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População de Samora Correia revoltada com maus cheiros da ETAR

População de Samora Correia revoltada com maus cheiros da ETAR

Águas do Ribatejo promete solucionar o problema até final de Janeiro

Os maus cheiros provenientes da ETAR da Quinta dos Gatos, em Samora Correia, concelho de Benavente, estão a revoltar os moradores, que têm feito de tudo para que o problema seja resolvido. A situação arrasta-se desde Maio, altura em que a gestão do equipamento passou para a empresa intermunicipal Águas do Ribatejo. A técnica da empresa já reuniu com os populares e prometeu a resolução do problema até ao final do mês. Patrícia Cunha Lopes

Edição de 21.01.2010 | Sociedade
Os moradores da Rua do Campino e do bairro adjacente, na freguesia de Samora Correia, concelho de Benavente, queixam-se dos maus cheiros provenientes da Estação de Tratamentos de Águas Residuais (ETAR) da Quinta dos Gatos. A situação já se arrasta desde Maio de 2009.Com a constituição da empresa intermunicipal “ Águas do Ribatejo” a gestão da ETAR da Quinta dos Gatos passou da Câmara de Benavente para esta identidade. Desde essa altura que os populares registam diariamente a presença maus cheiros provenientes deste equipamento. O problema foi de imediato levado aos responsáveis da empresa, mas a resposta mostrou-se tudo menos satisfatória para quem mora a menos de 50 metros da estação de tratamento.“A resposta que tenho por parte da engenheira da Águas do Ribatejo é que tenho eu de provar que os cheiros vêm daqui. Diz-me que uma ETAR não pode cheirar a rosas. Eu sei que uma ETAR não cheira a rosas, mas também não tenho que estar a levar com este mau cheiro em minha casa”, diz revoltado José Matias Ferreira, habitante há 50 anos na Rua do Campino nº10.O morador mostra-se indignado com a falta de interesse e responsabilização que a empresa intermunicipal tem demonstrado. “A Águas do Ribatejo recusa-se a assumir que a proveniência destes fortes cheiros é da ETAR e a engenheira que falou connosco primeiramente até chegou a dizer que a culpa era da câmara municipal”, explica com ironia na voz.António Raposo Bastos explica a O MIRANTE que este problema já se registou também há três anos, altura em que o equipamento era gerido pela Câmara Municipal de Benavente. “Na altura nós fizemos um abaixo-assinado com centenas de assinaturas de pessoas que moram aqui no bairro e apresentámos o assunto ao presidente da Câmara de Benavente e o assunto foi resolvido. Deixou de cheirar mal. Agora ultimamente quando se fez esta transferência para a Águas do Ribatejo o cheiro voltou. Então e porque é que não é resolvido agora? Se dantes houve hipóteses de anular o cheiro porque é que não há agora? Isso é que é esquisito”, diz o morador da esquina da Rua do Campino com a Branquinho da Fonseca.Manuel dos Santos era na altura o vereador responsável pelas ETAR’s e explicou a O MIRANTE a causa do mau cheiro no passado e a forma como a câmara resolveu a questão. “Na altura houve umas descargas clandestinas de resíduos de cimento que foram despejados nos colectores e que entupiram o sistema de arejamento. Era um problema bem mais grave do que o que lá está agora porque a ETAR ficou sem funcionar. Depois o que se fez foi um programa de tratamento de arejamento. Foram despejadas nos poços umas enzimas biológicas que ajudaram a que o tratamento fosse mais efectivo e mais rápido. O problema ficou resolvido”, sublinha.Agora o problema regressa e depois de nove meses de queixas dos moradores a Águas do Ribatejo realizou uma avaliação da situação, em colaboração com os técnicos da Câmara Municipal de Benavente, que resultou “na convicção de que será possível reduzir os maus cheiros com a realização de uma intervenção imediata que consiste no tamponamento do depósito que recebe os efluentes”.Os responsáveis da Águas do Ribatejo reuniram com os moradores, na quinta-feira, 14 de Janeiro, para comunicar que foram efectuadas consultas ao mercado para a realização de uma intervenção que permita resolver o problema durante esta semana.Maria Joaquina Lopes Viegas não acredita nas promessas feitas pela técnica na reunião. “Pediu que aguardássemos porque ia tentar resolver o problema. Eu não acredito! Fartos de esperar estamos nós! Eu gostava de Samora há 30 anos atrás. É cidade, mas cheira mal”.ETAR da Esteveira com espumaA ETAR da Esteveira, em Samora Correia, concelho de Benavente, também apresentou problemas. Na quarta-feira, 13 de Janeiro, vários moradores queixaram-se da presença de espuma na estação de tratamento.O departamento de comunicação da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo esclareceu a O MIRANTE que o problema se deveu “a uma anomalia no funcionamento, o qual provocou a espuma que era visível pelos habitantes de Samora Correia. A questão foi imediatamente corrigida, com intervenção do equipamento mecânico e que segundo as informações técnicas que recebemos está perfeitamente ultrapassada”.A ETAR da Esteveira constitui um equipamento inovador e foi um grande investimento da Águas do Ribatejo. “Quando estiver a funcionar em pleno estamos em crer que vai resolver por completo os problemas que existiam numa vasta zona da cidade e da freguesia de Samora Correia”, explicam.
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