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Vivem na miséria por amor aos animais

Vivem na miséria por amor aos animais

Casal habita em condições degradantes no meio de três dezenas de cães

Um casal, que durante duas décadas acolheu dezenas de cães abandonados, vive em condições precárias. Câmara de Benavente e associação PRAVI tentam resolver problema. Jorge Afonso da Silva

Edição de 20.01.2010 | Sociedade
Um casal residente no Porto Alto, concelho de Benavente, vive na miséria e em condições degradantes no meio de três dezenas de cães. Durante as últimas duas décadas os idosos – 75 e 65 anos – dedicaram-se a acolher em casa animais abandonados na rua, alguns deixados à sua porta durante a noite por anónimos.Houve sempre espaço e comida para os receber. Os anos foram passando e a situação assumiu proporções incontroláveis, ficando humana e financeiramente insustentável o que culminou com idosos e cães a coabitarem praticante no mesmo espaço, em condições pouco dignas até para os próprios animais.O casal sobrevive actualmente com uma reforma conjunta de 650 euros. Não tem as mínimas condições de higiene e salubridade e a esposa tem problemas de mobilidade. O dinheiro para alimentação, compra dos medicamentos e para tratar dos animais começou a escassear. “Tínhamos todas as condições mas agora já não temos. Está tudo degradado porque não podemos gastar mais dinheiro. O amor pelos animais levou-nos a esta situação. Não estamos nada bem”, confessa a O MIRANTE o marido, que pede anonimato.Era habitual o casal ir pelas padarias da região em busca de pão para alimentar os animais. Até Novembro do ano passado os cães viviam no meio da lama, excrementos devido à falta de esgotos e de limpeza das divisórias onde eram colocados. Nessa altura a associação PRAVI – Projecto de Apoio a Vítimas Indefesas teve conhecimento da situação e uma das suas voluntárias visitou o local e constatou a realidade. “Desde essa altura que já resgatámos 22 cães que estão em hotéis, pagos por particulares e famílias de acolhimento. Mas ainda continuam aqui 28 que precisam de um dono. Já foram todos vacinados mas alguns estão doentes”, conta Susana Inácio, uma das voluntárias da associação animal.A jovem de 33 anos foi um dos cinco voluntários que recentemente esteve no Porto Alto a limpar e a retirar excrementos que se acumularam durante anos numa das divisórias onde dormem os animais. “Nunca tinha visto uma coisa assim, altamente degradante”, relata a vice-presidente da associação que tem acompanhado o desenrolar do caso.Maria João Esteves descreve o cenário de miséria que encontrou quando visitou o casal pela primeira vez. “Vivem numa situação muito precária. Não são condições para dois seres humanos. Nem para os animais quanto mais pessoas. Precisam de ajuda”, alerta a responsável. Na sua opinião, o casal necessita de rápido auxilio mas também é preciso resolver o problema dos animais. Neste momento a PRAVI é a fiel depositária dos cães e tem colaborado com o casal e a Câmara de Benavente (ver caixa) na tentativa de gerir as duas situações da melhor maneira.Casal tem ainda cerca de 40 gatos“Por amor aos animais deu-se a degradação da vida, o que levou a uma situação profundamente desumana. Não criaram as condições para o seu bem-estar, que não são melhores do que aquelas que têm os animais com quem vivem”, refere o presidente da Câmara de Benavente, António Ganhão (CDU), bastante preocupado com o caso que se foi degradando à medida que os “abusos” de deixar os cães e gatos abandonados à porta do casal iam aumentando. O casal tem ainda cerca de 40 gatos numa outra parte da casa à qual não tivemos acesso.O autarca conhece pessoalmente o caso e partilha uma história com o nosso jornal. “A senhora ofereceu-me um cão há uns anos. Foi o momento em que me apercebi daquela paixão e até onde podia conduzir”, afirma sentido António Ganhão.O presidente salienta que é preciso agir com muita precaução tendo em conta a forte ligação que o casal sempre teve aos animais. “Houve agora uma aceitação por parte deles para que a PRAVI pudesse intervir. A associação tem estado em ligação connosco. Pediu-nos para que não retirássemos os animais e os levássemos para o canil. Não pretendemos levar os animais para os abater, mas para doação”, garante o autarca.Sobre a situação do casal, diz que não é possível levá-los para um centro social ou de terceira idade. “Estamos a ser cuidadosos na forma de fazer esta ruptura e não podemos tomar medidas administrativas abruptas”, conclui o autarca garantindo que “tudo será feito para que o casal possa finalmente ter uma vida mais digna depois de tanto sacrifício em prol dos animais”.
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