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Burocrático Manuel Serra d’Aire

Burocrático Manuel Serra d’Aire

Edição de 20.01.2010 | E-mails do outro mundo
Para o que te havia de dar. Gastares 3 mil caracteres a falar sobre pêdêémes, ordenamento do território e cêcêdêérres na tua última crónica!? Passaste-te rapaz? Ainda são sequelas da rambóia da passagem de ano? Quando o peito depilado do Cristiano Ronaldo é a coisa menos árida dessa prosa, meu caro, está tudo dito. Foste tu mesmo que escreveste aquilo?Por favor, não te convertas em tecnocrata cinzentão nem alinhes no politicamente correcto da religião do “desenvolvimento sustentado”, dos “projectos-âncora” e tretas do género que só servem para meia dúzia de maduros ganharem balúrdios em conferências onde repetem lugares comuns com a mesma cadência com que eu bebo imperiais. Tenho a certeza que não vais por aí. Terá sido só um desabafo perante a bosta urbanística em que o país está mergulhado há muito. Mas se ninguém ouve o arquitecto Ribeiro Telles, está mais que visto que não vale a pena gastar o nosso precioso latim com assuntos tão áridos como a minha boca em manhã de ressaca. Além disso, fico mais descansado sabendo que temos o infatigável professor Augusto Mateus a tratar do nosso futuro. Como sabes ele é o responsável por tantos planos estratégicos no país que daqui a uns anos este rectângulo vai estar num brinco. Só cá pela região trabalha com câmaras como as de Torres Novas, Coruche e Santarém e para as associações de municípios do Oeste e do Médio Tejo. Pelo menos.Quem consegue gerir e planear uma agenda como ele consegue, com tantos burros para tocar ao mesmo tempo, também há-de conseguir fazer desta piolheira uma espécie de paraíso na terra, mas sem víboras e serpentes. Deus criou o universo. Mateus vai recriar Portugal. Longa vida pois ao professor Augusto Mateus, que recentemente foi também eleito presidente do Conselho Geral do Politécnico de Tomar o que atesta o seu dom da ubiquidade.Só tenho pena que o professor Augusto Mateus não consiga acabar também com esta tendência para o queixume que os portugueses tanto cultivam. Abrem-se os jornais, ligam-se as televisões, e lá estão os tugas a carpir. Se não chove é porque o negócio dos guarda-chuvas vai por água abaixo e a cultura do grelo não desabrocha. Se chove é porque os campos ficam alagados, as estradas cheias de lama e de buracos. Se faz calor em Novembro é porque não se vende roupa de Inverno. Se faz frio no Verão é porque não se vendem gelados e não se vêem moçoilas bem ataviadas em biquini nas praias (esta última situação é realmente digna de lamento…). E nem os pobres são agradecidos. Uma vez ousei dar 10 cêntimos a um técnico de aparcamento automóvel (vulgo arrumador) e tive de ouvir da boca do animal aquilo que a Manuela Ferreira Leite não ouve do Moita Flores. Ao que isto chegou. O muro das lamentações não devia estar em Jerusalém. Devia estar algures entre Freixo de Espada à Cinta e Vila Real de Santo António.Um brinde à saúde do professor Augusto Mateus proposto pelo Serafim das Neves
Burocrático Manuel Serra d’Aire

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