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Coriáceo Manuel Serra d’Aire

Edição de 01.09.2010 | E-mails do outro mundo
Tens razão! A atitude tipo “agarrem-me senão eu vou-me a ele” dos militares reformados espantou a caça, que é como quem diz o escritor Lobo Antunes. E Tomar perdeu possivelmente uma oportunidade única de ficar na História contemporânea com um episódio digno dos tempos em que por ali cavalgavam os templários. Felizmente para a cidade, não havendo militares nem escritor nem porrada velha nessa noite de Verão, revelaram-se em todo o seu esplendor duas personalidades nabantinas que há muito merecem reconhecimento pelos seus feitos. Isto é como as equipas de futebol: às vezes é necessário que uma das vedetas se lesione para que se revelem talentos até aí na sombra.Um desses talentos é o vice-presidente da Entidade Regional de Turismo, ficcionista notável que revelou à saciedade que Tomar vive bem sem lobos antunes e quejandos. Manuel Faria pôs a sua arte ao serviço do turismo e não se poupou na divulgação da tertúlia com o escritor, que afinal borregou. Aquela passagem promocional onde se refere aos tempos de tropa de Lobo Antunes na cidade e às jogatanas de bilhar do então jovem oficial no Café Paraíso é de mestre. Mesmo que as tacadas dadas pelo afamado escritor tenham sido dadas noutros locais, eventualmente menos emblemáticos e mais recatados…Depois há essa sumidade da política autárquica que é o vereador da Câmara de Tomar Luís Ferreira. Se alguém ajudou nos últimos tempos a pôr Tomar no mapa foi ele. Chamar “cobardolas”, “vedeta” e “armado ao pingarelho” a Lobo Antunes, mesmo que nessa coisa chamada Facebook, é digno de mestre em termos de marketing. Razão teve ele quando disse que o ambiente em Tomar ficou melhor sem Lobo Antunes e que nenhuma cidade precisa de pessoas assim a fazer-lhe publicidade. Para mais, digo eu, tendo um Luís Ferreira à mão de semear. Aliás, o serviço prestado a Tomar pelo vereador da Cultura e Turismo é difícil de avaliar no imediato. Quantos turistas não estarão já em pulgas para irem até à cidade e terem o privilégio de ver ao vivo, ainda que seja ao longe, esse exemplar da raça humana. Comprovarem que ele existe mesmo, e não só na Internet, e que Deus é grande ao pôr no mundo criaturas desse quilate. Respirar o mesmo ar, pisar o mesmo chão, conhecer os sítios onde jogou bilhar, onde bebeu café, onde congeminou as geniais tramas políticas que o levaram a vereador. Quiçá, até, obter um autógrafo dele…Para acabar quero aqui lavrar o meu protesto pela caça que a Câmara de Ourém está a mover aos comerciantes de Fátima. Obrigá-los a retirar os artigos das ruas parece obra do Demo ou de jacobinos republicanos e laicos que não têm sensibilidade para perceber as especificidades da cidade santuário. É desvirtuar a sua essência. Espero que o presidente Paulo Fonseca e o seu acólito Nazareno do Carmo se deixem de ideias ímpias e sigam o exemplo do autarca da Chamusca Sérgio Carrinho, que deixa os vendedores fazerem negócio em tudo o que é sítio. Um abraço quebra-ossos do Serafim das Neves

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