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Padre de Alverca que mandou construir Igreja dos Pastorinhos vai para a América

José Maria Cortes diz que estão por pagar três milhões de euros referentes à obra

O padre José Maria Cortes vai deixar as paróquias de Alverca, Sobralinho e Calhandriz para abraçar um projecto missionário em Washington, nos Estados Unidos da América. O sacerdote deixa na paróquia uma dívida de três milhões de euros, resultante da construção da Igreja dos Pastorinhos, mas garante que a Igreja atravessa uma estabilização financeira. O padre Luís Miguel será o sucessor, a partir de Abril.

Edição de 06.01.2010 | Sociedade
O padre José Maria Cortes, principal impulsionador da Igreja dos Pastorinhos, em Alverca, anunciou aos fiéis que vai abandonar as paróquias de Alverca, Sobralinho e Calhandriz, no dia 1 de Maio, para abraçar uma nova missão como pároco em Washington, nos Estados Unidos da América.O projecto faz parte da actividade missionária da Fraternidade de São Carlos, da qual faz parte, e teve a concordância do Cardeal Patriarca de Lisboa. “O convite partiu do próprio Cardeal de Washington e em Roma decidiram que seria eu a pessoa indicada para este projecto missionário. Já lá estão quatro sacerdotes da nossa Ordem, dedicados ao ensino, mas esta é a primeira vez que nos pedem para tomar conta de uma paróquia”, explica.A partida do prior, que chegou a Alverca em 1997, levanta o problema da dívida contraída para a construção do centro paroquial de Alverca. Ao todo a obra custou cinco milhões de euros e à data da inauguração (1 de Maio de 2005), só vinte por cento do valor estava pago.O padre José Maria Cortes admite que ao longo da obra passou por momentos angustiantes e várias fases dramáticas e que foi necessário recorrer a um empréstimo da banca para concluir o projecto. “Tínhamos de assumir este risco porque havia milhares de pessoas nesta comunidade interessadas na construção desta igreja. Na inauguração estiveram aqui dez mil pessoas. Isso demonstra a importância desta obra não só para Alverca mas para todo o país”, justifica.O sacerdote refuta a acusação de ter dado um passo maior que a perna e explica que este projecto não foi uma coisa pessoal. “É necessário entender que a dimensão desta paróquia é muito grande e que tínhamos de fazer algo que fosse de encontro a essa grandeza. Para além disso este é um legado que fica para as gerações futuras”.Para as gerações futuras fica também a responsabilidade de saldar a dívida, que assegura o pároco, sem especificar, ronda os três mil euros. “A paróquia neste momento encontra-se no bom caminho. Há uma progressiva estabilização financeira e temos um plano de resolução de encargos para os próximos anos. Há ainda muito trabalho a fazer, mas encontrámos a estrada a percorrer. A situação está por isso bem acompanhada”, garante.José Maria Cortes reforça a ideia de que a obra não pertence ao padre, mas sim a toda a comunidade. “Temos uma grande comunidade que nos apoia, não só em Alverca, como em todo o país e até no estrangeiro”, explica.Neste momento existe um plano e está criado um conselho estratégico, no sentido de dar apoio em termos de visão financeira e marketing. Segundo o sacerdote a iniciativa passa por criar um “gabinete de fundraising”, ou seja, “fazer um peditório para angariação de fundos” para criar uma espiral de apoio. “Escrevemos cartas aos paroquianos e doadores no sentido de lhes pedir uma sintonia com esta causa. Isso é feito cerca de uma a duas vezes por ano”, conclui.A despedida do padre está marcada para o dia 1 de Maio de 2010, altura em que se celebra o quinto Aniversário da Dedicação da Igreja dos Pastorinhos. “A despedida vai ser um momento difícil porque se criaram muitos laços de afectividade ao longo de 13 anos. Mas a nível pessoal vai ser uma aventura extraordinária. É outro país, outro contexto. E no fundo, sempre quis ser missionário, por isso é também a realização de um sonho”, diz com orgulho. Com a saída do Padre José Maria Cortes, será o Padre Luís Miguel quem tomará posse, em Abril, como Pároco de Alverca, Sobralinho e Calhandriz.

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