos receber da Alemanha, um livro de outro antigo aluno, para corrigir”.“À segunda-feira tenho a Conferência de S. Vicente de Paulo. À terça-feira dou aulas na Universidade Sénior. Às quartas dou catequese na paróquia de Nossa Senhora de Fátima”, enumera Maria de Deus. O marido, sentado a seu lado, explica o combustível a que funciona o casal. “Um carro, mesmo novo, estraga-se se estiver parado. Temos obrigações cívicas a cumprir”. Depois ironiza quando acrescenta à lista outros apoios que prestam voluntariamente: “São muitos tachos”. No âmbito da Conferência de S. Vicente de Paulo ajudam três famílias, de um total de meia centena que a organização apoia. As ajudas são diversas. Num dos casos o apoio é canalizado para os estudos de um jovem. “Temos ali no carro vários sacos com alimentos para entregar a outra família”, explica José Barata António que diz ser uma espécie de 4º secretário da Conferência. Em termos pessoais, 2009 correu-lhes bem. Mas não são pessoas para se contentarem com isso. “Temos que olhar para o vizinho do lado. Dar a mão a quem precisa. O nosso sistema social está muito burocratizado. Os mais necessitados são escorraçados. A Justiça não funciona”. Prossegue o professor. A esposa também dá o seu testemunho. “O que me afligiu mais foi o aumento do desemprego. Arrepiam-me certas situa-ções. Quando atinge os dois membros de um casal, por exemplo”. Em cima da mesa está um computador portátil. “Pesquisamos, comunicamos com amigos através do Messenger. Dos e-mails. Do skype”, explica Maria de Deus. Confessam que não lhes custou adaptarem-se às novas tecnologias. “Somos muito aventureiros”, diz a sorrir José Barata António. Em 2010 a actividade vai continuar. Apesar de ter um problema de audição que não lhe permite trabalhar com grandes grupos, o professor ainda não pôs de parte a ideia de dar uma aula de gramática associada ao latim na Universidade Sénior, até porque o português está a ser cada vez mais maltratado. O tema leva-os a falar do acordo ortográfico que entrou em vigor. “Estamos a afastar-nos muito das raízes. Do latim e do grego”, diz ele. “Não concordo que seja o pai (o português de Portugal) a submeter-se ao filho (o português do Brasil)”, afirma Maria de Deus.Um desejo da professora para este ano é melhorar as condições de transmissão do Skype no seu computador. “Estou a dar algumas explicações a filhos de ex-alunos meus, que moram em Lisboa e Castelo Branco, mas tenho que o fazer pelo telefone. Se as condições do Skype melhorarem é muito melhor porque posso ver as suas expressões e perceber melhor se estão ou não a compreender o que eu digo”.

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