Antigos alunos recordam namoradas, histórias e pequenas “pulhices” da juventude
Encontro de antigos estudantes da Escola Industrial e Comercial de Santarém reuniu mais de 200 pessoas
Três e meia da tarde de sábado e a sala de refeições do restaurante do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, está cheia de cinquentões e sessentões. É o encontro de antigos alunos da Escola Industrial e Comercial de Santarém (EICS), que tem lugar anualmente no último sábado de Fevereiro. Este ano reuniram-se 212 pessoas entre antigos alunos e antigos funcionários e professores da escola. Criada em 1956 a EICS, que anos depois se passou a designar Escola Secundária de Marvila e, actualmente, tem o nome de Escola Secundária Dr. Ginestal Machado. Pelas quatro da tarde, após o almoço e a missa realizada na Igreja da Piedade em intenção dos antigos alunos, professores e funcionários já falecidos, é o som ritmado de Rafael Vargas que mais ordena com músicas portuguesas, brasileiras e latinas.Na pista de dança vai bailar quem se conheceu com 14 e 15 anos. Os mais calmos ficam nas mesas a conversar. Marília Jorge é das irrequietas. “Frequentei a Escola Dr. Ginestal Machado em 1983 porque vivi no estrangeiro e não reconheciam o meu curso cá”, conta a O MIRANTE, ainda ofegante de mais um pezinho de dança. “É bom dançar, conviver e recordar outros tempos”, acrescenta.Um grupo de amigos fecha-se em gargalhadas numa roda. Carlos Portela, de Alcoentre, Euclides Bonito, da Póvoa de Isenta, Armindo Durão, de Santarém, e Eduardo Xavier, de Pernes, voltam a ter 13 anos de idade. “O Bonito estava a recordar as namoradas que teve, foram várias”, diz Armindo Durão para o “galã”. “Ele não tem só o Bonito de nome, teve um certo ascendente nesse capítulo e que ficou na memória de todos”, confirma Carlos Portela. Euclides Bonito não revela o segredo. Prefere salientar como, tantos anos depois, se reconhece alguém em pormenores como um riso ou sorriso, um gesto ou expressão, ou pela voz. Daí às perguntas vai um ápice. “Como estás? Continuas bem na vida? Ainda estás casado?” Cada vez que se encontram há uma história diferente.“O nosso espírito é o dos 14 e 15 anos e das pulhices. Das pequenas pulhices que fazíamos uns aos outros, que comparadas com as de agora eram pequenas brincadeiras”conta António Serranho, do Vale de Santarém, que se junta à conversa. Como a que por passou Eduardo Xavier que queimou as mãos nas tenazes aquecidas por um colega numa aula de Oficinas. A EICS marcou toda a gente pela forma como ensinou e preparou futuros técnicos para a vida profissional. À época ministravam-se os cursos de Comércio, Formação de Serralheiros e Formação Feminina. Mais tarde surgiu o curso de Secretariado/Administração. “A minha maior recordação é a formação que me ajudou a agarrar o comércio na teoria e na prática”, conta João Carlos Neves, do Cartaxo. Da festa, onde esteve presente o primeiro director da escola, Benjamin José Gonçalves, e o actual director, Vítor Barreto, resultou a escolha do símbolo do grupo de ex-alunos e do blog a criar (alfageme-santarém). A festa acabou perto das 22h30. Para Manuel João Sá, um dos organizadores do encontro, fica a palavra para José Cardoso, um dos mais empenhados ex-alunos, recentemente falecido, “que até camisas suplentes levava para ir mudando ao longo do dia da festa”.
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