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Conhecer o passado para explicar o presente

Conhecer o passado para explicar o presente

Ana Filipa Horta vive em Samora Correia e é investigadora de história contemporânea

Nasceu em Lisboa mas apaixonou-se por Samora Correia, concelho de Benavente, onde hoje reside. Ana Filipa Horta é investigadora de história contemporânea na Universidade Nova de Lisboa e adora aprender coisas novas todos os dias. “Quem gostar desta profissão não se pode acomodar, tem que estar sempre actualizado”, garante. Filipe Matias

Edição de 20.01.2010 | Identidade Profissional
A profissão não tem horário e raramente se repete. “Aliciante todos os dias”, assegura Ana Filipa Horta, 34 anos, investigadora de História Contemporânea do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.A sua profissão assemelha-se ao papel desempenhado pelos novos heróis criados na produção literária internacional que, através do estudo do passado, desvendam mistérios da actualidade. O investigador de história contemporânea é o profissional que estuda o passado na tentativa de encontrar explicações para determinado evento ou ocorrência. “Trata-se de uma profissão onde estamos sempre a aprender coisas novas, a descobrir dados relevantes sobre determinado assunto. Um projecto sobre um tema envolve todo um trabalho de equipa e de arquivo e é aliciante descobrir, durante uma pesquisa arquivística, um facto histórico que nunca havia sido revelado”, conta Ana Horta a O MIRANTE. O seu dia de trabalho está dependente da hora de funcionamento dos arquivos, onde é feita a maioria das investigações. “Depois da abertura dos arquivos faz-se o levantamento do material existente, sendo feita a requisição dos documentos que se pretende consultar. O maior ou menor número de pedidos de documentação está, assim, sempre dependente da importância da informação encontrada. Depois de analisar cada documento, é criada uma “ficha técnica”, onde a informação mais importante é inserida numa base de dados”, explica a investigadora ao nosso jornal. Muitas vezes, conforme revela, o excesso de informação é tanto que muitos documentos acabam fotocopiados e são levados para casa para acabarem de ser lidos e analisados. “Todo este trabalho, ainda que por norma não seja controlado diariamente por um chefe ou coordenador de projecto, é seguido de reuniões periódicas, onde a equipa se junta para trocar ideias e conhecimentos”, explica.Ter assistido a vários acontecimentos dramáticos bem de perto (como a queda, próximo da sua casa, do avião onde seguia Sá Carneiro) levaram-na a apaixonar-se pelas questões históricas que se escondem por detrás de determinado acontecimento. Ana Horta considera a sua profissão “extremamente aliciante e enriquecedora” por ser capaz de mostrar ao investigador uma forma diferente de ver as civilizações e o seu mundo. “Tenho sorte em fazer aquilo que gosto. Pertenço ao grupo dos poucos que podem dizê-lo. Sou uma privilegiada”, admite. Ana Horta nasceu em Lisboa e entrou para a faculdade aos 18 anos. Licenciou-se em História com a variante de História da Arte e trabalhou numa empresa de publicidade até ao terceiro ano do curso. Depois de sair de Lisboa morou em Sobral de Monte Agraço e acabou por se apaixonar por Samora Correia, concelho de Benavente, cidade onde hoje vive. “Motivada pelos amigos e por uma necessidade constante de mudança, fui ver casas a Samora Correia e gostei daquela que é actualmente a minha. Gostei do espaço envolvente, da vista da Lezíria, de poder combinar o campo com a cidade. Mas penso que existe muita coisa ainda por fazer em Samora Correia. Refiro-me, por exemplo, ao campo da saúde, da educação (falta de creches), dos transportes públicos e do desporto”, lamenta.A investigadora decidiu cedo o rumo a dar à sua carreira. “Preferi fazer o Mestrado em História Contemporânea (Secção Séc. XX) e seguir investigação”, conta com orgulho. Ana Horta diz que a persistência e a força de vontade são a chave do sucesso da sua profissão e deixa um aviso: não é fácil ser investigador em Portugal. “A verdade é que ainda não são feitos grandes investimentos a este nível. Para além disso, a chegada de Bolonha veio piorar as coisas, porque se tira um curso e um mestrado (ou mesmo um doutoramento) muito rapidamente. Por isso, quem gostar desta profissão não se pode acomodar. Tem que estar sempre actualizado, pois cada vez mais o grau de exigência é maior, assim como a concorrência”, alerta, rematando que “desistir é uma palavra que não pode entrar no vocabulário de um investigador”.
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