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“Arbitrar é uma paixão”

“Arbitrar é uma paixão”

Ana Ribeiro é a única mulher árbitro de 1ª categoria no futsal da A.F. Lisboa

Ana Ribeiro, 29 anos, enveredou pela arbitragem com apenas 19 e cumpriu em Novembro passado uma década a apitar jogos de futsal. A jovem árbitra é, actualmente, a única mulher árbitro de 1ª categoria Distrital da Associação de Futebol de Lisboa (AFL).

Edição de 13.01.2010 | Desporto
“O meu primeiro jogo foi logo as Calvanas contra o Bobadelense em seniores. Foi no ringue do Bobadelense, cheio de gente. Senti como se me tivessem atirado aos leões. Lembro-me que fiquei muito sossegadinha no meu canto. Era árbitro auxiliar e acho que apitei só duas vezes nesse jogo”, lembra. Sendo mulher e ainda muito jovem, Ana Ribeiro teve alguma dificuldade em ganhar credibilidade e respeito dentro de campo, mas com o passar do tempo foi criando nome na modalidade. “Acho que até fui a primeira mulher na região a apitar futsal. A princípio éramos 6 no curso, mas acabei por ficar só eu, até hoje. Ao princípio era muito complicado porque os homens diziam ‘venho eu para aqui para ser mandado por uma mulher!’. Mas pouco a pouco consegui ganhar credibilidade, fazendo boas arbitragens e hoje em dia as pessoas já me conhecem”, diz sorridente. O gosto pelo futsal começou cedo, aos 10 anos de idade, quando decidiu ser jogadora. Praticou futsal até aos 19, como atleta federada na CHASA, em Alverca, mas uma rotura de ligamentos no pé obrigou-a a pendurar as sapatilhas. “Escolhi a arbitragem porque foi uma forma de continuar ligada a uma modalidade que eu adorava. Um vizinho meu, que era pai da nossa guarda-redes, a Samanta, trouxe-me a ficha de inscrição e eu inscrevi-me e comecei a fazer o curso à noite. Vinha da Universidade, de Santarém, e ainda ia para Lisboa para fazer o curso”, lembra com orgulho.Ana Ribeiro recorda que, quando era jogadora, era muito exigente e muito crítica com os árbitros e não era muito tolerante em relação aos erros. Uma atitude que mudou radicalmente quando começou a apitar jogos. “Agora que sou árbitro e sabendo da dificuldade que há em analisar os lances em centésimos de segundo é obvio que sou muito mais tolerante e compreensiva. Só damos importância e só compreendemos quanto é difícil quando até num jogo de brincadeira alguém passa por esse papel. Porque as pessoas não compreendem o que é ter de analisar e decidir na hora se é ou não é penalty. E o futsal é um jogo muito mais rápido que o futebol!!, sublinha.Ao longo de dez anos a apitar jogos, Ana já viveu situações complicadas, que passaram por agressões violentas, mas também por algumas situações engraçadas e até caricatas pelo facto de ser uma mulher a apitar jogos masculinos. “Já me aconteceu querer advertir um jogador com um cartão amarelo e pedir-lhe o número e ele em vez de me dizer o número da camisola começar a dar-me o número do telemóvel. Também já aconteceu pedir a um jogador para meter a camisola para dentro e ele baixar-me os calções e outro tipo de provocações directas”, relembra.Para Ana Ribeiro a arbitragem é uma grande paixão. “É preciso mesmo gostar daquilo que se faz. É verdade que a arbitragem nos traz um rendimento extra, mas não há nada que pague o sermos insultados, cuspidos, agredidos. As pessoas não têm tolerância nenhuma. Parece que acumulam o stress todo durante a semana e depois vão libertá-lo nos jogos ao fim de semana e o árbitro é o bode expiatório”, diz com tristeza.A árbitro confessa que já teve momentos na carreira em que pensou em desistir, mas o gosto pela modalidade acabou sempre por falar mais alto. Confessa que um dos sonhos para o futuro é a subida ao escalão nacional, mas até lá não fica parada e já começou a tirar o curso de futebol 11.
“Arbitrar é uma paixão”

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