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Presidente da Terra do Móvel demite-se

Presidente da Terra do Móvel demite-se

Carlos Silva desistiu e associação de Vilar dos Prazeres corre agora o risco de desaparecer
Edição de 30.06.2010 | Economia
O presidente da associação Terra do Móvel, Carlos Silva, demitiu-se do cargo. A instituição foi criada em 2004, no intuito de apoiar as empresas do sector do mobiliário de Vilar dos Prazeres, freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, Ourém. Mas se no início esta englobava cerca de 37 empresas do ramo e 700 empregados, hoje, em resultado das insolvências, está reduzida a menos de metade, com menos de 350 funcionários, num número com tendência a baixar. Após um período em que procurou contrariar a tendência de queda iminente, Carlos Silva desistiu e demitiu-se do cargo. A associação corre agora o risco de desaparecer. Foram vários os factores que o levaram a tomar esta atitude, explicou Carlos Silva a O MIRANTE. “Aquilo que propus era fazer uma fusão de empresas”, na tentativa de salvar o sector, criando um grupo com capacidade competitiva e dinamismo. A iniciativa teria o apoio do Ministério da Economia e a Câmara Municipal de Ourém faria parte do organismo, com uma quota simbólica. Mas um dos elementos de uma das nove empresas que estavam previstas para aderir à fusão “disse que não havia capacidade produtiva e qualidade” em Vilar dos Prazeres e a ideia caiu.Carlos Silva não desistiu e procurou junto do presidente do município de Ourém, Paulo Fonseca (PS), uma solução. “Mas o silêncio falou por ele”, comentou, apesar de notar que ao longo de todo o processo pôde sempre contar com o ex-governador civil de Santarém.Com o auxílio de Paulo Fonseca, recorda, aderiu-se ao Plano de Apoio ao Sector das Indústrias da Madeira e do Mobiliário (PASIMM), apresentado em Junho de 2009 no Centro de Negócios de Ourém. “Houve promessas e entregámos projectos” para o programa FIEAE - Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas, mas até ao momento não houve respostas. “Só me dizem que o projecto é viável”. “Desisti”, concluiu.Segundo Carlos Silva, ficou combinado marcar-se uma assembleia para se decidir o futuro da Terra do Móvel. Mas “está-se já a colocar em causa a Terra do Móvel”, a instituição “não funciona”, sublinhou. “Não há associativismo”.Um sector em quedaA indústria do mobiliário de Vilar dos Prazeres está ligada ao sector da construção civil, sofrendo actualmente da crise que também afecta essa área. “A hipótese seria virar para a exportação”, comenta Carlos Silva, mas nenhuma das empresas possui dimensão suficiente para enveredar por esse caminho. O também administrador da empresa de madeiras “VilarPlaca” defende que a região possui “qualidade” e conhecimento, pelo que “Vilar dos Prazeres tem possibilidades”. “Terá que passar por uma equipa comercial unida”, notou. O sector dá indirectamente emprego a cerca de 2 mil pessoas. É “um motor de funcionamento da economia local”, constata. No entanto, não se tem investido na reconversão do tipo de produção, face à concorrência. E as falências vão-se sucedendo. Por isso, no futuro, “há que criar um nicho de mercado para o sector médio alto”, refere, notando que Vilar dos Prazeres é um grande fornecedor da Moviflor. “Tem que passar pela exportação, talvez para os PALOP, a Europa, a América”. “Unir sinergias”, defende, é a hipótese de sobrevivência desta área. No âmbito do FIEAE, Carlos Silva lembrou ainda que a dado momento foi entregue ao Governo uma interpelação sobre a Terra do Móvel, mas os seus representantes nunca foram chamados para discutir o assunto. A deputada Carina João (PSD), uma das que se envolveu no projecto, esclareceu a O MIRANTE que até à data não houve efectivamente nenhuma resposta.A deputada adiantou ainda que, no âmbito da Comissão de Economia, existe uma ideia, ainda “embrionária”, para a criação de um grupo de trabalho mais especializado para o sector do móvel, de modo a “dar voz” a esta área.
Presidente da Terra do Móvel demite-se

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