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Alvega corre o risco de ficar sem farmácia por falta de clientes

Proprietária pediu transferência do alvará para Abrantes, que já foi aceite pelo Infarmed

Presidente da Junta de Freguesia fala em falta de ética já que uma farmácia não é um negócio como os outros. Elsa Ribeiro Gonçalves

Edição de 27.01.2010 | Sociedade
A iminente transferência da farmácia Ondalux (antiga farmácia Mota) de Alvega para Abrantes é uma das actuais preocupações da população da aldeia que, deste modo, corre o risco de ter que ir ao Pego, a dez quilómetros, de cada vez que tiver que aviar uma receita médica. O presidente da Junta de Freguesia de Alvega, Manuel Leitão (PS), afirma que “oficialmente não tem conhecimento de nada” - uma vez que a actual directora técnica nunca falou com ele ou com os familiares da antiga dona da farmácia sobre este propósito. O autarca acrescenta que o alerta lhe chegou através de um habitante que verificou no portal do INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde que a autorização de transferência de alvará foi considerada apta “no que se refere ao local, ao espaço e ao quadro farmacêutico”, para a Avenida da Europa, na cidade de Abrantes. A directora técnica da farmácia Ondalux, Carla Lopes de Pina Ribeiro, confirmou a O MIRANTE esta possibilidade que, por enquanto, ainda está “a ponderar”, referindo que, caso se dê a transferência, o espaço ficará a funcionar como parafarmácia. “Alvega não tem actualmente médico no centro de saúde e, como as pessoas vão a Abrantes às consultas, aproveitam para se aviar na farmácia”, sustenta, realçando que a empresa que gere não deixa de ser um negócio e que decidiu pedir a transferência para Abrantes por factores económicos. Para a empresária, é inadmissível que o problema da falta de médico se arraste há tanto tempo. “O interior está votado ao esquecimento”, salienta acrescentando que, mesmo depois da transferência efectivada, tenciona prestar serviços ao domicílio em Alvega, onde há muita população envelhecida. “Não penso em deixar as pessoas sem assistência”, assegura. O presidente da junta considera, por seu turno, que uma parafarmácia não é suficiente para a população uma vez que não contempla receituário médico. Manuel Leitão não compreende ainda como é que uma decisão que vai deixar cerca de três mil pessoas sem farmácia (das freguesias de Alvega e Concavada) foi dada de ânimo leve pelo INFARMED e fala em “falta de ética” por parte da empresa que actualmente gere este equipamento já que nunca informou a junta de freguesia desta sua intenção.“A população está apreensiva e penso que eticamente devia ter dado uma explicação até pelo que, segundo me parece, o número de clientes não diminuiu”, atesta Manuel Leitão que se encontra a averiguar o que é possível fazer para evitar que este cenário se concretize. Uma farmácia familiar A farmácia Ondalux, há cerca de cinco anos sob a actual gerência, existe na Praça da República há mais de cinquenta anos. A anterior proprietária (já falecida) era uma pessoa bastante estimada na localidade e há quem acredite que com ela este problema nunca se colocaria. “Temos farmácia em Alvega desde que me lembro e a saudosa doutora Maria da Piedade sempre foi um exemplo para a nossa comunidade. E agora vamos ficar sem farmácia!? Não nos podemos calar, temos de mostrar a nossa indignação, fazer abaixo assinados, boicotar as compras nessa farmácia…”, defende um habitante que não se quis identificar por motivos profissionais. Mas para o presidente da Junta de Freguesia, abaixo-assinados pouco adiantam já que foi dada autorização superior. A única solução, para Manuel Leitão, passa por travar o processo por meios legais, admitindo interpor recurso da decisão do INFARMED, hipótese que se encontra a estudar.

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