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Trabalhadores da Platex recebidos pela governadora civil à segunda tentativa

Trabalhadores da Platex recebidos pela governadora civil à segunda tentativa

Primeira audiência com Sónia Sanfona foi solicitada por fax mas a reunião não foi confirmada

No dia 21, os manifestantes ficaram à porta do Governo Civil de Santarém. Em Lisboa, também não conseguiram reunir com a Comissão Parlamentar de Trabalho.

Edição de 27.01.2010 | Sociedade
Insatisfeitos. Foi deste modo que os trabalhadores da IFM-Platex, indústria transformadora de fibras de madeira de Tomar, regressaram a casa na última quinta-feira, 21 de Janeiro, dia em que encetaram uma jornada de luta pela manutenção dos seus postos de trabalho. O motivo não era para menos. Contrariamente ao que esperavam, não foram recebidos pela Governadora Civil de Santarém, Sónia Sanfona, e na Assembleia da República, em Lisboa, também não tinham ninguém da Comissão Parlamentar de Trabalho à sua espera. A reunião acabou por ocorrer na tarde de terça-feira.De acordo com fonte sindical, foi enviado um fax à Governadora Civil de Santarém a solicitar a reunião de quinta-feira mas não foi obtida confirmação por parte do gabinete desta. Mesmo assim, os trabalhadores dirigiram-se ao Governo Civil de Santarém na manhã desse dia onde lhes foi indicado que Sónia Sanfona estava ocupada com outros compromissos e que, por motivos de agenda, não poderia receber a delegação de trabalhadores nesse dia. A atitude caiu mal entre o grupo que se dizia revoltado com esta falta de apoio político (ver caixa). Em seguida seguiram para Benavente, onde almoçaram a convite dessa câmara municipal, sendo recebidos pelo vice-presidente da autarquia, Carlos Coutinho, que manifestou o apoio aos trabalhadores. Fonte do Gabinete da Governadora Civil de Santarém sublinha, no entanto, que “não houve má vontade” por parte de Sónia Sanfona em receber os trabalhadores da IFM/Platex e apenas não aconteceu “porque não tinha ficado agendado qualquer encontro”, não sendo possível a realização do mesmo devido a “compromissos inadiáveis que estavam agendados”. A reunião ocorreu terça-feira e Sónia Sanfona comprometeu-se a contactar os ministérios da Economia e do Trabalho para conhecer em que ponto se encontra o processo da IFM/Platex e transmitir as preocupações dos trabalhadores.Em Lisboa, os trabalhadores também não conseguiram reunir com a Comissão Parlamentar de Trabalho devido “a uma falha de comunicação”, uma vez que, de acordo com fonte sindical, esta comissão não foi avisada da sua ida, apesar de terem transmitido essa pretensão ao presidente da mesma, Ramos Preto. Os trabalhadores apenas conseguiram um encontro com o grupo parlamentar do PCP indo, em seguida, para a residência oficial do primeiro-ministro, sempre escoltados pela polícia, onde foram recebidos por um assessor de José Sócrates a quem entregaram um dossier explicativo de toda a situação. Os trabalhadores prometem não baixar os braços e vão marcar um novo plenário. Para os trabalhadores o processo de insolvência, já publicado pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, não significa o fim da empresa. Pretendem, por isso, estudar novas formas de luta com um único objectivo: voltar a trabalhar na fábrica que se encontra parada desde Abril de 2009.Funcionárioscontam drama na primeira pessoaFoi com voz embargada que alguns trabalhadores da IFM-Platex relataram a situação em que actualmente se encontram a viver. Os desabafos foram dirigidos a Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português que esteve na tarde de sábado, 23 de Janeiro, em Tomar, numa sessão pública de solidariedade para com os trabalhadores atingidos por graves problemas sociais. “Os trabalhadores não querem viver às custas da segurança social ou fazer parte da intermináveis listas de desempregados. Temos o direito ao trabalho”, referiu António Basílio, representante dos trabalhadores da IFM-Platex. “Parece que os órgãos políticos, que podiam mudar a nossa situação, se querem esquecer de nós. Na última quinta-feira, não fomos recebidos no Governo Civil de Santarém e na Assembleia da República nem a Comissão Parlamentar de Trabalho nos ouviu. Só com muito esforço, e talvez devido à presença em peso da comunicação social, conseguimos ser atendidos por um assessor do primeiro-ministro”, lamentou. A sessão, onde se encontravam também ex-trabalhadores da construtora João Salvador, esgotou o auditório da biblioteca municipal
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