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O discurso directo do vereador da Cultura da Câmara de Tomar que dá o dito por não dito

O vereador da Cultura da Câmara de Tomar apagou da sua página do Facebook uma parte da conversa em que chama pedantes e convencidos aos tomarenses. Pede desculpa ao escritor António Lobo Antunes mas antes diz que não retira uma vírgula ao que escreveu. Por fim, e para justificar um pedido de desculpas público, diz que truncaram as suas palavras. Aqui ficam as “truncadelas” do vereador para mais tarde recordar.

Edição de 01.09.2010 | Sociedade
No dia 22 e 23 de Agosto o vereador da Cultura da Câmara de Tomar, Luís Ferreira, conversou com alguns dos seus amigos na sua página no Facebook fazendo história a propósito da recusa do escritor Lobo Antunes de comparecer a uma iniciativa em Tomar patrocinada pela Região de Turismo. O caso já foi para “arquivo” mas deixou mossa. A notícia correu quase todos os órgãos de comunicação social principalmente devido a uma notícia do Expresso publicada nesse sábado. O vereador Luís Ferreira, que faz a gestão do pelouro da cultura do concelho, deixou na net uma conversa, de que publicamos excertos, embora entretanto já tenha retirado uma das mensagens que está assinalada nesta transcrição.A conversa começou com um dos seus amigos que lhe perguntou se ele achava que o escritor não tinha vindo “com medo que lhe fossem ao “focinho” Luís Ferreira: Parece que sim. É o que dá ser pedante, convencido e armado ao pingarelho. Como se não houvesse em Tomar disso que chegasse... Aqui está um candidato a Nobel ... escreve outro amigo ao que Luís Ferreira responde : Só se for Nobel da cobardia. Quem escreve e assina, assume e dá a cara. Não foge. Uma amiga brinca com a situação e põe a hipótese do escritor ter resolvido faltar à iniciativa para poder apanhar fresco em Cem Soldos onde se realizava um festival de Verão. Luís Ferreira responde desta maneira: Eh eh eh. Isso é que tinha sido boa publicidade, mas não. Mas quem se lembrou de convidar o douto senhor correu o risco e “borrou-se”; é o que dá andar com eles ao colo. O ambiente em Tomar ganhou pela ausência de tal senhor. É que no mesmo espaço já estaria a necessária concentração de pedantice e convencimento, se é que me entendem. E siga a “Marinha” que para má publicidade a Tomar já chega (esta parte da transcrição do texto do vereador já não se encontra na página mas O MIRANTE guarda cópia).Com mais alguns comentários à mistura e depois de várias opiniões que apontavam as culpas para o escritor, Luís Ferreira remata: A atitude pareceu mais “desculpa saloia”, do que outra coisa.Em Turismo as coisas ou se fazem bem feitas ou então o melhor é não as fazer.Um amigo dá razão a Lobo Antunes ao afirmar que talvez o escritor não quisesse vir a Tomar para não ser obrigado a comer com bimbos. Luís Ferreira dá-lhe troco desta forma: Mas a “ameaça” não era daqui. Lê o Expresso. É que a “peça” se acha uma vedeta, disso não tenhas dúvidas. Cabe na cabeça de alguém aquilo? Tomar não precisa destes tristes espectáculos, nem de má publicidade e isto foi má publicidade. Quem o convidou devia ter mais cuidado com quem convida, porque este tipo de gente - que se acha de outro mundo - acaba sempre por deixar ficar mal onde vai. Recordo que o mote era: Lobo Antunes passa mini-férias em Tomar, como se aqui viesse a Shakira. Ora, está visto que foi mais um tiro de pólvora seca, precisamente no fim-de-semana em que o investimento de visibilidade de Tomar era o Festival Bons Sons, que trouxe ao concelho milhares de pessoas. Má publicidade, volto a afirmar.E a culpa será dos jornais perguntou outro amigo. Luís Ferreira retorquiu à sua maneira: Era simples se a culpa fosse dos jornais, mas no caso concreto até nem é. O homem é que além de um portento de vaidosisse é um cobardolas que, com base numa abjecta ameaça, se foi logo esconder, decerto em casa “de família”, como é bom tom nestes casos. Se queria segurança solicitava-a. Não colocava Tomar nas bocas do mundo por uma “miudeza” destas.O MIRANTE publicou no diário online algumas declarações do vereador que, passado algumas horas, se sentiu na obrigação de pedir desculpas ao escritor António Lobo Antunes. Reza assim o último texto que vale a pena transcrever da página do vereador:Não retiro, naturalmente, uma única linha ao que escrevi, mas permitam-me corrigir a mensagem, que truncada como naturalmente teve de ser, pode distorcer o objectivo com que foi escrita originalmente.António Lobo Antunes é um reconhecido escritor da Língua Portuguesa, reconhecido por muitos em Portugal e no Estrangeiro. Como tal é assumidamente uma vedeta. É também convencido e naturalmente pedante, fruto eventualmente do enorme reconhecimento que obteve. Não gosto da sua escrita, mas reconheço que as abordagens estéticas que tirei pela leitura, já há alguns anos, de “Os cús de Judas”, podem não ser a melhor fonte de avaliação a considerar.De toda a forma, o epíteto de “cobardola” é de todo desproporcionado, uma vez que o senhor esclareceu que foi “enganado” pelo vice-presidente da Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, Manuel Faria. A ele as minhas públicas desculpas, uma vez que se foi enganado, a minha ira e revolta tem de ser colocada noutra paragem. Aliás a terminologia usada só deve ser abordada e justificada no contexto de uma discussão no facebook e com base na errada informação transmitida pelo vice da Entidade Regional de Turismo. Esta é parte da novela. O vereador da Cultura da Câmara de Tomar não retira “uma vírgula” ao que escreveu mas depois pede desculpa. Diz que a notícia que o obrigou a pedir desculpa está “truncada” mas de verdade não está, uma vez que foi escrita com as declarações que aqui são transcritas. Por fim retira da sua página conteúdos que achou ofensivos provavelmente porque chama pedantes e convencidos aos tomarenses que habitualmente gostam de comparecer às tertúlias, generalizando e sem coragem para chamar os bois pelos nomes. Resumindo: Tomar tem um vereador da Cultura que tem horas para se “passar” na Internet. Viva a alegria!Luís Ferreira: Parece que sim. É o que dá ser pedante, convencido e armado ao pingarelho. Como se não houvesse em Tomar disso que chegasse... Aqui está um candidato a Nobel ... escreve outro amigo ao que Luís Ferreira responde :Só se for Nobel da cobardia. Quem escreve e assina, assume e dá a cara. Não foge.Mas quem se lembrou de convidar o douto senhor correu o risco e “borrou-se”; é o que dá andar com eles ao colo. O ambiente em Tomar ganhou pela ausência de tal senhor. É que no mesmo espaço já estaria a necessária concentração de pedantice e convencimento, se é que me entendem.

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