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Vila Franca de Xira assinala bicentenário das Linhas de Torres com mais de metade das fortificações ao abandono

Vila Franca de Xira assinala bicentenário das Linhas de Torres com mais de metade das fortificações ao abandono

Cerimónia de homenagem juntou populares, políticos e militares em Alhandra

O concelho de Vila Franca de Xira assinalou os 200 anos das Linhas de Torres Vedras com mais de metade destas fortificações e estradas militares ao abandono. Faltam verbas para a sua recuperação e a população lamenta o estado de degradação daquelas estruturas militares.

Edição de 13.01.2010 | Sociedade
No concelho de Vila Franca de Xira mais de metade das 35 fortificações existentes das linhas defensivas de Torres Vedras estão ao abandono e em avançado estado de degradação. A falta de verbas para a sua recuperação tem ditado que muitas destas estruturas tenham sido camufaldas por vegetação. Algumas pedras já foram retiradas para fins decorativos e comerciais, outras estão vandalizadas e algumas são depósitos de entulho a céu aberto. Entre os historiadores e arqueólogos do concelho as preocupações quanto ao estado de conservação do que resta destas estruturas militares, erguidas entre 1809 e 1812 para defender a nação portuguesa dos exércitos invasores franceses de Napoleão Bonaparte, são cada vez maiores e até o secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, reconheceu a O MIRANTE a necessidade de Vila Franca proceder à conservação das suas fortificações. “Toda a recuperação destas linhas defensivas, que tem alguns redutos em Vila Franca de Xira, exige um esforço grande de todos, de prospecção, arqueologia, levantamento e interpretação do que existe. Temos muito património para proteger e às vezes é difícil dar mais importância a um do que a outro. Há um investimento plurianual que não tem o peso que todos desejaríamos na administração central mas existem algumas verbas disponíveis para levar a cabo essas acções”, alertou Elísio Summavielle à margem da cerimónia de homenagem dos 200 anos da construção das linhas de torres, realizada no dia 8 de Janeiro no monumento a Hércules, em Alhandra.A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, informou que estão em fase de elaboração cinco projectos de recuperação de obras militares do concelho (Forte da Subserra, Bateria Nova da Subserra, Forte da Aguieira, Forte da Portela Grande e Forte da Portela Pequena) mas sem apresentar datas de obra. “Prevemos ainda a colocação de painéis temáticos que procurarão ilustrar a importância da posição estratégica das obras militares em Vila Franca de Xira, bem como as memórias locais associadas à terceira invasão e à importância do monumento comemorativo das linhas de torres”, afirmou a edil. Para Sérgio Manquinho, 59 anos, que nasceu na Mocheira a poucos metros da estrada militar das linhas de torres, o actual estado de degradação é “lamentável”. “Fala-se muito em Vila Franca de Xira na recuperação dos fortes das linhas de torres mas de há uns anos para cá é neste concelho que os fortes e as estradas militares estão mais degradados. Da estrada militar uma grande extensão já nem existe porque uma parte deslizou para a pedreira e está hoje a servir de cimento”, acusa.A cerimónia do bicentenário da construção destas linhas defensivas compostas por 152 fortificações que se estendem de Vila Franca de Xira a Mafra, contou com a presença de largas dezenas de populares e mais de meia centena de militares do exército, alguns envergando as fardas do regimento de infantaria da época, acompanhados de canhões da artilharia. Os militares prestaram homenagem aos homens e mulheres que ergueram estas linhas defensivas. O chefe de Estado-Maior do Exército, general José Luís Ramalho, salientou o valor patriótico do povo luso na defesa da sua pátria. Já o secretário de estado da cultura preferiu deixar um aviso: “Estes foram campos de defesa nacional, onde também se criou a génese do liberalismo que nos conduziria à República, cujo centenário celebramos este ano, e que desejamos ver, com vida e desenvolvimento, fora das tentações degenerativas que atacaram e derrotaram o percurso de Napoleão Bonaparte”. As cerimónias ficaram concluídas com um banquete para os convidados no palácio do Sobralinho e com a inauguração de uma exposição sobre as linhas de torres, que só seria visitável no próprio dia.Tiros de canhão em Vila Franca de Xira mudaram o curso da guerraO concelho de Vila Franca de Xira foi determinante no processo de defesa de Lisboa na guerra contra os invasores franceses e contribuiu de forma decisiva para a mudança do rumo da guerra. As tropas francesas ficaram detidas na primeira linha de defesa (que une Alhandra - Vila Franca de Xira a Mafra) e foram travadas no desaparecido forte da Boavista (onde hoje se situa o monumento a Hércules) duras batalhas. “Vila Franca de Xira tinha uma posição importantíssima porque segurava a estrada real que seguia para Lisboa. Era por este caminho que a artilharia e a cavalaria passavam”, recorda o tenente coronel José Berger, do Exército, a O MIRANTE. Na altura o concelho recebeu a ajuda de milícias e ordenanças da zona oriental de Lisboa, do Buçaco, Santarém, Guarda e Castelo Branco. “Houve muito tiro, muito canhão e um marco importante em toda a guerra: Um dos oficiais de Napoleão, Saint-Croix, que se equiparava a “chefe de gabinete” do Marechal francês Massena, que comandava as operações, é morto aqui com um disparo de canhão. Quando o próprio Massena vem fazer o reconhecimento no terreno é quase atingido por tiros de artilharia”, conta José Berger, adiantando que este episódio levou os franceses a recuar horas depois, seguindo-se após vários meses os restantes pelotões.
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