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Colete Encarnado é uma festa com tradição

É no primeiro fim-de-semana de Julho que Vila Franca de Xira exalta as tradições e demonstra a vertente de cidade tauromáquica. Entre os dias 2 e 4 a cidade recebe milhares de visitantes para as festas do Colete Encarnado, que são também um ponto de encontro e convívio entre os habitantes do concelho. Quem vive em Vila Franca de Xira não deixa de passar pelas festas.

Edição de 30.06.2010 | Suplemento Colete Encarnado
Álvaro Costa, 39 anos, Gerente de lojaPara Álvaro Costa, 39 anos, o Colete Encarnado é um ponto de reencontro com os amigos que normalmente não vê durante todo o ano porque estão fora. Quando era mais jovem, o vilafranquense era um assíduo frequentador das festas. Pai de um filho pequeno, revela que esse papel lhe retira tempo para, actualmente, poder ir mais vezes até ao recinto das festividades. Gosta particularmente da diversão, das tasquinhas, da sardinhada e da confraternização. O Colete Encarnado e a Feira de Outubro são duas iniciativas que recomendaria a um amigo que quisesse visitar a sua terra. Fora isso, afirma, Vila Franca de Xira não tem grandes atractivos. O gerente lamenta que muitas lojas do Vila Franca Centro estejam fechadas. Um cinema é das coisas que mais sente falta em Vila Franca de Xira.Hélder Alfaia, 28 anos, Técnico de reparação de tacógrafosHélder Alfaia mora em Marinhais e nunca esteve no Colete Encarnado, apesar de ter vontade de visitar as festas, como aficionado que é. Apesar da distância, conhece relativamente bem Vila Franca de Xira. Na cidade gosta particularmente do jardim que existe à beira-rio por trás da estação dos comboios (Jardim Constantino Palha). Quando pode, aproveita para dar uns passeios junto à zona ribeirinha. O maior problema que sente quando chega à cidade é atravessá-la. Considera que há muita confusão e muito trânsito, principalmente na entrada Norte, pela rua Alves Redol, que sofreu obras no ano passado.”Já conheço Vila Franca há alguns anos e lembro-me de ver a cidade sempre com obras”, afirma Hélder Alfaia.Neuza Almeida, 31 anos, Empresária Natural de Vila Franca de Xira, Neuza Almeida, 31 anos, diz que só à noite é que costuma passar pelas festas do Colete Encarnado para ver o ambiente e as tasquinhas. Como não é aficionada, dispensa as largadas de toiros. Para a edição deste ano já convidou alguns familiares para virem ver, pela primeira vez, como é o Colete Encarnado. No seu entender, além do Museu do Neo-Realismo e da zona ribeirinha que liga Vila Franca de Xira a Alhandra, a cidade pouco mais tem de atractivo. “Mesmo à noite não tem qualquer tipo de entretenimento”, diz. Uma Loja do Cidadão é o que, no entender de Neuza Almeida, mais falta lhe faz no seu dia-a-dia, uma vez que, para tratar de algum assunto, tem sempre de se deslocar até Lisboa.Paulo Farinha, 38 anos, Empresário Paulo Farinha nasceu na Alemanha mas trabalha actualmente em Vila Franca de Xira. O proprietário de um stand de automóveis assume que não é um frequentador assíduo das festas do Colete Encarnado, mas sempre que pode, passa pelo recinto.Caso tivesse que recomendar a um amigo algo para ver na cidade, só lhe ocorre as tascas, garraiadas e os conjuntos musicais que tocam durante o Colete Encarnado. “Além disso não tem mais nada. Talvez o passeio ribeirinho” afirma. No seu dia-a-dia, Paulo Farinha sente a falta de mais espaços verdes e zonas de lazer na cidade. No seu entender, Alverca do Ribatejo, está mais desenvolvida a todos os níveis que Vila Franca de Xira, que é sede do concelho.Alice Lambuça, 71 anos, ComercianteComo vilafranquense que é, Alice Lambuça, 71 anos, gosta do Colete Encarnado. Mas o facto de ter que trabalhar na sua loja, tira-lhe tempo que gostava de ter para ir mais vezes até ao recinto das festividades. Mesmo assim, às vezes à noite, dá um saltinho até à festa. A comerciante lamenta que a cidade esteja a morrer. “Mesmo em termos de festas. Vila Franca de Xira já não é o que era”, garante. Apesar disso aconselharia os seus amigos a visitarem a cidade durante esse período festivo que, no seu entender, não foi devidamente anunciado, à semelhança de outros eventos que se vão realizando pela cidade. Quando se pergunta do que é que mais sente falta no seu dia-a-dia a resposta não podia ser mais clara. Clientes. “Como não há iniciativas que chamem mais pessoas de fora, a não ser o Colete Encarnado e a Feira de Outubro, ninguém visita Vila Franca de Xira”, refere.Maria de Fátima Santos, 47 anos, Funcionária de clínica Não nasceu em Vila Franca de Xira mas considera-se vilafranquense de gema, uma vez que veio muito nova morar para a cidade ribatejana. Maria de Fátima Santos, 47 anos, não costuma ir com regularidade ao Colete Encarnado. Diz que nunca lhe foi incutida essa tradição mas, garante que “há sempre tempo para uma voltinha pelas festas”. A Feira de Outubro e a Feira do Cavalo são dois eventos que recomendaria aos amigos que quisessem visitar a terra. No entanto deixa um lamento. “É um crime ver a destruição de monumentos como a Quinta do Farrobo e a Quinta do Palear. Podiam recuperar, nem que fosse para turismo rural”, sugere. A falta de uma oferta satisfatória ao nível dos transportes públicos, é aquilo que, Maria de Fátima Santos, mais sente falta no seu dia-a-dia.Fernando Soares, 73 anos, Médico estomatologistaEstá há cerca de meio século em Vila Franca de Xira. Hoje, com 73 anos, Fernando Soares continua a achar interessantes as festas do Colete Encarnado. Mas lamenta que estejam a ficar descaracterizadas da sua matriz originária. “Quando vim para a cidade faziam-se arraiais e demonstrações do que era realmente a festa brava. Não deviam ser só as esperas. Mas os tempos mudaram”, refere o médico. Se convidasse alguém a vir até Vila Franca de Xira esperaria que as pessoas gostassem da cidade. Coisa cada vez mais difícil, afirma.“Já se comeu bem aqui. Hoje é difícil encontrar um bom restaurante. Só se fazem corridas de toiros nas festas. Temos um espaço espectacular que está subaproveitado que é o Ateneu Artístico Vilafranquense”. Fernando Soares diz que fazem falta bons acessos ao hospital.Lurdes Assunção, 66 anos, ComercianteO desfile de campinos e atrelagens pelas principais ruas da cidade que se realiza no sábado é o que mais agrada a Lurdes Assunção, de entre o programa das festas do Colete Encarnado. Com 66 anos, assume que essa é a única iniciativa que gosta nos dias de festa. “A partir daí não vejo mais nada. Depois é confraternizar com os meus amigos na noite do Colete Encarnado. Mas uma coisa privada”, conta.Lurdes Assunção afirma que Vila Franca de Xira não está muito virada para atrair turistas. Ainda assim, sugeria aos amigos que visitassem o Jardim Constantino Palha e o passeio ribeirinho que liga a cidade a Alhandra.No seu entender, o comércio na cidade está a morrer aos poucos. “É preciso criar algo para atrair as pessoas. Podia-se construir uma universidade na antiga Escola da Marinha. Seria um pólo de desenvolvimento”, refere.Samuel Póvoa , 66 anos, OurivesSempre que pode, Samuel Póvoa, 66 anos, marca presença nas festas do Colete Encarnado. As largadas de toiros são as actividades que este vilafranquense aguarda com mais expectativa. Mas, de uma forma geral, gosta de toda a envolvência que caracteriza a festa, que costuma atrair milhares de pessoas a Vila Franca de Xira.Sobre a cidade, o ourives recomendaria aos visitantes que dessem um salto até à zona do Monte Gordo, ao Jardim Constantino Palha, ao Jardim de Santa Sofia ou à emblemática praça de toiros Palha Blanco. Diz ainda que há bons restaurantes em Vila Franca de Xira. A falta de um maior policiamento na cidade é o que Samuel Póvoa mais sente falta no seu dia-a-dia, em particular na zona junto à igreja. “De vez em quando a polícia passa aqui. Mas devia passar mais vezes”, defende.

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