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O fim do velho moinho da Estrada do Meio

O fim do velho moinho da Estrada do Meio

Presidente da Câmara da Chamusca decidiu vender estrutura em leilão
Edição de 06.01.2010 | Sociedade
O velho moinho da Estrada do Meio, na Chamusca, foi vendido pelo presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Sérgio Carrinho. A estrutura em ferro foi arrematada por 150 euros e a polémica estalou quando o comprador a desmantelou e retirou do local. Alguns chamusquenses, principalmente os que fizeram a sua vida a trabalhar no campo, não se conformam com o fim dado ao que consideravam um ícone no horizonte campesino da Chamusca. Situação que é desvalorizada por Sérgio Carrinho.António Vinagre, 87 anos, garante que sempre se recorda de ver o moinho a trabalhar. “Era ali que o gado que trabalhava no campo ia beber água. E no Verão, em dias de grande calor, era também ali que os trabalhadores acalmavam a sede. A água era boa”, refere ao mesmo tempo que lamenta que o presidente tenha vendido aquilo que considera “uma recordação dos tempos em que se vivia o campo com vontade”.Maria Emília Oliveira também se recorda do moinho a trabalhar. “Quando era jovem e comecei a trabalhar no campo foi como aguadeira. Tinha como missão dar água a beber aos trabalhadores mais velhos e cheguei a vir do mouchão buscar água ao moinho, voltando depois com o cântaro à cabeça. Nos dias de maior calor ia e vinha três vezes. Nunca esperei que aquilo que restava do moinho fosse vendido, sempre pensei que fosse arranjado e ficasse como um monumento de memória dos trabalhadores rurais”.Em 1982 um temporal destruiu as pás do moinho, mas a estrutura manteve-se de pé. E várias vezes um chamusquense, Manuel João Laurentino, esteve em reuniões de câmara a “exigir” a sua reconstrução. Nessa altura também o actual vereador da CDU, Francisco Matias, era defensor da reconstrução da engrenagem. Chegando mesmo a escrever que aquele ícone fazia parte da história da Chamusca e por isso merecia ser preservado. Agora Francisco Matias não se quis pronunciar sobre o assunto, dizendo apenas que a venda foi uma decisão do presidente.Sérgio Carrinho não concorda com a ideia de que o moinho é um “monumento” histórico ou que seja uma imagem inserida na recordação dos trabalhadores rurais. “Era uma estrutura montada nos anos 40, que actualmente não tinha qualquer significado nem qualquer utilidade. Já não há animais a trabalhar no campo e a água não servia para beber. Era uma construção normalíssima sem qualquer motivo histórico”, garantiu.O presidente da câmara referiu ainda que a estrutura em ferro já tinha sido vendida há três anos. “Apareceu uma pessoa interessada em comprar a estrutura, para aproveitar peças para reparar uma estrutura igual que tinha numa sua propriedade. Na altura pensei que não havia qualquer inconveniente em vender, porque dava alguma utilidade a uma coisa que estava apenas a apodrecer”, garantiu.
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