uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Pintor que tenta bater recorde de Picasso vai criar linha de mobiliário original em Ourém

Pintor que tenta bater recorde de Picasso vai criar linha de mobiliário original em Ourém

A ideia é criar móveis estampados com serigrafias que identifiquem a sua origem no concelho

Até dia 9 de Julho, Fernando De la Mancha encontra-se num espaço da Câmara Municipal de Ourém com uma exposição e um cartaz que anuncia o seu objectivo.

Edição de 30.06.2010 | Cultura e Lazer
Tratam-no por Fernando De la Mancha, mas o seu verdadeiro sobrenome é Rocha. Este luso-brasileiro de 51 anos iniciou há três meses a missão de tentar bater o recorde do Guiness Book que até hoje é detido pelo pintor espanhol Pablo Picasso: pintar mais de 13.500 quadros, o maior número de sempre. Se Picasso levou toda uma vida, De la Mancha quer fazê-lo em dois anos e não considera o seu objectivo quixotesco, embora o nome artístico remeta para o cavaleiro da triste figura criado por Cervantes. Quando falámos com ele já estava perto dos 2.500. E pelo meio ainda tem tempo para planear criar uma linha exclusiva de móveis em Ourém, recorrendo a serigrafias. Até dia 9 de Julho, sexta-feira, encontra-se num espaço da Câmara Municipal de Ourém com uma exposição e um cartaz que anuncia o seu objectivo de bater o recorde do espanhol Picasso. A chegada à região deu-se através de um empresário do sector do mobiliário de Vilar dos Prazeres, Ourém, que se interessou pelos seus trabalhos sobre madeira.A ideia é criar uma linha de móveis estampados, que possa ser identificada como única de Ourém. Por exemplo, uma porta de um armário, em madeira, sobre a qual se estampa uma serigrafia de uma paisagem da zona. “Eles não têm uma linha própria e esta torna-se uma linha original de Ourém, de móveis estampados”, que poderá depois ser exportada para o Brasil ou África, explica.O projecto procura combater a crise na indústria do móvel de Vilar dos Prazeres e vai usufruir das muitas capacidades do artista, que sabe fazer um pouco de tudo a nível artístico e também é carpinteiro. De la Mancha planeia ficar algum tempo por Ourém, trabalhando para a indústria do móvel. A região, refere, “tem muita coisa bonita”, salientando o castelo, as igrejas ou os moinhos. “Vou explorar esta área”, comenta, referindo que está a estudar vários aspectos da zona e que em breve começa a pintá-los. “A ideia é que em cada cidade que eu passe, eu pinte as características da região”. De la Mancha pretende fazer o seu percurso dos próximos dois anos por cidades portuguesas, passando ainda por países como Espanha, França ou Itália, o continente africano, terminando novamente numa cidade lusa. “Poderia ser Ourém, que me deu um impulso muito grande”, mas o pintor ainda não se decidiu. “Seguramente quero fazer numa cidade portuguesa a entrega do prémio”. O objectivo de conquistar o recorde de Picasso tem muito que se lhe diga e não é o que aparenta. Na teoria, o pintor espanhol pintou mais de 13.500 quadros. Na prática, explica De la Mancha, estamos a falar de 3501 quadros e 10.001 gravuras e/ou desenhos. E “13.500 quadros não são apenas pinturas, porque as técnicas mudam”, nota. Uma diferença que a maioria das pessoas não entende logo à partida. Até aquela manhã de 22 de Junho, o número já ia em 2420, tudo bem documentado e registado, para que a avaliação do Guiness não tenha com que negar o prémio.Natural de Recife, Brasil, Fernando De la Mancha sempre gostou de cores e ao longo do seu crescimento foi notando que possuía uma sensibilidade e aptidão especiais para as artes. “Na escola já ganhava dinheiro a fazer os trabalhos de artes dos meus colegas, que preferiam jogar futebol”, recorda rindo.O grande passo na sua vida deu-se quando entrou para o departamento artístico da Rede Globo, com pouco mais de 20 anos e sem nenhuma formação académica superior na área. Viveu em Ibiza, França, Itália, Inglaterra, Canárias, Portugal, trabalhando em marketing e publicidade. Apreciador do livro de recordes do Guiness, foi conhecendo cada vez mais a vida de Picasso e percebeu que poderia conquistar o seu recorde.“Não vou imitar Picasso”, sublinha, “o que eu tenho é que superar os números do Guiness”. Aos que dizem que o recorde pertence ao pintor espanhol, De la Mancha nota que já passaram quase 40 anos desde a sua morte e “tem que aparecer outra pessoa que supere o que o génio fez”.
Pintor que tenta bater recorde de Picasso vai criar linha de mobiliário original em Ourém

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...