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População de Vila Franca de Xira está divorciada da Lezíria Grande

População de Vila Franca de Xira está divorciada da Lezíria Grande

Associação dos Beneficiários quer inverter situação e levar as pessoas até ao campo

Apesar da crise a Lezíria Grande de Vila Franca de Xira conseguiu estruturar as suas empresas. Abdicou das culturas de sequeiro e da pecuária e investiu em arroz e tomate e continua a gerar postos de trabalho. Aproximar a Lezíria à população é prioridade. Jorge Afonso da Silva

Edição de 30.06.2010 | Sociedade
A Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira reconhece que a população da cidade está divorciada e cada vez mais afastada dos agricultores e da actividade agrícola que se pratica na Lezíria Grande Vilafranquense. A ideia foi defendida pelo director executivo da associação, Joaquim Madaleno, durante o debate no Observatório de Inovação e Desenvolvimento Local (OIDL), na noite de quinta-feira, 24 de Junho, no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira sob o lema: Agricultura e Sustentabilidade.Joaquim Madaleno considera que é “extremamente importante” reaproximar a população da Lezíria, porque há cada vez mais pessoas “desligadas e afastadas da actividade agrícola e um maior desconhecimento”, numa terra onde a agricultura já foi dos sectores que mais gente empregou. Inverter a situação é uma prioridade e o responsável aponta um caminho. “Tem de ser através da divulgação e do debate sério sobre os problemas, as consequências e o trabalho dos agricultores. É preciso trazer as pessoas até aos campos da Lezíria para que vejam as culturas e como é que produzimos”, sublinhou. Para o director executivo da associação é importante as pessoas “ficarem a saber como é que é feita a aplicação de herbicidas, pesticidas ou adubos. Todo o serviço técnico. Como são feitas as análises. Todo esse processo da produção é muito importante para que as pessoas saibam diferenciar um produto que tem qualidade de um outro que não tem”, explica Joaquim Madaleno a O MIRANTE, acrescentando que o agricultor de hoje não é o mesmo que há 50 ou 60 anos. “Não é um analfabeto. Tem de ter grandes conhecimentos técnicos e formação”, salienta.Actualmente a Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira congrega cerca de 340 agricultores nem espaço que ronda os 14 mil hectares: três mil hectares estão a ser usados para o cultivo de arroz; dois mil para o tomate; o milho ocupa uma área de 1500 hectares e à volta de mil hectares destinam-se a hortícolas em fresco. O restante espaço é ocupado com forragens e pastagens. Uma clara inversão ao que era tradicionalmente produzido na Lezíria Grande, potenciada pela crise generalizada que se foi instalando. “Tivemos a capacidade de estruturar as nossas empresas. Os agricultores fizeram um enorme investimento. Mudámos a produção de sequeiro e a pecuária e virámo-nos para o arroz, o tomate e o milho. Continuámos a gerar postos de trabalho e este ano aumentamos em cerca de 700 hectares a produção do arroz ”, revela Joaquim Madaleno.A produção do tomate duplicou, sendo quase todo ele exportado para a indústria europeia, uma vez que o nosso país é auto-suficiente. Presente no debate esteve também um responsável pela Orivárzea, que agrega 30 produtores com um total de 2900 hectares. É a maior produtora europeia de arroz e detém 25 por cento da produção nacional de arroz. Joaquim Morais Bravo defendeu a qualidade e a diferenciação do arroz carolino produzido na Lezíria. Grandes superfícies mataram a produção do melão na LezíriaA transformação na comercialização, a política levada a cabo pelas grandes superfícies e a falta de adaptação dos agricultores a uma nova realidade, são as grandes causas que levaram a que os agricultores deixassem de produzir melão. Anteriormente o melão era comercializado para as mercearias, comércio local e retalho. Com o aparecimento das grandes superfícies as coisas mudaram radicalmente em virtude das regras por elas impostas. “A dada altura a postura das grandes superfícies foi a seguinte: vamos acabar com os intermediários e trabalhar directamente com os agricultores. Mas a seguir nós ficamos com as margens dos intermediários e vocês agricultores, ficam com os encargos dos intermediários. Claro que maior parte dos agricultores fecharam a porta. Confrontados com uma nova realidade não tiveram capacidade para se reconverterem. Ainda existem meia dúzia”, revela o presidente executivo da Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Joaquim Madaleno acrescenta ainda que o melão da Lezíria só se produz entre 15 de Julho e 15 de Agosto, respondendo a um elemento presente na audiência, que perguntou se os melões que se vendem na Recta do Cabo são mesmo da Lezíria ou se vêm de Espanha.
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