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A advogada de raízes indianas que se apaixonou por Vila Franca de Xira

A advogada de raízes indianas que se apaixonou por Vila Franca de Xira

Ana Miguens foi morar para a cidade com os pais quando tinha cinco anos
Edição de 01.09.2010 | Identidade Profissional
Filipe MatiasÉ filha de pais indianos e nasceu em Moçambique. Depois do 25 de Abril veio morar para Vila Franca de Xira. Ana Miguens estudou na cidade e exerceu três profissões ao longo da vida. Actualmente é advogada e assume-se como uma vilafranquense. Adora touradas, lê livros de ficção científica e gosta de sevilhanas.Aos 39 anos, Ana Miguens, garante não querer abandonar a profissão de advogada. Faz visitas regulares às prisões e confessa não ter medo dos presos. “Tenho sete pedófilos, dez sequestradores e alguns homicidas e alguns deles tenho de os visitar nas prisões. Não sinto medo desta profissão nem nunca tive problemas com nenhum deles”, garante. O percurso de vida de Ana Miguens começa em Moçambique nos anos 60. Os pais, de raízes indianas, escolheram as colónias portuguesas para trabalhar. Com o estalar do 25 de Abril e a queda do Estado Novo, a família de Ana embarcou rumo a Portugal continental. “Eu tinha cinco anos quando saímos de Moçambique. Viemos logo para Vila Franca de Xira. Os meus pais já tinham referências desta zona. Um familiar tinha passado férias aqui na cidade uns anos antes e sugeriu-nos Vila Franca. Até hoje nunca mais abandonei a cidade”, conta a O MIRANTE.Durante a sua vida exerceu três profissões: auxiliar de educação, coordenadora de atendimento ao público e advogada. Foi nas ruas de Vila Franca de Xira que Ana passou a maior parte da sua infância. Estudou nas escolas da cidade e completou o 11º ano na Escola Reynaldo dos Santos. “Eu era uma menina que gostava muito de roupa e como os meus pais não tinham muitas posses decidi ir trabalhar durante o dia e estudar durante a noite. Só acabei o 12º ano à noite, na mesma escola. Comecei por trabalhar na Santa Casa da Misericórdia em Arruda dos Vinhos, onde estive durante dois anos. Fui auxiliar de educação, dava apoio às crianças na parte de berçário. Depois transitei para um ATL”, conta.Foi quando ainda estava ligada à Santa Casa que lhe surgiu o desafio de enveredar por outra profissão. “Surgiu-me a hipótese de trabalhar na EDP. Estive lá durante dez anos. Fazia atendimento directo aos clientes, sobretudo na área da contratação. Sempre fiz turnos à noite, porque se ganhava mais”, diz com um sorriso. Ana Miguens considera a década passada no atendimento ao público como uma das mais aliciantes da sua vida profissional. “Sempre tive uma grande facilidade para falar com as pessoas. Gosto de ouvir o que as pessoas têm para dizer porque se aprende sempre muita coisa. Acabei por sair da empresa como coordenadora”, recorda. Nos últimos anos Ana decidiu tirar o curso de Direito numa faculdade de Lisboa em horário pós-laboral. Confessa que o ordenado que auferia na EDP era “muito aliciante”, mas garante que ambicionava um novo desafio. Com o curso quase concluído era altura de dar o passo de gigante. “Era sempre difícil sair para abraçar um novo projecto, porque todos sabemos que o mercado dos advogados está cheio. Certo dia pensei a fundo e arrisquei. Rescindi o contrato e vim para Vila Franca de Xira. Enquanto estive na faculdade vivi em Lisboa mas depois voltei às raízes. Sinto-me muito bem aqui e todas as minhas boas memórias vivi-as nesta cidade”, confessa. Ana Miguens diz-se uma aficionada das touradas. Adora sevilhanas e gosta de ler livros de ficção científica. Ser advogada é o que sempre quis e já soma sete anos na profissão.“Nunca me imaginei a fazer outra coisa, foi sempre com isto que sonhei. Gosto muito do que faço e adoro as audiências de julgamento, são o que mais me atrai. É óbvio que tenho de fazer o trabalho de secretária também, mas pessoalmente actuo melhor em julgamentos. A advocacia para mim é algo que vejo com muito carinho. É ajudar e proteger o próximo. A justiça é uma instituição muito fechada. Somos nós, os advogados, que protegemos quem nos procura. Eu trato da mesma maneira um médico como trato qualquer outra pessoa. É uma profissão da qual gosto muito”, refere.
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