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Avieiros de Vila Franca de Xira revoltados com estado de abandono do bairro

Avieiros de Vila Franca de Xira revoltados com estado de abandono do bairro

Os arruamentos estão destruídos, os passeios abatidos e os esgotos desaguam a céu aberto

Os pescadores do bairro dos avieiros em Vila Franca de Xira estão revoltados com a Câmara Municipal pela forma como o bairro foi deixado ao abandono ao longo dos anos. Os arruamentos estão destruídos, não há iluminação durante a noite e os esgotos a céu aberto são as principais queixas.

Edição de 27.01.2010 | Sociedade
O Bairro dos Avieiros foi “transformado num bairro social” pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. É desta forma que os pescadores classificam a O MIRANTE o actual estado de abandono e degradação de uma das zonas mais típicas da cidade.Os arruamentos prometidos pela autarquia em 2007 nunca foram concluídos e a estrada tem buracos que, nos dias de chuva, se transformam em lamaçais que não deixam os moradores caminhar pelas ruas. Nem mesmo os automóveis têm facilidade em desbravar terreno. “Num destes dias, de manhã, quando ia a sair de casa tinha o carro atolado em lama, tive de calçar uns botins e ir a pé”, critica Elisabete Cruz. Os moradores lamentam também que não haja iluminação pública durante a noite, obrigando quem ali vive a caminhar pela rua às escuras.“Andamos na rua por instinto”, ironiza Vitor Botas, morador. “No cais também não há luz e há quem roube tudo o que ali fique, como os motores, gasolina e boias. O bairro dos pescadores não tem condições nenhumas”, lamenta.Quem ali vive também não gosta de ver os esgotos a correr a céu aberto. “A minha mãe está a viver por cima do local onde desaguam os esgotos das casas novas, fica tudo a céu aberto. Às vezes a câmara vem aqui mandar uma mangueirada de água mas isso não resulta em nada”, lamenta Vitor Botas. Outro morador, João Guerra, teme que os esgotos representem um perigo para a saúde pública, especialmente nos dias de maior calor.Em 2007 a câmara municipal demoliu diversas casas e realojou uma parte dos moradores em dois blocos habitacionais de dois andares. Mas houve quem ficasse nas suas antigas casas. “Não fui para uma nova casa porque não quis. Não me interessava sair de uma casa que actualmente é mesmo minha para ir pagar renda de um tecto que nunca seria meu. O que me chateia foi terem feito as novas casas mas terem deixado os arruamentos inacabados”, critica João Guerra.Mesmo entre quem vive nas novas habitações as criticas sucedem-se. As fachadas estão rachadas, há infiltrações de água no interior de alguns apartamentos e os passeios estão a abater. “Que isto não ficou bem feito isso não ficou e os pescadores sempre deram muito a Vila Franca de Xira, não merecemos ser desprezados desta maneira”, lamenta Rosa Pereira. Por todo o bairro o entulho acumula-se. A vegetação cresce alta e raramente é cortada. “Sou pescador e uma vez disse à presidente da câmara que precisávamos de um armazém para colocar os instrumentos da pesca. Ela não fez caso, deu o único pavilhão de jeito aqui do bairro ao rancho folclórico. Veio dinheiro do Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas (IFADAP) para fazer uma lota, uma grua e uma rampa de acesso ao Tejo mas nunca fizeram nada. A presidente destruiu o bairro dos pescadores”, acusa Vitor Botas. Entre os moradores há quem diga ter pena que não houvesse um projecto mais cuidado para toda a zona. “Estamos numa zona ribeirinha, típica, onde as casas se erguiam sob o Tejo com estacas. Deviam ter feito um projecto bonito, com casas mais típicas e onde preservassem algum traço da identidade dos pescadores. Em vez disso fizeram dois blocos de betão”, lamenta João Guerra. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira reconhece a existência dos problemas no bairro e informa que a recuperação dos acessos e reforço da iluminação pública estão considerados no projecto de requalificação do jardim Constantino Palha. A obra arrancará ainda este ano. Quanto às infra-estruturas que os pescadores dizem não ter sido construídas a autarquia diz apenas que implantou arrecadações de pesca, um local de amarração de embarcações e um pavilhão multiusos “conforme acordado com a comunidade ali residente”.
Avieiros de Vila Franca de Xira revoltados com estado de abandono do bairro

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