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Chichorro muda-se para Ourém e diz que a mudança pode ser definitiva

Chichorro muda-se para Ourém e diz que a mudança pode ser definitiva

Artista Plástico moçambicano está a recuperar casa no Vale da Perra, Atouguia
Edição de 07.04.2010 | Sociedade
O artista plástico moçambicano Roberto Chichorro está a recuperar uma casa em Vale da Perra, Ourém, onde irá passar a residir e trabalhar. Em declarações a O MIRANTE confessa que a mudança poderá ser definitiva. “Tenho a impressão que esta vai ser a minha última casa, uma vez que já lá vai o tempo em que planeava todos os anos regressar a Moçambique”. Natural de Maputo, antiga Lourenço Marques, onde nasceu a 19 de Setembro de 1941, o artista veio para Portugal em 1986 com uma bolsa do Estado Português e aqui ganhou raízes e criou família. A ligação a Ourém foi feita através da cooperativa “Som da Tinta”, uma livraria e editora com sede em Ourém, entretanto desaparecida. Fez uma exposição na Galeria Municipal de Ourém em 2005 e voltou várias vezes para rever os amigos, acabando por descobrir uma casa em ruínas no Vale da Perra, freguesia de Atouguia, que adquiriu. “Queríamos uma zona tranquila, para viver na velhice e fugir da cidade”, esclarece. “Achámos que estava na altura”.Aos 68 anos de idade, Chichorro diz que sentiu o apelo do campo. “Eu sou do campo. Sou mestiço, cresci na zona suburbana, do lado da cidade de cimento”, refere. O artista passou a sua infância na Malafala, um bairro entre a cidade colonial dos brancos e a cidade de caniço dos negros, vivência que se encontra repercutida na sua obra plástica.De momento, encontra-se a “pousar a mala”, terminando as obras da casa, uma moradia com uma larga vista sobre o monte e o castelo de Ourém, num canto sossegado e pacato do concelho. Recebe O MIRANTE numa manhã de sol em que se pressente a chegada da Primavera. Perante uma tela em branco assente num cavalete conversa sobre o seu trabalho e a recente mudança. “Eu trabalho sempre nos sítios onde vivo. O meu atelier é um sítio onde estou porque é uma continuação de mim e do que eu sou. É aqui que vou continuar o meu trabalho”. Ainda não conhece bem a nova terra e as suas gentes mas vai investir no convívio porque diz viver das pessoas e para as pessoas. Quanto à influência que o lugar possa vir a ter na sua arte confessa que “nenhuma terra muda a pintura” que realiza uma vez que a sua inspiração se alimenta no mundo dos sonhos e dos desejos das pessoas. “Se fosse paisagista a mudança teria influência directa na minha arte, mas não é o caso. A transformação dar-se-á mais naquilo que eu sou”, explica. Chichorro expôs em Março um conjunto de 15 quadros ‘Serenatas com Noivamentos Enluarados’ no Centro Cultural Português/Instituto Camões (CCP/IC) da Cidade da Praia, em Cabo Verde e está a preparar exposições em Lisboa e em Outubro para Setembro e Outubro, respectivamente.
Chichorro muda-se para Ourém e diz que a mudança pode ser definitiva

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