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Sérgio Gomes

32 anos, engenheiro técnico civil, Entroncamento

Nasceu no Entroncamento a 13 de Janeiro de 1978. Desde cedo se habituou a trabalhar, ajudando os pais nas duas lojas de supermercado que abriram na cidade, a “Casa Gomes”. Tirou o curso de engenharia civil que terminou em 1999 e em 2003 decide dar continuidade ao nome da firma, que mudou do ramo alimentar para a engenharia. Divorciado, aproveita os poucos tempos livres que tem e as oportunidades para brincar com o filho Martim e aí desliga a sério do trabalho.

Edição de 30.06.2010 | Economia
Escolhi frequentar o curso de engenharia civil e acho que acertei. Depois de ter feito toda a minha escolaridade no Entroncamento, ingressei com 18 anos no Instituto Politécnico de Tomar. Foi uma escolha feita com três meses de antecedência, até porque estava no ramo de saúde. Fiz o bacharelato em Tomar e prossegui a licenciatura na Universidade de Coimbra, que ainda estou para terminar. Fiz formação superior em Higiene e Segurança no Trabalho e formações específicas em Acústica.  A engenharia permite-me mais flexibilidade. Sempre quis exercer uma actividade profissional que não me obrigasse a estar fechado no mesmo espaço físico muito tempo. Cheguei a pensar em seguir medicina dentária mas mudei de ideias. Há dias que começo às oito da manhã numa obra em Lisboa e termino muito tarde pelo escritório. Por norma, chego cedo e saio tarde.    Fui criado no supermercado dos meus pais. Desde pequeno que sei mexer numa caixa registadora, atender clientes e me habituei a arrumar produtos nas prateleiras. O meu pai abriu um supermercado no Entroncamento, a Casa Gomes, há muitos anos, onde trabalhava com a minha mãe e os meus tios, actividade que sempre conciliou com a profissão de professor. Sempre senti vontade e gostava de os ajudar. Quando acabei o curso, o primeiro projecto de engenharia que fiz foi para o meu pai. Ainda hoje lhe digo que foi uma forma de lhe pagar o meu curso. No entanto, acho que ainda lhe devo uns euros.“Casa Gomes” é um tributo que faço aos meus pais e a todos os princípios que me ensinaram. Acabei o curso em 1999, altura em que comecei a fazer projectos. Senti necessidade de formar a empresa e adoptei a designação de “Casa Gomes”, que era a designação do supermercado que tinham. Passou de “Casa Gomes - Os Manéis” para “Casa Gomes Engenharia”. Comecei a trabalhar com um colega num sítio exíguo junto do antigo supermercado. Estamos há quatro anos nas instalações da Rua 25 de Abril, onde temos os gabinetes das várias áreas e apoio à clínica que temos no Entroncamento.   Prestamos serviços de Engenharia, Acústica e Segurança no Trabalho. Temos clientes em todas as zonas do país. Lidero uma equipa de seis colaboradores. Nem sempre é fácil gerir recursos humanos. Costumo dizer que ainda tenho muito para aprender e que todos os dias tropeço em alguma coisa nova. Mas penso que consigo chegar sempre a bom termo (risos). Não perco as estribeiras facilmente.Para mim todos os projectos têm a mesma importância. Aprendi isto com um cliente que, após alguns meses ausente, queria ter os projectos prontos em três dias. Expliquei-lhe que não era possível, que estávamos com outros trabalhos em mãos e ele, que tem idade para ser meu pai, disse-me para nunca descurar um cliente/trabalho por causa de outro. Há projectos que nos marcam pelo empenho e pelo tempo que lhe dedicámos, mas também pela amizade que fazemos com os clientes/amigos.  Não tenho um dia tipo. Perco muitas horas a fazer quilómetros de obra para obra. Há projectos, quer pela sua dimensão quer pela sua complexidade,   que se prologam  durante meses, desde a sua fase inicial até à conclusão da obra. Fazemos ensaios acústicos, na área de incomodidade, em bares e discotecas e são trabalhos que só se fazem durante a noite. Temos “timings” para cumprir e tenho a sorte de ter uma equipa que se empenha. Lido bem com o imprevisto. Tento sempre cumprir os objectivos e ultrapassar os obstáculos que se deparam com alguma calma. Os clientes têm um grau de exigência muito forte. Querem os assuntos resolvidos no menor espaço de tempo. A burocracia, em Portugal, atrapalha. O processo de entrega de processos de licenciamentos nas autarquias, por exemplo, varia de concelho para concelho, o que nos exige uma organização nada fácil.  Gosto de tirar fins-de-semana tranquilos. Sem me considerar um praticante, gosto de fazer natação - tive um acidente e comecei a fazer piscina por causa das minhas costas - e gosto de velejar no meu insuflável. Também já aconteceu sair de casa para tomar “café”, sem destino, para tirar uns dias e terminar a beber café debaixo da Torre Eiffel. Tento desligar-me do mundo. Quando posso, e gostava de estar muitas mais vezes, brinco com o meu filho Martim, de quatro anos e meio, que é um puto fantástico. Quando estou com ele, estou a cem por cento. Não tenho um só lema de vida, no entanto saúde e tranquilidade fazem bem a toda a gente.  Elsa Ribeiro Gonçalves

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