DEZ SORRISOS PARA 2010 | 06-01-2010 15:18

Que a cultura passe a fazer parte da vida das pessoas

Que a cultura passe a fazer parte da vida das pessoas
António Cláudio recebe-nos em casa com um aperto de mão. No começo do ano de 2010 andava entretido a arrumar uns papéis antigos. Peças de teatro que escreveu, apontamentos sobre a história de Almeirim. E a recordar os velhos diálogos do espectáculo Pingue-pongue que tinha no cine-teatro e que era muito visitado pela polícia política (PIDE) do regime salazarista. A caminho dos 83 anos, que há-de fazer em Março, com saúde que pede neste novo ano não só para si, como para todos, o fundador do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, não é homem de se aquietar. Passou o ano na companhia da mulher e da filha. Deitou-se por volta da uma da manhã, depois de um dedo de conversa e de comer as 12 passas, mais por uma questão de tradição do que propriamente por ligar ao significado do gesto. Passagem de ano para António Cláudio, que foi vereador da Cultura na Câmara de Almeirim entre 1976 e 1992, deve ser em família. Um princípio que tenta cumprir depois de ter passado anos a trabalhar na entrada para o dia 1 de Janeiro quando andava na Orquestra Ribatejo. “Era um pouco desmotivante estar ali a animar as pessoas, a vê-las divertirem-se, e nós a trabalharmos longe das nossas famílias”, recorda. Do ano velho de 2009 o que mais gostou foi de o ter completado com alguma saúde e com agilidade. “Com esta idade já não há muitas coisas que me surpreendam”, sublinha. Mas não gosta que se diga que o mundo é dos jovens. “O mundo é de nós todos”, realça. Para 2010 espera “que as pessoas tenham juízo” e que os governantes “trabalhem e pensem nas pessoas, que é para isso que são pagos”. Não é a idade que lhe limita os sonhos. Porque “sonhamos sempre”, diz. Mas agora os sonhos do estudioso da história local e licenciado em História não são tanto a pensar em si próprio mas no bem colectivo. “Gostava que a cultura passasse verdadeiramente a fazer parte da vida dos portugueses, porque é um acto de cidadania e de saber”. Sonha também com um país em que as pessoas tenham mais cuidado na estrada e que não ocorram tantos acidentes com mortos. E quanto à crise? “Está nas mãos de todos nós trabalharmos para a conseguirmos vencer”. “Para mim apenas peço paz e harmonia”, conclui.

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