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Câmara de Azambuja recupera Mosteiro das Virtudes sem ajuda do Governo

Câmara de Azambuja recupera Mosteiro das Virtudes sem ajuda do Governo

Obra custou perto de meio milhão de euros e permite a reabertura do monumento ao fim de 200 anos

Depois de quase 200 anos a degradar-se, o município de Azambuja recuperou um dos mais emblemáticos mosteiros do seu concelho. O presidente do município disse que se o monumento estivesse nas mãos do Estado, ainda estava por recuperar.

Edição de 24.06.2010 | Sociedade
A recuperação do Mosteiro de Santa Maria das Virtudes, na freguesia de Aveiras de Baixo, concelho de Azambuja, custou aos cofres da Câmara Municipal meio milhão de euros. Não houve, da parte do Governo, qualquer comparticipação para recuperar um património que se estava a degradar há quase dois séculos. Mesmo assim, isso não impediu o responsável da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo (DRCLVT), João Soalheiro, de estar presente na cerimónia de inauguração da recuperação do monumento, no sábado, 19 de Junho. O presidente da Câmara de Azambuja, Joaquim Ramos (PS), disse que a recuperação do mosteiro surge da combinação de “boas vontades”, da antiga proprietária e da câmara municipal. “Se este património estivesse nas mãos do Estado ainda estaria por recuperar, certamente”, ironizou Joaquim Ramos, em clara alusão a dois importantes monumentos do concelho que também aguardam intervenções urgentes por parte do Governo: o Palácio das Obras Novas e a fachada do Palácio de Pina Manique. Mas este último monumento deve entrar em obras em breve (ver caixa). Em resposta a O MIRANTE o responsável da DRCLVT, João Soalheiro, considerou que a ironia do presidente azambujense “não choca ninguém”. “É a realidade que se conhece em termos nacionais. Neste momento não há possibilidade de se fazerem os investimentos necessários para cuidar de todo o património a nível nacional. Temos de eleger prioridades”, afirmou. João Soalheiro classificou a afirmação do presidente da câmara como “natural”, acrescentando que “todos reconhecemos que o nosso país não tem condições económicas e financeiras para proteger da mesma forma e de forma sistemática o riquíssimo património que tem à sua disposição”. O mosteiro agora recuperado inclui um claustro, capela e uma bancada superior. Situado a poucos metros do apeadeiro ferroviário, o edifício vai ser palco, dentro de poucos meses, de uma exposição permanente sobre a sua importância histórica e cultural, onde estarão disponíveis várias peças encontradas pelos arqueólogos e historiadores durante as obras de recuperação. “Até aos 10 anos este espaço foi uma parte importante da minha meninice e está presente em todas as minhas memórias de infância. Mas o mosteiro estava de tal forma degradado que foi impossível recuperá-lo tal como era. Foi feito um trabalho de recuperação tão próximo quanto possível da sua traça original”, referiu Joaquim Ramos a O MIRANTE.O Mosteiro das Virtudes foi um dos imóveis classificados de interesse municipal em situação de ruína e, além de servir de local para o culto religioso, vai também ser aberto para conferências, concertos e outras exposições. No mesmo dia foi inaugurada a nova sede da Associação Recreativa das Virtudes, que irá promover em Setembro a tradicional Feira Medieval e em Outubro várias actividades associadas ao mês da música.Obras no Palácio de Pina Manique arrancam no prazo de um mêsAs obras de consolidação da fachada do Palácio de Pina Manique, na freguesia de Manique do Intendente, poderão arrancar dentro de 30 dias. A promessa é de João Soalheiro, responsável da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo. O mesmo responsável já havia prometido em Março a O MIRANTE que as obras se iriam iniciar até ao final da primeira quinzena de Abril. Depois de alguns retrocessos e complicações com a adjudicação dos trabalhos, João Soalheiro garantiu que desta vez a obra vai mesmo para a frente. “Vão começar muito em breve. Está contratualizado e vamos fazer a consignação. Em menos de um mês as obras arrancam, posso garantir e eu vou lá estar no início das obras. Já foram ultrapassados todos os procedimentos administrativos necessários”, esclareceu, acrescentando que não comentaria mais o assunto. O presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Joaquim Ramos, mostrou-se esperançado. “Fico muito contente em saber disso e acredito que a obra arranque, há vários meses que ando a acreditar nas palavras do director geral”, rematou. A fachada do Palácio de Pina Manique, recorde-se, corre o risco eminente de se desmoronar dado o seu avançado estado de degradação.
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