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Resitejo garante que não fez descargas de águas lixiviantes na ribeira das Fontainhas

Resitejo garante que não fez descargas de águas lixiviantes na ribeira das Fontainhas

Sem capacidade para armazenar escorrências de superfície de um dos alvéolos do aterro

A água que escorre das barreiras do aterro da Resitejo na Carregueira, está a ir para um curso de água sem tratamento. Uma situação pontual provocada pelo mau tempo.

Edição de 20.01.2010 | Sociedade
Há alguns dias que as águas que escorrem pela superfície dos resíduos depositados no aterro da Resitejo - Associação de Gestão e Tratamento dos Lixos do Médio Tejo, situado na Freguesia de Carregueira, Chamusca, entram no caudal da ribeira das Fontainhas, sem qualquer tratamento. Segundo o presidente daquele sistema (e presidente da câmara da Chamusca), Sérgio Carrinho, trata-se de uma situação excepcional resultante das chuvas intensas que se têm registado.Com as quatro lagoas e quatro tanques onde se acumulam as águas, para posterior tratamento, completamente cheios, a solução foi deixar que aquelas escorrências fossem directamente para o curso de água, que atravessa a Estrada Nacional 118 junto à localidade de Arripiado, desaguando nos campos de cultivo. “Não foi feita nem será feita nenhuma descarga da água contaminada que está nos reservatórios para ser tratada”, esclarece o responsável pelo sistema. O aterro de resíduos urbanos, inaugurado em 1999, esteve concessionado à empresa HLC Tejo até Maio do ano passado. Actualmente é gerido directamente pelos municípios que integram a Resitejo (Alcanena, Chamusca, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Santarém, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha). Um dos maiores problemas desde a sua inauguração foi o tratamento das chamadas águas lixiviantes. O primeiro tratamento era ineficaz. Só em Outubro do ano passado entrou em funcionamento um sistema de osmose inversa, considerado como o mais adequado e eficiente, com capacidade para tratar diariamente até 120 m3 (metros cúbicos). Desde então o sistema tratou, segundo dados da Resitejo, 9.560 m3. E continuam a ser enviadas águas lixiviantes para outros sistemas de tratamento.“Aumentamos a capacidade de armazenamento de águas lixiviantes que é neste momento de 15 mil m3 mas com a chuva que tem caído temos as lagoas e os tanques cheios”, explicou o administrador – delegado da Resitejo, Diamantino Duarte, Sábado passado durante uma visita feita ao local por jornalistas de O MIRANTE e pelo Presidente da Junta de Freguesia da Carregueira, Joel Nunes Marques (PS). “Só para terem uma ideia, em Outubro tínhamos apenas metade da água para tratar que temos agora”, acrescentou o responsável operacional do aterro.O primeiro dos três alvéolos para depósito de resíduos, com uma área de 15 hectares, está a ser selado por ter sido esgotada a sua capacidade. A enorme montanha de resíduos e terra, está a ser tapada com um material impermeável mas apenas um terço do trabalho está feito. O que está a entrar na ribeira das Fontainhas sem tratamento são as águas das chuvas que escorrem pelas barreiras, aquilo a que Diamantino Duarte chama “lixiviado de superfície”.“Estão a ser feitos doze furos de captação de biogás e vão ser instaladas as condutas para a sua recolha. Enquanto esse trabalho não estiver concluído não é possível tapar por completo o alvéolo. As águas lixiviantes que estão no interior estão acumuladas no fundo e só as vamos libertar quando tivermos capacidade para as tratar. O problema é com a água que escorre pelas barreiras”, explica o Administrador-Delegado. O Presidente da Junta de Freguesia da Carregueira confirmou a O MIRANTE que tem recebido reclamações de alguns habitantes. Não só pelas águas não tratadas que estão a entrar no curso de água (O MIRANTE esteve no local Quarta-feira, dia 13, ao fim do dia, tendo verificado que a água da ribeira tinha bastante espuma e cheirava mal) mas também pelo aumento do caudal. Diamantino Duarte explica que o sistema de tratamento está a lançar uma média de 75 m3 de água limpa para a ribeira, por dia e que mesmo sem o actual problema das escorrências provocadas pela anormal pluviosidade, o caudal vai ser sempre superior àquele que era habitual.Mais ecopontos e oleõesA Resitejo recolheu 8 mil toneladas de material reciclável em 2009 e poderá aumentar essa recolha para as 12 mil toneladas este ano. Para o conseguir investiu um milhão e cem mil euros em novos ecopontos e prepara-se para adquirir mais viaturas para recolha. Até ao final do ano a Associação propõe-se disponibilizar um ecoponto para cada 150 habitantes. Inicialmente o rácio era de 1 para 500 habitantes e actualmente é de 1 para cada 330. O sector onde o aumento da recolha em relação a 2008 foi mais significativo, foi o das embalagens de plásticos A recolha selectiva de óleos usados vai chegar a todos os municípios da área da Resitejo durante este ano, de acordo com as previsões do administrador delegado que realça também o aumento dos postos de trabalho. “Quatro trabalhadores para os recicláveis e dois para os oleões”. Um outro investimento feito em 2009 foi um moinho triturador de plástico rígido.
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