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Arlete Bento

Arlete Bento

53 anos, directora técnica da Farmácia Flamma Vitae, Santarém

Arlete Bento é a directora técnica da Farmácia Flamma Vitae, em Santarém. Nasceu em Azóia de Baixo, de que se foi desligando a partir da altura em que foi viver para Santarém. Foi fundadora da primeira farmácia em Almoster, onde a versatilidade a levou a ser também veterinária. Confessa ter maus hábitos alimentares, por isso as férias de sonho seriam num país paradisíaco, a fazer uma “desintoxicação”.

Edição de 20.01.2010 | Três Dimensões
Já não tenho muita ligação ao sítio onde nasci. Nasci em Azóia de Baixo, em Santarém, uma aldeia pequenina e agradável. Vivi lá quatro anos, mas depois vim para a escola e passei o resto da minha infância em Santarém. Uma pessoa vem para a escola, vem para a cidade e passa a ter outro tipo de vivências.Comecei a trabalhar aos 24 anos, dando aulas em Almeirim. Dava aulas de Físico-Química. Depois ainda frequentei um laboratório de análises de águas, fui pensando abranger outras áreas até que escolhi esta. Achei que era a melhor.Fui fundadora da primeira farmácia em Almoster. Era uma farmácia de aldeia, e lá fui farmacêutica, fui enfermeira, fui médica, fui veterinária, até pus uma tala numa perna de um cão. Mas após 5 anos, e depois de ter o meu segundo filho, como andava sempre com as crianças de um lado para o outro e a estrada era muito perigosa, resolvi mudar-me para Santarém.Por vezes esqueço-me de almoçar, outras vezes almoço à pressa. Levanto-me por volta das 08h30, faço qualquer coisa em casa, depois venho para a farmácia por volta das 10h00. O dia é todo a trabalhar até às 22h00, e às vezes fico até às 23h00. Depois vou para casa, ainda fazer o jantar. Tenho uns livros à cabeceira porque parece que ao fim do dia uma pessoa ainda tem mais dificuldade em acalmar e adormecer e então leio. Mais livros de medicina ou revistas de farmácia do que aquela literatura de cultura como seria bom de ler. Só me deito perto da uma da manhã.Trabalho, mas por obrigação mesmo. Não me considero uma viciada em trabalho. Se passo muitas horas no trabalho é porque tenho de o fazer, por uma questão de responsabilidade e obrigação. Gostaria de ter outra vivência. De me dedicar mais à cultura, aos espectáculos, passeios, congresso, ginásios, spas. Mas como não posso… É bom estar nesta idade com muito trabalho, numa altura em que os meus filhos estão mais autónomos. É mais fácil conciliar o trabalho e a família, porque vou ligando aos meus filhos e o meu marido também dá apoio. Neste momento em que estou a trabalhar mais horas, eles os dois já foram estudar para fora, portanto o contacto é muito por telefone e ao fim de semana. Neste momento não tenho passatempos porque não tenho tempos livres. Por vezes consigo fazer alguma ginástica em casa, mas mais para manutenção e não tanto como hobby. Actividades para descomprimir, neste momento, não tenho tempo para as fazer. Só mesmo a leitura. Há 2 anos que não vou de férias. Mas gosto sempre de ir à praia. Sou uma pessoa de tez muito branca e gosto de um arzinho bronzeado, mesmo por mais mal que faça. Imagino-me a fazer uma desintoxicação de ambiente, de frituras, doces, chocolate. As minhas férias de sonho seriam ir para um sítio onde é tudo natureza, num pais paradisíaco, sem stress, com sol, água, dieta, beber sumos e comer fruta. Porque eu como e adoro comer tudo o que faz mal. O mais divertido é ir com um grupo de amigos. Mas por vezes estou tão cansada que quando me imagino nesse ambiente imagino-me sozinha só para não ouvir ninguém, não ver ninguém, só descansar.Cá se fazem, cá se pagam. Era o lema que o meu pai, que já faleceu, tinha. Eu não sou religiosa. O principio que me guia é o da integridade e de ser coerente consigo mesmo e com os outros. A pessoa não deve esperar mais dos outros do que aquilo que ela própria faz. Eu não tenho grandes lemas. Busco só o equilíbrio emocional e a coerência e detesto a incoerência e a hipocrisia.Patrícia Cunha Lopes
Arlete Bento

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