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Conselho da Europa aprova itinerário de arte rupestre com início em Mação

Edição de 23.06.2010 | Sociedade
O Conselho da Europa (CE) aprovou o primeiro troço em Portugal da rota cultural de arte rupestre europeia, que passa a ter início no Vale do Ocreza, em Mação, disse o director do Museu de Arte Pré-Histórica local. O troço português inclui além do Vale do Ocreza, o Vale do Côa (Vila Nova de Foz Côa) e o Escoural (Montemor-o-Novo), estendendo-se esta rota até à Escandinávia passando por vários países europeus.O novo Itinerário do Património Comum Europeu (ICCE) - “Caminhos da Arte Rupestre Pré-Histórica”, agrupa agora praticamente todos os destinos turísticos europeus centrados em sítios de arte rupestre, com pinturas e gravuras que surgem na Europa há cerca de 35.000 anos, grande parte dos quais concentrados no sudoeste Europeu (Portugal, Espanha, França) e em certas áreas da Irlanda, Escandinávia e norte da Itália. “No seu conjunto”, segundo disse Luiz Oosterbeek, diretor do Museu de Arte Pré-histórica de Mação e um dos proponentes do novo itinerário europeu, “trata-se de uma centena de destinos arqueológicos de grande interesse científico, cultural, artístico, arqueológico e paisagístico, que “incluem manifestações figurativas, esquemáticas e mesmo abstractas”, realizadas em tectos e paredes de grutas, abrigos, afloramentos rochosos e monumentos megalíticos.Agrupando sítios como o Ocreza, Côa e Escoural em Portugal e outros locais em Espanha, França, Itália, Suécia e Noruega, e em paralelo com outras rotas como os “Caminhos de Santiago”, as grutas de Altamira ou a “Rota dos Vikings”, a proposta agora aprovada pelo Comité Director do CE “ligará as mais antigas expressões artísticas do continente”, sendo os recursos patrimoniais implicados enclaves com arte rupestre pré-histórica e proto-histórica da Europa abertos ao público de forma controlada.Estes sítios estão integrados na Associação Internacional Caminhos da Arte Rupestre Pré-Histórica, coordenada a partir da Cantábria, em Espanha, e cuja vice-presidência cabe à Câmara Municipal de Mação, em virtude do projecto do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e do Percurso Rupestre do Ocreza, no rio Tejo.Segundo afirmou Luiz Oosterbeek, com esta aprovação, foi criado o primeiro Itinerário Cultural do Conselho da Europa baseado em destinos da Pré-História Europeia, num “reconhecimento que as primeiras expressões artísticas desenvolvidas pelo Homo Sapiens em grutas, afloramentos rochosos e estruturas megalíticas são parte de um passado comum”. “Portugal, com a iniciativa de criar o Parque Arqueológico de Foz Côa e, mais tarde, de criar o primeiro Mestrado Europeu de Arte Pré-Histórica em Mação, com o Instituto Politécnico de Tomar e a Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), contribuiu para que a Europa e o mundo mudassem a sua percepção sobre a importância da arte rupestre”, afirmou o responsável.“Hoje”, continuou, “é também a Unesco que concede nova prioridade à organização de arquivos de arte rupestre mundial e a reconhece, cada vez mais, como uma raiz fundamental da nossa identidade colectiva como espécie”. Segundo Oosterbeek, a nova rota agora aprovada “é o embrião de novos projectos de turismo cultural e desenvolvimento sustentável a nível local, regional e Europeu, com especial incidência no meio rural, no qual se situam a maior parte das expressões artísticas da Pré-História”.

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