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A geração que apanhava fruta nas quintas e andava à boleia

A geração que apanhava fruta nas quintas e andava à boleia

Quarentões 2010 ultimam os pormenores para a festa anual da freguesia de Pontével

Todos os anos um grupo de quarentões nascidos ou residentes em Pontével, no concelho do Cartaxo, reúne-se para organizar a festa anual da freguesia. A comissão de 2010 simboliza a geração de 1970. Uma época em que não havia Internet nem jogos de consola e em que muitos jovens apanhavam fruta nas quintas.

Edição de 01.09.2010 | Sociedade
São 21 elementos. Homens e mulheres. Trabalham há um ano afincadamente para pôr de pé a festa anual da freguesia de Pontével, no concelho do Cartaxo. E completam todos, este ano, quarenta anos de vida. A tradição da comissão dos “Quarentões” voltou a cumprir-se na terra. O grupo deste ano representa a geração nascida em 1970. Muitos são filhos da terra. Outros escolheram Pontével para residir. O presidente da comissão dos “Quarentões 2010”, Carlos Rato - nascido em Pontével, mas actualmente a residir na freguesia vizinha de Vale da Pedra -, lembra o que faziam os jovens da sua idade num tempo em que não existia Internet em casa ou jogos de consola. “Íamos apanhar fruta para as quintas. Às vezes tínhamos que sair à pressa porque vinham os donos”, diz com humor a lembrar algumas das peripécias de uma geração. Os tempos eram mais difíceis e por isso ter acesso a uma bicicleta, para acelerar no campo, mesmo em segunda mão, era um grande prémio. A primeira de Carlos Rato foi herdada do pai. Só mais tarde pôde comprar uma. Aos domingos, na altura do Verão, também havia quem apanhasse boleia até a uma das praias da região Oeste. Quando isso não era possível procurava-se um tanque mais fresco. Muitos dos homens que integram a comissão de festas conhecem-se desde os tempos da inspecção para o serviço militar. Entre as mulheres não há um elo de ligação específico. Os bailes, que a geração de 1970 ainda ajudou a manter, eram espaço privilegiado de convívio, ainda que as meninas rodopiassem no salão sob o olhar atento de mães e familiares. Para facilitar a identificação dos elementos que a cada ano completam 40 anos a junta de freguesia local fornece uma lista. Quase todos aceitam inicialmente, mas à medida que o trabalho se desenvolve são muitos os que ficam pelo caminho. “Não é que eu tenha muita disponibilidade, já que além do trabalho tenho um part-time, mas quando me meto numa coisa gosto de ficar até ao fim”, revela o técnico de frio de profissão, pai de uma rapariga de 15 anos, que não ficaria bem com a sua consciência se não participasse na organização da festa no ano em que completa 40 anos.Quase todos têm filhos e profissões mais ou menos absorventes, mas não deixam de se embrenhar em prol do propósito comum: as Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro. As profissões mais técnicas de alguns dos elementos dão jeito na altura de montar as tasquinhas. “Se trabalhássemos todos em escritórios tínhamos que pedir ajuda a alguém de fora”, admite com humor o presidente. Alguns estudaram. Licenciaram-se. Saíram da terra, mas voltaram. Muitos arranjaram trabalho nas fábricas da zona. Entre os elementos da comissão contam-se professores e técnicos superiores. Também há soldadores, pedreiros e mecânicos. Outros começaram a trabalhar. Cedo, aos 14 anos, como aconteceu a Carlos Rato. “Trabalhámos ao longo de muitos meses com alguns sacrifícios pessoais, deixando tantas vezes a vida com a família um pouco para trás, dando menos atenção aos amigos, mas também com muita alegria. Divertimo-nos muito e preocupamo-nos ainda mais”, escreve a organização no folheto de divulgação das festas.Em plena era das novas tecnologias o grupo decidiu apostar também na “rede das redes” para dar a conhecer ao público alguns momentos da aventura que é preparar a festa de uma freguesia. No blog dos quarentões (http://quarentoespontevel.blogspot.com/) - com fotos e descrições – pode acompanhar-se a contagem decrescente para a festa que está aí à porta.
A geração que apanhava fruta nas quintas e andava à boleia

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