DEZ SORRISOS PARA 2010 | 06-01-2010 15:17

Que 2010 traga muita saúde e o fim da crise

Que 2010 traga muita saúde e o fim da crise
Foi há já muitos anos que Bertino Coelho Martins viveu uma das passagens de ano mais insólitas e que, por isso, ainda hoje perdura na memória. O ex-responsável pela Biblioteca Municipal de Santarém era então um jovem músico residente em Lapas, Torres Novas. Tocava saxofone e clarinete e nessa noite foi animar um bailarico com um amigo acordeonista à aldeia de Vale Travesso, no vizinho concelho de Ourém. O baile estava animado até que um grupo de mulheres se envolve numa zaragata de tal dimensão que provocou o final antecipado da festa. No aconchego do seu apartamento no bairro de São Domingos, em Santarém, o músico recorda com humor contido a violência dos puxões de cabelos trocados entre as contendoras, que se envolveram na luta por questões de ciúmes. “Nunca tinha visto uma briga entre mulheres”, lembra.Bertino Coelho Martins, 82 anos, recorda que tocou em muitas festas de passagem de ano e não só. A sua companheira de mais de sessenta anos, Ivone Faria da Silva, acompanhou-o em muitos desses bailes como acordeonista e vocalista. “Nunca tive muito jeito para cantar”, diz, enquanto nos mostra algumas recordações fotográficas desses tempos, numa das divisões da casa onde também está estacionado um piano.A agitação dessa noite de passagem de ano em Vale Travesso contrastou com a calma com que entrou em 2010, na pacatez do seu lar na companhia da esposa e do filho. Homem pouco dado às questões místicas e religiosas, diz que nunca teve o hábito de formular desejos ao som das 12 badaladas. Mas, a nosso pedido, confessa que gostava que em 2010 desaparecesse o espectro do desemprego e que a economia recuperasse. “E que as pessoas se dessem bem umas com as outras”, acrescenta o ex-presidente da Junta de Freguesia de Marvila, que extraiu da experiência autárquica a certeza que os homens podem dar-se bem apesar das suas diferenças ideológicas.Para Bertino Coelho Martins, reformado que nunca se aposentou do estudo das raízes etnográficas do Ribatejo, como testemunham os vários livros publicados, 2009 foi um ano negativo, repleto de notícias desagradáveis ligadas ao desemprego, à fome e também à “lamentável falta de honestidade evidenciada por personalidades altamente conotadas à banca e a lugares destacados da sociedade portuguesa”. No capítulo pessoal, lamenta “a continuação da doença da mulher com quem vivo há mais de sessenta anos”, esperando que 2010 traga as suas “melhoras definitivas”.

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