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Antiga fábrica de curtumes está ao abandono e é espaço de marginalidade

Antiga fábrica de curtumes está ao abandono e é espaço de marginalidade

Moradores de Povos estão preocupados com degradação de uma antiga unidade fabril

Uma antiga fábrica de curtumes, uma das primeiras indústrias nacionais fundada em 1729, está ao abandono em Povos, Vila Franca de Xira, e é albergue nocturno para toxicodependentes e sem-abrigo. Moradores estão revoltados e exigem soluções.

Edição de 20.01.2010 | Sociedade
O lixo e o entulho acumulam-se na Travessa da Quinta da Fábrica, em Povos, cidade de Vila Franca de Xira. Ao lado está o edifício em ruínas de uma antiga fábrica de curtumes, fundada em 1729, que foi uma das primeiras indústrias do país. A vegetação tomou conta do espaço, as paredes estão pintadas com grafittis, os vidros partidos e as portas foram arrombadas por toxicodependentes e sem-abrigo que usam a estrutura como refúgio. Os seus pertences são visíveis a partir do exterior do edifício. As seringas estão espalhadas pelo chão ao alcance de qualquer criança e alguns pedaços do muro de delimitação da fábrica estão a ruir para a via pública, transtornando a vida aos automobilistas. O alerta é dado por vários moradores da Rua Direita, situada a poucos metros do local, que temem passar próximo da fábrica sempre que a luz do sol desaparece. “Não tem iluminação nenhuma e é o local ideal para que eles se abriguem ali dentro. Há uns anos alguém ergueu paredes de tijolo nas portas e janelas para evitar que as pessoas ali entrassem mas já partiram aquilo tudo e agora dormem ali como se fosse um hotel”, critica Maria Jesus, moradora, a O MIRANTE.Outro morador, Pedro Horta, ironiza: “Isto é a fábrica do arroz de Povos. A diferença é que esta está perdida aqui no meio do mato e não no centro da cidade, senão já tinham acabado com esta vergonha”, acusa. Os residentes temem estar em causa a saúde pública e pedem que a Câmara Municipal intervenha com uma acção de limpeza ao local. “É fácil, basta vedar tudo e limpar”, conta outro morador. A Polícia de Segurança Pública de Vila Franca de Xira disse a O MIRANTE ter conhecimento do local e que o carro patrulha efectua rondas com frequência, sem que tenham ainda sido registados quaisquer problemas. Já os moradores dizem o contrário: “É muito raro a PSP passar aqui porque também têm medo do sítio, afinal de contas quem não tem! Felizmente nunca houve chatices. O mais complicado aqui é mesmo o mau cheiro que vem ali de dentro, o lixo, as seringas e o estado em que se encontra o edifício”, lamenta Maria Jesus. Outros moradores ouvidos pelo nosso jornal dizem lamentar que o espaço não seja reaproveitado, uma vez que está cercado de espaços verdes e beneficia de uma excelente localização na cidade.A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira explica que está previsto para o local um projecto privado na área do turismo, cujos pareceres já foram recolhidos e que já está licenciado pela câmara, desconhecendo-se ainda a data de arranque de futuras obras.Uma das primeiras indústrias do paísA fábrica que é hoje abrigo de toxicodependentes em Povos, Vila Franca de Xira, foi em tempos a Real Fábrica de Curtumes, fundada em 1729 e uma das primeiras indústrias nacionais, com processos mistos (manuais e mecanizados) de tratamento de couros. Aí viria a ser fundada também a Real Fábrica de Atanados da vila de Povos, por iniciativa de João Mendes de Faria, tornando-se uma afamada manufactura do tempo de D. João V, onde chegaram a trabalhar técnicos de origem inglesa, para além de oficiais do Ribatejo, contratados segundo a lógica da manufactura orgânica.
Antiga fábrica de curtumes está ao abandono e é espaço de marginalidade

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