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Farmácias da região ainda não aderiram aos medicamentos unidose

Lei saiu há seis meses e está em vigor, numa primeira fase, apenas na região de Lisboa e Vale do Tejo

A lei que prevê a venda de medicamentos apresentados em forma oral sólida em quantidades individualizadas entrou em vigor a 7 de Julho de 2009. Falta de informação e necessidade de mudanças na produção, distribuição e prescrição dos medicamentos são os principais entraves.Patrícia Cunha Lopes

Edição de 27.01.2010 | Sociedade
A lei entrou em vigor a 7 de Julho de 2009 e refere que as farmácias podem dispensar em quantidade individualizada os medicamentos apresentados em forma oral sólida, nomeadamente comprimidos e cápsulas. Nesta primeira fase, a dispensa dos medicamentos ficou restringida às farmácias pertencentes à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, passados 6 meses da entrada em vigor desta lei nenhuma farmácia manifestou ainda junto do Infarmed a vontade de aderir a este novo formato. Ana Barros, directora clínica da Farmácia Nicolau, em Torres Novas, diz que o sistema ainda não está preparado para se avançar com a medida. “Não estão ainda implementados os meios que permitem esta distribuição. Os medicamentos vêm todos embalados em multidose e para que as farmácias possam fornecer aos utentes quantidades personalizadas é necessário haver produção, distribuição e prescrição regular de medicamentos em unidose, para que as farmácias os possam fornecer aos utentes da mesma forma que os restantes medicamentos embalados”, explica. A responsável adianta ainda que há que ter em conta que esses medicamentos teriam de ter prazos de validade bem explícitos e que “existem muitas questões como essa que ainda suscitam muitas dúvidas”. A medida, porém, é bem-vinda, “pois permite individualizar as prescrições, maximizando o serviço”, realça.Opinião diferente tem a directora clínica da Farmácia Flama Vitae, em Santarém, dizendo que “isso implica uma abrangência de leis que no nosso país ainda não existem. Uma pessoa leva uma unidose, mas se a seguir precisa de mais como é que é? Vai entupir os centros de saúde ou os hospitais?”, sublinha. Arlete Bento considera que a lei ainda não é adaptável ao panorama português, em que os medicamentos vêm já embalados. “Acho que essa realidade é mais adaptada aos Estados Unidos, em que a venda do medicamento não se faz já embalado, mas sim na quantidade que a pessoa precisa. Em Portugal é preciso uma grande mudança para que o unidose seja distribuído assim”, explica. Utentes vêem medida com bons olhosOpinião contrária têm os utentes, que vêem com bons olhos a possibilidade de comprarem medicamentos em quantidades individualizadas. “Eu moro sozinha e quando tenho de tomar um ou dois comprimidos tenho de comprar uma caixa inteira! Nos tempos que vivemos, comprar uma caixa de comprimidos e depois deitá-la fora é dispendioso”, realça Ana Viriato Pita, de 48 anos. A moradora em Povos, concelho de Vila Franca de Xira, leu a notícia nos jornais e confessa que estranhou ainda não ver os medicamentos à venda nas farmácias.A directora clínica da Farmácia Silva Carvalho, em Vila Franca de Xira confirma que a lei saiu mas as coisas ainda não foram postas em prática. “Ainda não foi feita uma proposta às farmácias de como é que as coisas se iriam processar. Não estamos bem inteirados como é que as coisas vão ser, mas estamos de portas abertas se esse projecto for para a frente”. Isabel Marques encara a entrada em vigor da unidose como uma medida positiva. “Há determinados tratamentos que são muito esporádicos e as pessoas levam na embalagem doses a mais, que ficam sem ser aproveitadas e acabam por ir para o lixo. Por isso vejo esta medida como uma mais-valia. Não vejo qualquer impedimento para começarmos a aderir”, diz.Margarida Marques, 38 anos, considera que a mudança “ainda não se deu por comodismo. “Tudo o que implique uma grande mudança não é fácil e este processo acarreta custos”, adianta. “Já me aconteceu levar doses de 20 ou 30 comprimidos e depois desperdiçar. Acho que é muito mais vantajoso para as pessoas este novo sistema, em que a pessoa leva só a quantidade que precisa”, afirma a moradora em Vila Franca de Xira.A directora clínica da Farmácia Lezíria, em Castanheira do Ribatejo, diz que ainda não aderiu, porque ainda não lhe foi proposto o novo sistema, mas que aguarda essa informação por parte das autoridades de saúde. Cristina Gonçalves sublinha que “noutros países já acontece e é muito positivo porque diminui os gastos, com aumento de adesão à terapêutica e com vantagem para toda a comunidade”. Segundo a responsável, “todo o processo é vantajoso porque a farmácia vende 20 ou 30 comprimidos a mais, mas depois a pessoa deixa de ter dinheiro para comprar aqueles que realmente necessita”.

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