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Idoso encontrado morto no barracão agrícola onde habitava

Idoso encontrado morto no barracão agrícola onde habitava

Vivia sozinho em condições miseráveis mas recusava qualquer ajuda da sociedade

Foi o presidente da Junta de Freguesia de Olalhas quem deu com o corpo. As causas da morte são desconhecidas e familiares não requereram autópsia.

Edição de 20.01.2010 | Sociedade
Um homem de 78 anos que vivia há sete anos num barracão agrícola em Aboboreiras, na freguesia de Olalhas, Tomar, foi encontrado sem vida na manhã de quinta-feira, 14 de Janeiro. O septuagenário, natural do concelho de Ourém, vivia sozinho em condições miseráveis mas recusava qualquer ajuda da sociedade, como o nosso jornal já tinha relatado em 2007. As causas da morte são desconhecidas mas também não foi requerida a autópsia por familiares. O alerta foi dado ao presidente da Junta de Freguesia de Olalhas, Jorge Filipe Rosa (PSD), por populares já que há dois ou três dias não viam sair fumo do barracão onde José Martins dormia com autorização do proprietário, que vive em Lisboa. Foi o autarca que descobriu o corpo, cerca das 10h30. “Enchi-me de coragem e pedi a uma pessoa para vir comigo. Empurrei a porta mas senti que fechava novamente. Insisti e vi um sapato. Espreitei pela janela e vi o corpo imóvel. Chamei e não respondeu”, contou a O MIRANTE, acrescentando que chamou de imediato os bombeiros e a GNR. No chão do interior do minúsculo barracão de cimento era possível ver batatas, cebolas, alguma roupa queimada e restos de cavacos ardidos de uma fogueira.Jorge Rosa contactou com os familiares mais próximos do idoso, primos e sobrinhos que residem em Caxarias (Ourém), para tratar dos assuntos relacionados com a cerimónia fúnebre. “Disseram-me que não tinham meios financeiros para pagar a totalidade do funeral pelo que a junta assumiu as despesas com a igreja e o enterro”, referiu o autarca dizendo que José Martins mereceu ter um funeral digno como qualquer pessoa. Em Dezembro de 2007, o nosso jornal denunciou este grave caso social após ter tido conhecimento que José Martins tinha saído por sua livre vontade do Hospital de Tomar depois de, em Maio desse ano, para ali ter sido levado por indicação do então presidente da junta, Tomé Esgueira. Sem lhe ter sido diagnosticada qualquer patologia, foi colocado numa maca na zona das urgências, depois de os serviços hospitalares não terem conseguido arranjar uma ajuda social para o seu caso. Acabou por sair, limpo e com roupa nova mas a sua situação voltou à estaca zero. O idoso - conhecido como “velho do mato” - era um homem de difícil trato, que nunca tratou dos papéis para receber a reforma e vivia apenas dos biscates que fazia a cortar erva e outros pequenos trabalhos agrícolas. Recusava receber roupa ou alimentos de quem o pretendia ajudar. Antes de ali morar esteve emigrado no Canadá e França, onde teve um grave acidente de viação. Muito metido consigo mesmo, só era visto quando se ia abastecer ao supermercado. Na povoação era também conhecido por comer ovos crus, fazendo um pequeno furo na casca para ingerir o líquido. De acordo com o autarca, a Segurança Social já tinha conhecimento desta situação há cerca de dois anos e meio mas, segundo lamentou, “nunca fez qualquer diligência para resolver este grave caso social”.
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