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Árbitros acusam Fundação do Inatel de chantagem e falta de honestidade

Árbitros acusam Fundação do Inatel de chantagem e falta de honestidade

Promessas feitas no início e ao longo da época ficaram por cumprir

Em causa continua a tabela de honorários e a contagem de quilómetros nas deslocações e também a actuação do director da Agência de Santarém, António Rola.

Edição de 01.09.2010 | Desporto
A maioria dos árbitros filiados na Agência de Santarém da Fundação do Inatel continuam em desacordo com a forma como lhes é imposta a tabela de honorários e também a maneira como lhes são feitas promessas que depois não são cumpridas.A equipa de arbitragem chefiada por Rui Mendes e composta por Fernando Costa e Gilberto Costa, deu a cara na defesa dos interesses dos árbitros, e disse a O MIRANTE que “o Inatel, através do até há pouco tempo director da agência de Santarém, António Rola, só tem prejudicado os árbitros e feito chantagem para que continuem a arbitrar jogos, a troco de quase nada”.Tudo começou quando no início da época passada foi apresentada uma tabela de honorários aos árbitros. “Quase indigna”. Que começava por fazer andar 30 quilómetros de borla nas deslocações, “Tiravam-nos 30 quilómetros e pior ainda faziam a quilometragem, não pelos quilómetros que andávamos mas por GPS e muitas vezes andávamos 120 ou até 160 quilómetros e depois só nos pagavam pouco mais de metade, porque era isso que o GPS marcava. Deviam fazer a medição em linha recta. Ao longo da época fomos reclamando e o que o director nos dizia era que íamos ser compensados. Pura mentira de compensação não tivemos nada”, diz Rui Mendes.“O Inatel continua a brincar com as pessoas que se predispõem a arbitrar jogos do seu campeonato. Infelizmente existem ‘árbitros’ que se deixam manipular e continuam a fazer os jogos a troco de nada ou de promessas sem nexo”, diz Rui Mendes, secundado por Fernando Costa e Gilberto Costa.Na tabela em questão era mencionado que no final da época os árbitros receberiam uma compensação consoante o número de jogos que fizessem. “Nós fizemos 26 jogos, a fazer fé na informação que o director António Rola dos transmitiu no início da época, numa altura em que estávamos em greve, devíamos ter recebido 215 euros cada um, pura ficção, recebemos muito menos porque nos vieram dizer que afinal as contas eram feitas no final de cada fase e assim nunca atingiríamos aquela soma. Enviaram-nos 55 euros, que devolvemos para que os entregassem aos mendigos da arbitragem que fizeram com que esta instituição descesse tão baixo”, disseram os árbitros.Como o descontentamento reinava entre os árbitros, foram levadas a cabo ao longo da época “várias manobras de diversão”, em Janeiro foi enviado um ofício a todos os árbitros, com um questionário onde era solicitado, o número de camisola, de calções e de botas que vestiam. “Era para fazer crer que iam cumprir uma promessa já antiga, de fornecerem um equipamento de árbitro a cada elemento da equipa. Foi mais uma forma de chantagem, porque até hoje nada foi enviado”, referiu Rui Mendes.Rui Mendes lamenta que os árbitros estejam completamente divididos. “Sei que há muitos colegas que, como nós, não vão arbitrar jogos face a esta tabela e a estas chantagens, mas tenho pena que haja um grupo que está disposto a tudo e faça tudo o que os dirigentes do Inatel querem”.Entretanto os árbitros receberam uma circular a convocar os árbitros para uma acção de formação, com carácter obrigatório. Rui Mendes não discorda da formação mas pergunta se não seria mais proveitoso que o Inatel fizesse essa formação com os dirigentes dos clubes. “Podia ser que deixassem de ser os principais arruaceiros nos jogos das suas equipas”.Também aqui aparecem contradições no mínimo irracionais. O Inatel “obriga” os árbitros ou a tornarem-se sócios da instituição, “ou então terão de pagar 20 euros para fazer a formação. Isto se não fosse grave dava até para rir”, dizem os árbitros. Rui Mendes, Fernando Costa e Gilberto Costa garantem que gostam muito de arbitrar jogos de futebol, “mas nestas condições de certeza que não vamos voltar a arbitrar nos jogos do Campeonato da Fundação do Inatel. Acreditamos que como nós muitos outros colegas o vão fazer. Apelamos mesmo a que não se deixem levar pelas promessas que já se sabe não vão ser cumpridas”, dizem os três em uníssono. O MIRANTE tentou obter uma posição oficial sobre o assunto, mas apenas conseguiu saber que os árbitros vão ser informados da posição da Fundação durante a acção de formação que vai decorrer em Alcanena, e que, nessa altura, todos os árbitros que participem na acção receberão um equipamento de árbitro, como estava previsto.
Árbitros acusam Fundação do Inatel de chantagem e falta de honestidade

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